Perfis desagregadores contaminam o ambiente

Data 21/12/2011

No ato da contratação, as empresas tendem a identificar com mais facilidade as características positivas dos candidatos. Muitos traços negativos só costumam aparecer com o tempo, a partir da convivência no ambiente de trabalho. Alguns desses aspectos podem ser danosos ao clima da organização, a exemplo de funcionários preguiçosos, fofoqueiros ou descompromissados. Estudo do pesquisador Will Phelps, da Universidade Erasmus de Rotterdam, na Holanda, indica que uma única pessoa preguiçosa ou desagregadora pode reduzir o desempenho de uma equipe em 30% a 40%. Daí a importância do líder saber identificar esses perfis e lidar com o problema de forma profissional.

Para Cintia Bortotto, psicóloga especializada em Recursos Humanos, existem alguns sinais principais de que há uma “maçã podre” na equipe: a pessoa vive em rodinhas e esquece do trabalho para fofocar; está constantemente falando mal de alguém, seja o chefe, o cliente ou o colega; não entrega os resultados esperados; vê as coisas sempre sob uma perspectiva negativa; e coloca muito mais energia em falar dos outros do que em elogiar e trabalhar.

Identificada a pessoa com esse perfil, Cintia sugere que o superior tenha uma conversa particular com o funcionário para explicar o que ele está fazendo errado. Uma segunda conversa deve ser agenda, para avaliar se houve alguma mudança. Caso o comportamento se mantenha, ela ainda sugere uma terceira conversa. Se nada mudar, a psicóloga recomenda a demissão do colaborador. ”Mas só depois que todas as chances foram dadas”, ressalta. Outra sugestão é mostrar aos colaboradores que atitudes prejudiciais ao ambiente de trabalho não serão aceitas. “Você deve fazer isso dando o exemplo, no trato com os outros membros da equipe”, explica.

O sócio da consultoria Direction RH, Luiz Francisco Romeo, também destaca a importância de se identificar corretamente o colaborador que está contaminando o ambiente de trabalho. Segundo ele, esse tipo de funcionário costuma não estar “plenamente identificado com os valores da empresa” e “exerce uma influencia negativa junto aos colegas, minando o bom clima da organização, por meio de fofocas e trabalhando com agendas ocultas”. Ele concorda que, antes de optar pela permanência ou não do colaborador, é preciso ter uma conversa a sós. “O superior dever ouvir quais são as considerações e ponderações do funcionário, e, somente a partir daí, tomar uma decisão.”

Romeo também defende que seja estabelecido um prazo para a mudança de atitude do funcionário. Caso isso não ocorra, ele recomenda a demissão. Mas, assim como Cintia, ele acha importante esclarecer para o resto da equipe “as razões que levaram à saída do colega e reforçar a não aceitação de posturas inadequadas ou incompatíveis com os valores da organização”.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 14/12/2011.