O RH que olha para as necessidades individuais

Data 22/07/2014

Lilian Guimarães, atual Vice-Presidente de Pessoas e Cultura da Natura e Diretora de Responsabilidade Social da ABRH-SP, conta um pouco de sua carreira como gestora de RH para o portal Huma.

Entre os muitos desafios enfrentados por ela durante sua trajetória, está a participação em vários processos de fusões de alguns gigantes da área financeira, como o Santander, por exemplo. Nesta entrevista, Lilian cita de que forma é possível engajar os colaboradores e comenta sobre as principais tendências para o mercado de RH.

LG lugar de gente: Conte um pouco sobre sua história com a área de gestão de pessoas.

Lilian Guimarães: Eu me formei em Administração de Empresas e já na faculdade me interessei pelas matérias de gestão de pessoas. Após estagiar em uma empresa que prestava serviços para RH, me candidatei a uma vaga como Analista Trainee de Remuneração no Unibanco. Fiz uma carreira longa, quase todo tempo trabalhando em bancos, sendo boa parte dela nesse lado “mais duro” do RH, cuidando de remuneração e benefícios.

Também tive a oportunidade de trabalhar alguns anos no Citibank e fiz uma passagem pela Hay, uma consultoria de RH. Então, eu fui me tornando um pouco mais generalista, até assumir áreas que tem relação com o cliente. Participei de várias fusões, sendo a última do banco Real com o Santander, na qual fiquei por cinco anos como presidente de RH. Em setembro do ano passado, comecei como Vice-Presidente de Recursos Humanos e Cultura da Natura, posição que ocupo atualmente.

LG lugar de gente: É fato que o topo das organizações ainda é predominantemente masculino. Você já ocupou várias posições de liderança dentro das organizações pela qual passou. Nesse período, aconteceu algum tipo de situação em que tenha sido discriminada?

Lilian Guimarães: Eu trabalhei grande parte da minha carreira em bancos que era, até então, um ambiente muito masculino. Hoje, isso já está mais nivelado. Quando saí do Santander, por exemplo, quase 60% dos colaboradores eram mulheres. Mas, de fato, quanto mais se sobe na hierarquia menos mulheres você vê. Isso demonstra que esse padrão se repete e embora as estatísticas mostrem que a liderança feminina esteja crescendo, ainda há uma diferença bastante grande, principalmente, nas posições mais altas.

Eu sempre fui “durona”, mas vejo que essa fase em que a mulher precisava adotar um comportamento mais masculino para se impor já passou. Chega uma hora em que você cansa de fazer isso e percebe que não precisa ser assim para crescer na carreira. Eu sofri algumas situações muito pontuais e específicas, que para mim, não chegam a ser um assédio. Foi pouco significativo e, na verdade, não dei muita importância para o acontecido. Simplesmente disse a mim mesma: “não é comigo”. Deixei para lá e segui em frente.

LG lugar de gente: Para você, qual é o papel do RH?

Lilian Guimarães: Nosso trabalho vai além de ter os processos funcionando. É preciso garantir ferramentas adequadas para o desenvolvimento das pessoas. A vida está mais difícil, por isso é essencial se preocupar com a mobilidade de cada colaborador, entre outros projetos que visem amenizar as dificuldades de cada funcionário no seu dia a dia.

Na Natura, a gente faz de tudo para facilitar a vida do colaborador. O bem estar é um pilar da organização e isso vai desde ensinar nossos funcionários a comerem melhor e levar uma vida mais saudável, até trazer fornecedores de várias áreas para dentro da própria empresa.

Então, existe uma preocupação genuína com as pessoas, mas ao mesmo tempo há a preocupação em criar e oferecer ferramentas para que a empresa também produza, porque nosso ambiente exige resultados por ser um negócio muito competitivo. Eu acredito que o RH tem um papel fundamental para ajudar na performance da empresa através da melhor performance das pessoas.

LG lugar de gente: Quais serão os próximos desafios da gestão de pessoas?

Lilian Guimarães:
Eu acredito que as principais mudanças estão ligadas diretamente a tecnologia. Além disso, as empresas não podem ser mais organizadas como elas são, com uma estrutura hierárquica muito rígida. Hoje, muitas empresas estão se mobilizando para fazer ações flexíveis.

É necessário sair de uma cultura de comando e controle para uma mais flexível e ágil.  A cultura formal que exige que o funcionário venha todos os dias para a empresa e em que a divisão é feita por áreas, já não atende a demanda das pessoas. Outra tendência que o RH precisa se adaptar é a convivência das multigerações, aliando as expectativas dos colaboradores que vieram de uma cultura de comando e controle com a cultura de quem está chegando agora no mercado.
 

 

O RH que olha para as necessidades individuais Lilian Guimarães é graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas,  pós graduada em RH também pela FGV e formada em Coaching pelo Instituto Ecosocial.
Sua carreira em RH tem sido principalmente em bancos,  com destaque para Citibank e Banco Nacional. Tornou-se a primeira executiva de RH no Banco Interatlântico e depois na Origin, uma empresa do grupo Philips. Liderou vários projetos voltados à importância do capital humano na gestão dos negócios, tornando RH um parceiro estratégico dentro desses processos.

 

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