Problemas de comunicação e liderança emperram inovação nas organizações

Data 13/04/2015

Os obstáculos econômicos, tributários, burocráticos e de infraestrutura para o crescimento das empresas no Brasil são manchetes recorrentes na imprensa nacional. Mas há outro fator que emperra a inovação e o desenvolvimento das organizações, tão crucial quanto negligenciado no país: o fator humano. Pela perspectiva da gestão de pessoas, as maiores barreiras para o crescimento das empresas são deficiências de comunicação (local e internacional) e de liderança. Ou seja, dificuldades de relacionamento.

O assunto foi analisado em uma perspectiva global no relatório A empresa inovadora, realizado pela Economist Intelligence Unit, com patrocínio da EF Education First, com base em duas pesquisas internacionais, uma com executivos do alto escalão e outra com funcionários públicos, realizadas em outubro e novembro de 2014. Cerca de 30% das empresas participantes admitem que seus gastos com o incentivo à inventividade são inadequados ou inexistentes. Não bastasse, quase um quarto dos CEOs (23%) nunca teve treinamento em habilidades criativas, número que se aproxima da metade (47%) entre os CFOs.

Quando estimulados a identificar os três principais fatores que favorecem um negócio inovador, os executivos entrevistados ressaltaram a importância de uma cultura organizacional que incentive ideias de todos (item citado por 53%), alta tolerância a falhas (41%) e liderança consistente (34%).

Apesar da grande percepção da importância do incentivo à inovação, a comunicação interpessoal dentro das organizações segue como grande obstáculo para a circulação de ideias. Isso acontece, conforme o relatório, porque a confiança dos colaboradores em sua habilidade de comunicação com colegas, para desenvolver ideias inovadoras, diminui bastante na medida em que enfrentam barreiras diversas. Por exemplo, a confiança cai de 95% para aqueles que se sentem seguros em se comunicar com colegas em seu próprio departamento, para 72% quando é necessário se comunicar com colegas em outros países.

Nas empresas em que há processos sistematizados de compartilhamento de ideias, esses recursos são adotados extensamente pelos diretores, segundo o relatório, mas isso diminui ao longo da cadeia de gestão. Também há barreiras culturais: enquanto 87% afirmam que a colaboração entre diferentes culturas produz ideias inovadoras, 50% dizem que as diferenças dessas culturas dificultam o compartilhamento de ideias com colegas.

Para Andrea Mansano, gerente da EF no Brasil e porta-voz do relatório, o problema da comunicação é especialmente grave nos níveis hierárquicos mais baixos, já que os gestores tendem a falar inglês com melhor fluência que seus subordinados. “Entre os diretores, 90% se sentem confortáveis ao se comunicar no trabalho – o número cai para 72% no nível gerencial e assim por diante”, diz. Para ela, o Brasil sofre desse problema de modo mais impactante: “Entre os 20 países mais ricos do mundo, a grande maioria ou fala inglês nativo, como nos Estados Unidos, ou fala o idioma estrangeiro com fluência, como a Suécia”

Esta notícia foi publicada no site da Melhor Gestão de Pessoas, em 08/04/2015

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