Obesidade é mal que afeta executivos no País

Data 27/07/2011

Uma pesquisa da empresa de planos de saúde Omint mostra que um cargo executivo não é o melhor caminho para uma vida saudável. O levantamento, que ouviu 15,3 mil profissionais de todo o País, mostra que 18,99% dos gerentes e diretores do sexo masculino são obesos, índice acima da média nacional para homens adultos, que é de 12,4%, segundo dados do IBGE. Além disso, a correria do dia a dia leva a maus hábitos: 96% dos entrevistados admitiram não se alimentar tão bem quanto deveriam.

No entanto, uma ferramenta para combater o sedentarismo nas empresas está fora dos consultórios de nutricionistas e das academias de ginástica. Para Rogério Bulhões, diretor de desenvolvimento organizacional do Grupo Boticário, o fator tempo é fundamental para a qualidade de vida. Para garantir "a vida lá fora" dos funcionários, a companhia traçou um esquema de banco de horas diferenciado. "Para cada hora extra, a pessoa ganha 1,6 hora livre", explica.

A flexibilidade de horários ajudou o gerente financeiro Marco Seriacopi, da empresa de tecnologia IDC, a prestar mais atenção à saúde. Seriacopi, 37 anos, perdeu 10 quilos em pouco mais de um ano ao iniciar um programa de acompanhamento nutricional. A empresa ajudou, oferecendo frutas como lanche durante a tarde e facilitando a organização da agenda do funcionário. "Trabalho às vezes em casa. A empresa permite o home office."

Com o tempo mais organizado, o gerente financeiro conseguiu abandonar maus hábitos, como devorar uma pizza inteira de uma só vez. "Em casa, com minha mulher e filhas, pedíamos duas pizzas. Uma para mim e meia para elas. E mal conseguia esperar pelo café da manhã, para comer o que havia sobrado. Pesava 92 quilos, e tenho 1,70 metro de altura", conta. "Hoje, tenho uma fruteira em casa. Isso ajudou a mudar a alimentação das minhas filhas também."

Check up. Segundo Bulhões, do Boticário, a melhor forma de evitar uma população de executivos sedentária é acompanhar de perto a saúde dos gestores. "Conseguimos aumentar a participação dos executivos nos check-ups anuais de 65% para 98% nos últimos três anos", diz. Para o diretor de desenvolvimento organizacional da companhia, ter consciência do próprio estado de saúde é essencial para mudanças de atitude. "Ninguém gosta de levar bronca na hora do médico. Por isso, recomendo que as pessoas comecem a mudar de atitude antes do check-up, para receber elogios também."

Na empresa de cosméticos Natura, que oferece serviços de nutricionista e academia de ginástica em suas instalações, a estratégia para manter os funcionários engajados em hábitos saudáveis inclui um acompanhamento semanal da assiduidade em exercícios físicos, por exemplo. "Se a pessoa deixa de comparecer por uma semana, o professor de educação física vai procurá-la para saber quais foram os motivos da ausência", explica Patrick Makhlouf, gerente médico da Natura, responsável por acompanhar os programas da empresa.

Para Makhlouf, porém, a atividade só tem efeito se o funcionário estiver disposto a assumir o papel de protagonista da melhora de sua saúde. Para Seriacopi, da IDC, tomar uma decisão séria foi fundamental: "Os próprios resultados são o estímulo para continuar. Eu abandonei a gulodice. Consegui acabar com o problema da gota e reduzir os níveis de ácido úrico (no sangue). E vou continuar: amanhã mesmo vou ao laboratório pegar os resultados dos meus novos exames."

Essa notícia foi publicada no Estadão Online, em 20/07/2011.

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