Qualidade de vida como fator de sucesso

Data 10/02/2014

LG: Como diretora da ABRH-MG e uma das integrantes da coordenação do Prêmio Ser Humano, fale um pouco sobre as tendências em qualidade de vida?

Beatriz Delgado: Quando falamos de qualidade de vida no trabalho, as práticas que estão sempre em alta são aquelas que evidenciam as pessoas como o maior ativo e o grande diferencial nas organizações. Além disso, essa práticas são responsáveis pela geração de resultados significativos, evidenciando a importância da gestão dos ativos intangíveis nas empresas. Os programas de qualidade de vida, por exemplo, só apresentam consistência quando a valorização do ser humano é uma prática efetiva no dia a dia das organizações.

LG: De forma geral você tem percebido maior investimento por parte das empresas na saúde e bem estar dos colaboradores? Se sim, explique porque as organizações estão cada vez mais preocupadas com esse aspecto.

Beatriz Delgado: Muitas organizações investem no ser humano e fazem questão de implementar e desenvolver programas que garantam melhor qualidade de vida e bem estar para seu quadro de empregados. Essa é uma tendência que tem aumentado cada vez mais.

O investimento na saúde passou a ser uma “obrigação” para a maioria das organizações, o que evidencia o aumento de empresas que se preocupam com o bem-estar de seus colaboradores. Eu acredito que ações efetivas de qualidade de vida favorecem uma maior identidade dos funcionários com as organizações e, consequentemente, implicam em um maior engajamento das pessoas no trabalho.  

LG: Como é possível alinhar as práticas de qualidade de vida oferecida por uma empresa com seu posicionamento de negócio? Ou seja, é possível mensurar o retorno desse tipo de investimento e mostrar resultados para a empresa?

Beatriz Delgado: Atualmente, a gestão dos ativos intangíveis é um dos grandes desafios para as organizações, por isso, garantir o engajamento e comprometimento das pessoas torna-se imprescindível para o alcance dos objetivos empresariais. Os impactos das ações de programas de qualidade de vida podem ser percebidos nos resultados de pesquisa de clima ou em pesquisas específicas que sinalizam o retorno desse investimento. No entanto, vale ressaltar que a qualidade de vida no trabalho é uma resultante de diversos fatores que precisam ser levados em conta pelas organizações.      

LG: Em sua opinião, uma empresa que não investe no bem estar e qualidade de vida de seus colaboradores, está fadada a perder produtividade e perder também seus bons funcionários para outras organizações?

Beatriz Delgado: Se as pessoas são os grandes responsáveis pelo sucesso empresarial, o desinteresse corporativo pelo bem estar e qualidade de vida dos seus empregados pode comprometer o desempenho e a produtividade individual e, consequentemente, impactar os resultados da organização.

Vale destacar também que as novas gerações valorizam, cada vez mais, culturas organizacionais que reconhecem a boa performance profissional, bem como relações transparentes e verdadeiras que estimulem um clima de confiança na empresa, não tendo nenhum apego às organizações que não tenham tudo isso como valor.

LG: Muitas empresas argumentam que não investem em programas de qualidade de vida devido aos altos custos de manutenção dos mesmos. Você acha que é possível proporcionar bem estar no ambiente de trabalho e fora dele com poucos recursos? Se sim, cite algumas ações que podem ser desenvolvidas com baixo investimento.

Beatriz Delgado: Programas dessa natureza não são necessariamente de altos custos. O importante é que a empresa decida por programas que estejam alinhados ao seu objetivo estratégico e que favoreçam uma cultura de valorização do capital humano como seu principal ativo intangível. Se a empresa envolver as pessoas no momento da implantação do programa terá grande chance de começá-lo com o aval de todos, legitimando-o já no seu nascedouro.

LG: Por fim, cite algumas práticas que você considera referência atualmente no mercado de RH na área de qualidade de vida.

Beatriz Delgado: O importante é que as empresas não se preocupem simplesmente em copiar programas de qualidade de vida de outras instituições, mas sim em implementar efetivamente programas que estejam alinhados com o estilo da organização, para que não sejam percebidos  pelos empregados como demagogia e “jogo de faz de conta”. Algumas boas práticas que podem ser pesquisadas e consideradas são as das “Melhores empresas para se trabalhar”.


Qualidade de vida como fator de sucesso Beatriz Delgado é diretora da ABRH-MG e integrante da coordenação do Prêmio Ser Humano. É psicóloga pela UFMG, com Mestrado Profissional em Administração (PUC/FDC), MBA Empresarial pela Fundação Dom Cabral e pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos (FGV). Ela também é consultora organizacional, tendo atuado por 30 anos na área empresarial, com larga experiência em Treinamento Empresarial, Desenvolvimento Gerencial, Desenvolvimento de Equipes e Gestão Estratégica de Pessoas.

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