Os incas, a adversidade e você!

Data 12/08/2013

*Por Renato Curi

 

Uma das experiências mais marcantes, que pude vivenciar, foi ir aos solos sagrados dos Incas. O auge da viagem se deu após três dias de caminhada, quando finalmente cheguei ao santuário de Macchu Picchu. Fiquei maravilhado pela sabedoria que envolveu essa civilização, admirava as construções antissísmicas (resistentes a terremoto), o perfeito alinhamento das pedras que pesavam toneladas, os cálculos do calendário solar, considerando solstícios de verão e inverno, o canal de irrigação subterrâneo, os experimentos para o cultivo de batata em diferentes altitudes – o que os levou a cultivar mais de 3 mil variedades de batatas – e outros feitos que os Incas tiveram em pleno século XII.

Durante a caminhada aproveitei a presença de uma guia turística descendente dessa civilização e compartilhei minha grande dúvida: O que fez dos Incas uma civilização tão evoluída, se comparado aos índios brasileiros que possivelmente habitavam nosso País na mesma época?

A resposta me surpreendeu, pela sua simplicidade e sabedoria:

“Os índios brasileiros viviam numa temperatura e altitude agradável, com abundância de alimentos e medicamentos. Os Incas viviam em regiões altas e íngremes, sob-baixas temperaturas, de solo pobre para plantio e com ocorrência de terremotos. Quando o ser humano é desafiado e sua sobrevivência está em jogo, ele se adapta de acordo com a necessidade. O ambiente adverso fez os Incas irem mais longe.”

Para mim ficou claro que, ao se defrontar com um problema, o ser humano tem capacidade de expandir sua mente em busca da solução.De fato comecei a refletir na história de vida dos participantes dos treinamentos que ministro, nos clientes de coaching e na minha própria vida e recordei que, nos momentos difíceis, de grande desafio, veio a superação dos próprios limites.

Lembrei o caso de um profissional que, após ter feito um teste de personalidade lhe foi dito que jamais seria um líder. Recentemente, ele assumiu uma planta na China. Recordei a história de outro profissional que aos 18 anos trabalhava cortando cana em uma usina, e cinco anos depois assumiu um cargo de liderança no meio coorporativo, além de ter se tornado professor. Além destes, existem inúmeros exemplos de atletas brasileiros, principalmente paraolímpicos, cuja determinação excedeu os enormes desafios.

Claro que a mudança, o desenvolvimento de habilidades e o sucesso vieram acompanhados de certo esforço e desconforto. O profissional que ouviu que não seria líder se debruçou nos livros, fez diversos cursos de liderança, além de curso de teatro e trabalho voluntário para desenvolver seu relacionamento interpessoal. O cortador de cana estudou, passou no vestibular, continuou estudando, foi o melhor aluno da sala, se tornou professor e aprendeu com seus colegas a parte técnica do trabalho.
 
Na adversidade, enquanto muitos se acomodariam, eles batalharam. Saíram da zona de conforto, do que era conhecido e viveram na busca de seus sonhos.

Não posso adivinhar qual o seu desafio ou pelo o quê você luta, caro leitor. Seja por uma determinada posição na empresa, para empreender, aprender a tocar um instrumento ou dançar, desenvolver uma habilidade específica, como liderança ou assertividade, entre outras ambições. Mas, estou certo que, assim como os Incas desafiaram os limites da sobrevivência e alcançaram outro patamar de evolução, a sua mente irá se expandir em busca das soluções a partir do momento que você encarar as dificuldades como desafios a serem superados.

“A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.” (Horácio)

Isso envolve disciplina, execução e acima de tudo querer.

Boas conquistas!

 


*Renato Curi é trainer e consultor da Crescimentum. Formado em Administração de Empresas pela PUC-SP. Liderou projetos nas áreas de Marketing e R.H. em indústrias como Unilever e Danone. É Trainer em Programação Neurolínguistica e possui Certificação Internacional de Coaching pela Lambent. Certificação em Teoria Comportamental DISC e Valores.

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