Planejamento de carreira: você já fez o seu?

Data 02/10/2012

LG: O que é o planejamento de carreira? Qual a importância dele?

Cíntia: Planejamento de carreira é o passo a passo do seu caminho no mercado de trabalho. Aonde você quer chegar? O que você quer ser? Passar por um processo como este te ensina como chegar lá. É como se fosse uma bússola, te guiando e mostrando quando seguir e para onde ir. É uma ferramenta que, quando bem estruturado, pode se tornar grande aliado de quem deseja superar obstáculos no trabalho. Por meio de organização dos seus objetivos e de cronograma muito bem organizado, você consegue resultados muito mais rápidos e satisfatórios para sua vida profissional.

LG: Quais são os passos a seguir ao se planejar um plano de carreira?

Cíntia: O primeiro passo é procurar um profissional que lhe ajude a encontrar seus pontos fortes e a desenvolver. Depois refletir sobre qual é o último passo que você pretende de carreira… o que você quer? Ser um presidente? Um empresário? Ter uma carreira pública? Enfim qualquer que seja a resposta ela pautada o que eu chamo de programação de trás para frente, ou seja, a partir da meta final (último passo de carreia) determinam-se as metas intermediárias e depois pensamos em quais os requisitos para se ocupar cada posição.

É imprescindível que se desenvolva mais autoconhecimento e autoconfiança, para realizar os primeiros movimentos no mercado, além de projetar o futuro baseado nos pontos fortes e naqueles que devem ser melhorados. Minha técnica consiste inicialmente em destacar as qualidades e oportunidades de melhoria do cliente e, a partir deles, montar a trajetória com base no que o cliente privilegia em sua vida. Há pessoas que chegam para mim e dizem: "quero ser presidente da empresa". Mas você já pensou em tudo que um presidente tem de abrir mão? Suas características de liderança dão conta do recado? Se sim, seguimos em frente. Se não, precisamos prever o desenvolvimento desta competência. Por isso é muito importante que a pessoa faça autoanálise, entenda quais são suas prioridades, o que a motiva. É qualidade de vida? É poder? São novos desafios? Entender quem você é e o quê lhe satisfaz é determinante neste processo.

LG: Em que situações o profissional deverá mudar seu plano de carreira?

Cíntia: Todas as vezes que os valores mudam, o plano de carreira deve ser revisto. Por exemplo, com o nascimento de um filho, ou o falecimento de alguém importante. Estes fatos tão impactantes podem redirecionar as nossas prioridades. Se muda a meta final, todo o plano precisa ser revisto.

LG: As empresas têm adotado planejamento de carreira para seus funcionários? Se sim, qual a importância?

Cíntia: Algumas empresas têm esta preocupação. A primeira vez que eu fiz foi em uma empresa que tinha esta preocupação era uma empresa visionária que sempre priorizou pessoas que têm alinhamento com as metas organizacionais. A importância é fazer com que os colaboradores reflitam sobre o que querem, quando querem o como podem traçar estes passos juntos.

LG: Como uma empresa pode medir sua necessidade de ter ou não um plano de carreira para seus colaboradores? Quais são os fatores que indicam a real necessidade desse planejamento de carreira dentro da organização?

Cíntia: É importante deixar claro que planejamento de carreira normalmente é o nome atribuído a esta organização que o indivíduo faz de sua carreira, com metas e o passo a passo de seu desenvolvimento.

Já plano de carreira é o nome atribuído  (também a este exercício – o que na minha opinião pode deixar margem de confusão) e ao plano de carreiras cargos e salários que é tomado por iniciativa da empresa com base em uma metodologia para organizar sua estrutura de cargos e salários e deixar evidente carreiras que podem ser traçadas dentro de uma organização.

Posto isso, a empresa normalmente elabora seu plano de carreiras, cargos e salários, mas apenas as mais preocupadas com os indivíduos os ajudam neste processo de desenhar a sua carreira, que pode ser trilhando um dos caminhos da organização ou não. A principal medida para se implementar este tipo de trabalho são os valores da empresa de estar de fato preocupada com a construção genuína da vida de seus colaboradores e ajudá-los neste processo de “tomar as rédeas” de sua vida profissional.

LG: Em sua opinião, planejamento de carreira pode ajudar na retenção de talentos?

Cíntia: Sem dúvida. Quando um colaborador percebe que a empresa está investindo nele e tem planos com ele a longo prazo é mais fácil dele ficar. Mas também há de se ter cuidado, pois se os tempos da empresa e do colaborador forem diferentes isto deve ser gerenciado, senão o risco de perder a pessoa, ainda mais se for um talento permanece. Neste caso, ter acesso ao planejamento de carreira do colaborador pode servir de alerta para a empresa.

LG: Quais pontos podem colaborar para que o plano de carreira falhe ou não alcance os resultados esperados?

Cíntia: O principal ponto é a falta de acompanhamento ou de dedicação da pessoa para consigo. Quem de fato é dedicado e segue o plano de carreira dificilmente não alcança, mas a pessoa precisa estar aberta aos feedbacks e ser resiliente quando nem tudo estiver a seu favor. Estes fatores são fundamentais para que a pessoa persista até quando é mais difícil e normalmente existem momentos assim na carreira.

LG: O que você indica para os profissionais ou empresas que pretendem iniciar um planejamento de carreira?

Cíntia: Abertura, escuta e parceria. Digo isto pois, a empresa e o colaborador podem escutar posicionamentos que contrariem em um primeiro momento suas expectativas e portanto é necessária muita abertura e senso de parceria para continuar mesmo quando algo não for positivo para um dos lados. É preciso maturidade e que todos cedam um pouco para que as relações sejam perenes e tranqüilas. Como em qualquer relação. De toda a forma relações baseadas em confiança e um conhecimento profundo e não superficial, tendem a ser mais comprometidas e longas. Tentem, vocês irão gostar e ter retorno! Siga confiante e boa sorte!

Planejamento de carreira: você já fez o seu?

Cíntia Bortotto é psicóloga pela PUC-SP, especialista em recursos humanos pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, em Dinâmicas de Grupo, pela Associação Brasileira de Dinâmicas de Grupo, e MBA em Gestão de Negócios, também pela FGV. Cíntia também se especializou em coaching pelo renomado ICI – Integrated Coaching Institute.
 

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