Por que os valores organizacionais podem ser tão lucrativos?

Data 19/06/2012

* Por Pablo Aversa

Por que valores são tão importantes? Apesar de nenhum de nós ficar por muito tempo num trabalho se acreditarmos que não estamos sendo remunerados de forma justa, o dinheiro por si só não é o suficiente para promover alta-performance a longo prazo. Afinal, um aumento é só um aumento durante os primeiros 30 dias, depois disso, é apenas o seu salário.  A maioria de nós gostaria de acreditar que o que fazemos faz diferença para os demais e que o nosso trabalho é importante. Ninguém consegue ficar altamente motivado se acreditar que o que está fazendo não faz sentido ou viola seus valores pessoais. Queremos também sentir que somos valorizados como pessoas, não simplesmente como agentes econômicos. Queremos ser respeitados por quem somos, não simplesmente pelo que fazemos. Além disso, respondemos positivamente ao estar ao redor de outras pessoas que compartilham crenças semelhantes às nossas e com as quais sentimos que podemos construir relacionamentos.

Mas vamos ao que interessa: os valores fornecem a base para desenhar o processo de recrutamento e seleção que ajuda a atrair as pessoas certas. Uma vez dentro, as práticas de gestão transmitem a essas pessoas que esses valores são reais e importantes. O resultado é que organizações com sólidos valores são capazes de capitalizar mais o talento e as habilidades dos seus funcionários que seus concorrentes. Seus funcionários estão mais em sintonia com os objetivos globais da organização, mais energizados, além de serem mais leais. Por causa disto, estas empresas estão mais capacitadas a investir em seus funcionários e a recuperar o investimento realizado. Enquanto isso, seus concorrentes acabam pagando mais para atrair pessoas e para desenhar esmerados sistemas de controle e coordenação, além de estarem mais propensas a perderem aqueles funcionários que não se encaixam ou que encontram melhores oportunidades em algum outro lugar.

Por que os concorrentes não conseguem facilmente imitar a estratégia destas organizações de sucesso? A resposta me parece bastante óbvia. Poderia alguém ter muito sucesso por muito tempo imitando uma outra pessoa em todos os aspectos inclusive seus valores? Mesmo para o Robert DeNiro ia ser duro permanecer o tempo necessário num papel para convencer  milhares de funcionários de sua autenticidade – e, cá entre nós, grande parte dos CEOs não conseguiria atuar com a competência de um DeNiro.  Além disso, funcionários são bons em detectar mentiras e falsidades e gerentes não são bons em fingir algo que não são. Valores e culturas devem refletir as sólidas crenças de seus líderes e as dos funcionários neles. A única forma de um concorrente replicar isso seria verdadeiramente acreditando nesses valores e consistentemente se comportando de acordo com eles – o que definitivamente não é uma tarefa fácil.

* Pablo Aversa é formado em Administração de Empresas pela UERJ, com MBA Executivo pela BSP (Business School São Paulo). Acumula mais de 20 anos de experiência como responsável direto pela construção e liderança de operações estratégicas em multinacionais dos segmentos de alimentos e varejo – Empresas da Fortune 100. É também autor do blog "There's Always Room 4 Development!" (http://room4d.wordpress.com/)

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