Profissionais sob demanda

Data 11/12/2012

Diante da dificuldade para encontrar profissionais qualificados cresce o número de empresas que investem em ações de capacitação. Pesquisa da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) com 137 empresas brasileiras mostra que 88% delas não encontram profissionais com o perfil adequado ao cargo. Em função disso, 92% das organizações investem em projetos de capacitação e 59% oferecem programas de formação para pessoas que não trabalham na empresa. Para 97% delas, a formação do colaborador afeta diretamente seu desempenho profissional.

 Segundo a pesquisa, são quatro os setores da economia que mais investem em capacitação: tecnologia, automobilístico, químico/petroquímico e energia elétrica. “Esses segmentos aparecem em evidência não só pelos desafios tecnológicos que as organizações enfrentam e, que, por consequência, exigem profissionais mais qualificados, mas principalmente porque são relativamente os mais afetados pelos custos sistêmicos do Brasil, que prejudicam visivelmente a competitividade das empresas brasileiras”, afirma Jairo Martins, superintendente-geral da FNQ.

Para 37% das organizações ouvidas pelo levantamento, a qualidade no ensino básico é o principal entrave para a competitividade, seguida pelos ensinos universitário (32%) e técnico (31%). “O estudo mostra claramente que, enquanto o País não alcançar um nível adequado de educação para responder aos desafios do desenvolvimento, as empresas tentam suprir essa lacuna investindo na qualificação de seus colaboradores”.

 A Bayer, empresa do segmento químico, reconhece o problema estrutural e opta pela oferta de programas de desenvolvimento a todos os funcionários, com treinamentos pontuais que respeitam as necessidades individuais. “Pessoas bem preparadas entregam melhores resultados. Além disso, na medida em que aumentamos a perspectiva de movimentação e crescimento de carreira dentro da organização, contribuímos para a retenção de talentos”, afirma Andrea Norfini, gerente de Talent Management da empresa.

 Foco nos futuros profissionais

 O Programa De Olho no Futuro ajuda a Bayer a capacitar futuros profissionais de agronomia. Criado em 2009 e realizado por meio de parcerias com universidades, a iniciativa orienta estudantes sobre as possibilidades que a carreira oferece. “Com esse projeto, contribuímos para a evolução do agronegócio brasileiro levando aos estudantes uma visão prática do mercado e ajudando as universidades a formar profissionais mais preparados para enfrentar os desafios do setor”, afirma Felipe Balbino, HR Business Partner LatAm da Bayer.

O programa, destinado a alunos do penúltimo e último ano de agronomia, atualmente é realizado em parceria com a Universidade de Passo Fundo, mas já foi aplicado pela Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Uberlândia, Faculdade de Rio Verde, ESALQ/USP em Piracicaba e UFMT Campus Sinop. “Pretendemos estender este projeto a outras universidades nos próximos anos, seguindo o modelo já aplicado”, destaca Balbino.

Desenvolver como estratégia de negócio

Na visão de Eveli Marconatto, líder de equipe de Desenvolvimento da Dell, apesar de haver escolas que oferecem uma boa capacitação, o modelo geral da educação brasileira deixa bastante a desejar. Esse fato, aliado à complexidade da operação do setor de tecnologia, contribui para uma maior dificuldade na contratação de mão de obra. Por isso, a empresa oferece treinamentos a todos os seus colaboradores e tem o desenvolvimento de pessoas como parte de sua estratégia geral.

Para atuar na linha de montagem, o colaborador passa por uma capacitação de quatro semanas. Já quem trabalha no setor de vendas recebe quatro treinamentos diferentes, totalizando seis meses de aprendizado. E não se limitar a aspectos técnicos é algo fundamental. “Os colaboradores não aprendem apenas a parte técnica, mas toda a cultura da empresa. Acreditamos que os bons resultados chegam apenas quando há também alinhamento entre a empresa e as pessoas”, explica Eveli.

 

*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 5/12/2012