Plano de carreira: bom para o profissional e para a empresa

Data 01/11/2011

O plano de carreira pode ser uma excelente ferramenta para retenção de talentos dentro das corporações, especialmente em períodos de aquecimento de mercado como o atual, além de contribuir para a sincronia entre os colaboradores e os objetivos da empresa.

Mas, afinal, o que é plano de carreira? “De forma simples, é o planejamento da vida profissional”, explica a psicóloga e diretora da Human Value – Consultoria, Treinamento e Desenvolvimento, Meiry Kamia. Para ela, a maioria das pessoas não planeja suas carreiras porque, muitas vezes, inicia sua vida profissional pensando de forma imediatista. “Elas pensam, por exemplo, em como vou ganhar dinheiro, mas se esquecem de analisar seus talentos, habilidades e os tipos de atividades por meio das quais poderão se realizar”.

Segundo Meiry, traçar um plano de carreira depende de quatro fatores: autoconhecimento, estratégia, disciplina e perseverança. “Perguntas como ‘Como quero estar profissionalmente daqui a 10 anos? ’, ‘Que tipo de empresa gostaria de trabalhar? ’, ‘Levando em conta minhas aptidões, que tipo de atividade me satisfaria? ’, ‘Qual é o meu talento? ’, O que me diferencia dos meus colegas? ’ ajudam a dar um norte para o profissional, sem esquecer, claro, a satisfação pessoal”, diz.

Mas nem sempre esse plano precisa estar necessariamente alinhado com o da companhia. “O ideal seria que estivesse, mas nem sempre isso é possível, entretanto, quando o executivo tem em mente seu plano profissional, ele consegue fazer melhores escolhas e justificá-las mesmo quando seu plano não está totalmente coerente com a da empresa”, explica Meiry.

Na visão da consultora, se o plano de carreira do profissional não estiver alinhado com o que empresa pensou para ele, é possível negociar. “Crescer junto com a empresa é o ideal. Só que isso requer maturidade de ambos os lados, tanto da organização quanto do colaborador e eles devem se esforçar para chegarem ao comum acordo e mostrarem resultados positivos para ambos”.

Para o diretor-executivo e sócio-fundador da Prestus Consultores e Assistentes Virtuais, Alexandre Borin Cardoso, não dá para separar os interesses do profissional dos anseios da corporação. “Saber o que o funcionário pode esperar da empresa e o que ela pode esperar do funcionário é algo intrínseco ao desenvolvimento da confiança nas relações trabalhistas”, alega. Em sua avaliação, esses fundamentos estão presentes até mesmo antes da formalização das relações de trabalho e é por isso que a Prestus não só tem planos de carreira para seus colaboradores, como desenvolve práticas para nortear as decisões nesse sentido.

Ele acredita que as empresas devem estimular cada colaborador a ter seus objetivos profissionais claramente definidos. “Se possível, alinhados com os objetivos e metas da empresa durante o período em que a relação de trabalho dure”, pontua.

Na opinião da gerente de Recursos Humanos da Accesstage – subsidiária da Mitsubishi Corporation do Brasil, Maria José Lopes, é importante que os colaboradores tracem seus planos de carreira independentemente da companhia incentivá-los ou guiá-los nesse sentido. “Profissionais que ficam esperando somente pelas ações da empresa não são bem vistos”, adverte.

Na empresa, os colaboradores passam por mapeamentos e são direcionados para cargos com seus perfis. “Desde o estágio até o nível sênior vamos preparando o profissional para que ele assuma mais responsabilidades e esse processo é baseado em treinamentos e feedbacks dos gestores de cada área”, explica.

De acordo com a diretora da Business Partners Consulting, empresa que presta serviços de consultoria em RH e Inteligência Organizacional , Viviane Gonzalez, uma boa estratégia para crescer nas empresas é expor seu plano de carreira no início da relação de trabalho. “As chances de esse colaborador crescer e conseguir atingir seus objetivos são grandes. A empresa, tendo esse conhecimento, pode investir nesse profissional e posteriormente colher resultados positivos”, destaca.

Na Business Partners Consulting, empresa que presta serviços de consultoria em RH e Inteligência Organizacional, o plano de carreira é estruturado de forma a valorizar os profissionais que entram na empresa ainda em posições juniores, como estagiários e analistas. De acordo a diretora da empresa, Viviane Gonzalez, um profissional pode chegar a ser sócio da empresa em pouco tempo e há casos em que colaborador já entra como sócio, em nível gerencial ou diretivo. “Mas antes ele passa por uma avaliação criteriosa para poder assumir responsabilidades maiores”, destaca.

A questão fundamental em relação aos planos de carreira, portanto, é que planejar é sempre necessário e que ser pró-ativo nesse sentido costuma ser bem visto pelas companhias, independentemente de elas auxiliarem ou não nesse processo.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 26/10/2011.

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