Pesquisa mostra diferença salarial entre países

Data 01/02/2012

 

Guia de Planos de Remuneração ao redor do mundo da Mercer sumariza as práticas de remuneração e as variações regulatórias em mais de 45 países.Como as multinacionais continuam se esforçando ante a concorrência global, lidando com as expectativas dos empregados e a contenção de custos na atual economia, estas organizações estão focadas nos custos das contratações globais necessárias para atrair e reter seus principais talentos. Visto que as práticas de remuneração variam de país para país, essa é uma tarefa particularmente desafiadora.

Aumentos salariais obrigatórios, participação nos lucros, pagamentos adicionais de férias ou bônus variando de 12 a 16 meses, subsídios de refeição e transporte, são apenas alguns dos programas de pagamento que variam de país para país.

“É necessário entender as diferentes práticas obrigatórias e costumeiras existentes entre os países para administrar com eficácia de custos uma força de trabalho global,” declarou Rebecca Powers, diretora da Mercer. ”Os empregadores de empresas multinacionais devem primeiramente desenvolver uma perspectiva global e, em seguida, interpretá-la à luz das práticas e exigências salariais existentes em cada país. Isso assegura uma estratégia de remuneração global consistente e racional, que seja relevante e aplicável nos mercados locais em que operam.”

O guia da Mercer, denominado Planos de Remuneração ao Redor do Mundo, para organizações multinacionais, sumariza as práticas de remuneração e as variações regulatórias em mais de 45 países. O relatório inclui práticas de remuneração, como componentes salariais típicos e inclui pagamentos em espécie para transporte, refeições ou férias, número de salários mensais, aumentos salariais obrigatórios e frequência dos aumentos salariais. Embora o relatório constitui-se um guia geral que ajuda os profissionais de RH a identificar práticas de remuneração e questões de regulamentação, não é um substituto para o aconselhamento jurídico local e uma investigação detalhada sobre as práticas e exigências locais.

Aumentos salariais obrigatórios

Com as organizações multinacionais se empenhando em administrar os custos dos empregos globais, um fator que continua a representar um desafio são os aumentos salariais obrigatórios. Nos países da América do Norte e América do Sul, por exemplo, a maioria dos países, incluindo o Canadá, não tem aumentos salariais obrigatórios. No Brasil, os aumentos se tornam obrigatórios após negociação com os sindicatos da categoria ou de classe, e não de forma automática, enquanto na Colômbia aumentos salariais são exigidos apenas para empregados que recebem salário mínimo. Nos Estados Unidos não há aumentos salariais obrigatórios para trabalhadores não sindicalizados, embora possam ter dispositivos de aumentos salariais em seus contraltos de trabalho, não sendo, porém, exigidos pelo governo.

Na Europa, os aumentos salariais frequentemente são ditados por convenções coletivas de trabalho. Ainda que, aumentos salariais não sejam obrigatórios na Finlândia, Alemanha e Suécia, por exemplo, são constantemente incluídos nos acordos coletivos. Além disso, na Turquia e na Dinamarca, são exigidos apenas nos casos em que existem forças de trabalho sindicalizadas. Na Grécia, são obrigatórios apenas para os empregados que recebem salário mínimo. Outros países europeus, incluindo o Reino Unido e a Polônia, não tem aumentos salariais obrigatórios.

Na maioria dos países na Ásia-Pacífico, como nas Américas, não há essa obrigatoriedade. Na Malásia, porém, é exigido aumento salarial para os trabalhadores sindicalizados e de produção.

“Parte do desafio de administrar com eficácia os custos de uma força de trabalho global é conciliar a estratégia de remuneração da empresa com as muitas práticas locais,” declarou a Sra. Powers. “Quando as práticas de remuneração são obrigatórias, não há nada a fazer senão obedecer, porém, quando a estratégia de remuneração de uma empresa colide com a típica prática local, a empresa deve estudar como cada abordagem irá posicioná-la no mercado local. Embora muitas das vezes seja melhor adaptar-se à abordagem local, existem ocasiões em que seguir a estratégia global pode diferenciar uma empresa e torná-la especialmente atraente para os empregados mais desejáveis.”

Diferenças nas práticas de remuneração ao redor do mundo

Além dos aumentos salariais obrigatórios, outras práticas de remuneração que diferem de país para país incluem a garantia de pagamentos adicionais em espécie (pagamentos aos empregados além dos salários, independentemente do desempenho), como subsídios de transporte, refeições ou férias.

Nos países da América do Norte e Sul, por exemplo, existem países em que é obrigatório o pagamento de salários adicionais representados pelo pagamento de um 13o salário, adicional de férias ou pagamento de participação nos lucros. Na Argentina, a legislação exige o pagamento de um 13o salário, enquanto no Brasil é exigido que as empresas paguem um adicional de férias e um 13o salário. No México e Porto Rico, os adicionais de férias são obrigatórios. Além disso, no México a participação nos lucros é obrigatória. Auxílio transporte (reembolso de transporte coletivo ou ajuda de custo de automóvel) é comum no Brasil, Chile e Colômbia, mas não nos Estados Unidos ou Canadá. Auxílios de refeições (ticket refeição e vale-alimentação) são obrigatório na Venezuela.

Na Europa, em alguns países incluindo Itália, Portugal e Espanha, é obrigatório o pagamento de salários adicionais. Na Itália, por exemplo, quase todas as empresas pagam um 13o salário a todos os empregados, enquanto outras empresas pagam um 14o salário. Em Portugal e na Espanha são obrigatórios, respectivamente, um 13o e um 14o salário. Na Bélgica, França e Noruega, é obrigatório auxílio de transporte. Ainda que, carro de empresa seja comum em alguns países Europeus, incluindo Bélgica e Irlanda, isso não é tão prevalecente na região quanto nas Américas do Norte e Sul.

Na Ásia-Pacífico, alguns países, incluindo Índia, Indonésia e Filipinas, exigem o pagamento de salários adicionais. Em outros países, como Hong Kong, Cingapura e Taiwan, 13 ou 14 salários são comuns, enquanto em outros países, como China e Malásia, a prática existe, porém, é menos comum. O benefício de automóvel e o auxílio de refeição são práticas comuns em muitos países Asiáticos, entretanto, essas práticas salariais não são tão prevalecentes quanto o auxílio transporte.

Essa notícia foi publicada na RH Central, em 26/03/10.