Propostas fracas arriscam atração e retenção de talentos

Data 07/07/2010

 

*Por Fernando Mantovani

Há algumas semanas, recebemos uma visita de um executivo dos Estados Unidos, que nos fez um alerta: naquele país, as empresas não estavam fazendo propostas financeiras à altura das expectativas dos candidatos. Pior ainda: muitas vezes prometiam uma determinada faixa salarial para uma vaga em aberto, e no momento de fazer a proposta ao candidato, a remuneração se aproximava do valor mínimo anunciado.

O alerta sobre o mercado americano fez com que percebêssemos que este processo também está começando no Brasil. As propostas fracas por parte das empresas começam a incomodar os candidatos, prolongar os processos seletivos e afugentar a possibilidade de atrair talentos para as companhias. 

Na prática, esse comportamento significa que as empresas não acompanharam o forte aquecimento do mercado. Ainda sofrendo um “susto” da inflação salarial dos últimos meses, as empresas querem cortar custos. O problema é que esta potencial economia acaba prejudicando as empresas – além de não atrair talentos, que normalmente são remunerados acima da média, elas correm um sério risco de não reter seus profissionais. Com medo de uma bolha salarial e excessivamente preocupadas em conter despesas para evitar problemas futuros, as empresas arriscam a evolução de seu capital humano. 

Um exemplo disso é a duração dos processos seletivos, que se tornam mais longos e difíceis – podem durar de 2 a 4 meses, enquanto o prazo ideal é de 2 a 4 semanas. Os candidatos acabam desistindo e as empresas precisam começar novamente a seleção de profissionais, causando desgaste e muitas vezes prejuízos financeiros. 

Este comportamento “cauteloso” pode ser um efeito inercial do passado – há um ano, as empresas atraíam um bom profissional a uma remuneração mais baixa, mas com o aquecimento do mercado, as propostas daquele período não funcionam mais. Os salários estão sendo impactados pelo aquecimento do mercado – e continuarão sendo. 

O alerta serve principalmente para as empresas que atuam no Brasil, mercado aquecido e com carência de bons profissionais. Uma economia de centenas de reais pode fazer pouca diferença para a empresa, mas é crucial para um candidato. Tornar a proposta um pouco mais robusta, sem excessos, é um diferencial para uma empresa que busca atrair talentos. Ofertas muito fracas podem atrair profissionais medíocres ou até mesmo gerar um problema de retenção, já que um bom executivo sempre pode ser abordado pela concorrência com uma boa proposta. 

Fernando Mantovani é diretor da Robert Half.


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