Profissionais que têm enxaqueca são menos produtivos no trabalho

Data 01/03/2010

 

Profissionais que sofrem de enxaqueca crônica têm menor produtividade no trabalho, maior chance de ficarem desempregados e ainda podem ter menor renda familiar. A conclusão é de levantamento realizado pelo Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry (EUA).

A pesquisa apontou que as pessoas com enxaqueca crônica apresentam indicadores de saúde piores do que aquelas que não têm, já que são mais vulneráveis a ter outras doenças, como depressão, ansiedade, bronquite, asma, derrame e infarto.

“Com dor, ninguém consegue trabalhar, mas o principal motivo para prejudicar a vida profissional é que a enxaqueca desencadeia outras doenças”, explicou o neurologista e diretor do Instituto do Cérebro de Brasília, Ricardo Teixeira.

Absenteísmo

Além do risco de ter outras doenças, a enxaqueca causa ausência no trabalho devido às fortes dores. “Alguns estudos têm mostrado que pessoas com enxaqueca perdem de um a quatro dias de trabalho ao ano devido ao problema”, afirmou Teixeira.

Para se ter uma ideia sobre a gravidade da doença, a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou a enxaqueca como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional. No caso das mulheres, ela ficou em 12º lugar.

O neurologista acrescentou ainda que, entre as 20 piores doenças do mundo, a enxaqueca está em 9º lugar para as mulheres. A doença atinge 20% das mulheres em todo o mundo e 8% dos homens.

Sobre a enxaqueca

A enxaqueca é causada devido a uma predisposição genética. “O indivíduo nasce com um cérebro diferente. A enxaqueca é geneticamente herdada”, explicou Teixeira.

Ele afirmou também que o cérebro de quem tem enxaqueca é mais sensível a fatores externos, como cheiros, barulhos, estresse, entre outros. Outros fatores que aumentam as chances de desencadear uma crise de enxaqueca são alimentação, sono irregular e falta de atividade física.

“O tratamento indicado para quem tem enxaqueca é cuidar dos hábitos de vida. As pessoas que se alimentam, dormem corretamente e fazem atividades físicas controlam muito bem as crises de enxaqueca. A medicação só é indicada em último caso, dependendo do grau do paciente”, disse Teixeira.

Alimentação

Sobre a alimentação, existe o mito que alguns alimentos aumentam as dores de cabeça, mas o neurologista explicou que depende de cada organismo. “Não é possível apontar determinados alimentados. Depende de cada organismo, a pessoa que precisa descobrir o que faz mal”, concluiu Teixeira.

Essa notícia foi publicada na Info Money, em 24/02/10