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Quem me indica?

Data 06/03/2013

Manter ativa uma rede de contatos profissionais não é tarefa fácil, mas é uma prática de suma importância para a carreira, pois ela ainda é o meio mais comum de recolocação no mercado de trabalho. “É importante sair do computador e ter contato com as pessoas”, afirma Alex Bispo, profissional da área de TI, que recorreu à network para trocar de emprego.

Durante oito anos, Alex Bispo trabalhou em uma empresa de logística, como coordenador de projetos na área de Tecnologia da Informação. No começo de 2012, por motivos pessoais, resolveu procurar um novo emprego, porém, nem se preocupou com sites ou consultorias especializadas em recolocação profissional. Preferiu recorrer à network. “Como tinha bons relacionamentos com muitos fornecedores, informei sobre minha saída e, a partir daí, recebi diversos contatos interessantes”, conta. Em menos de dois meses, ele aceitou uma das propostas e foi contratado como gerente de projetos na área de tecnologia de uma empresa de software.

Como Alex, muitos profissionais estão recorrendo cada vez mais à rede de contatos quando precisam buscar novos postos de trabalho. Pesquisa feita pela consultoria De Bernt Entschev Human Capital indica que, dos profissionais em recolocação avaliados, 47% conquistaram posições por meio da rede de contatos. Esse número pode ser ainda maior dependendo dos critérios utilizados. Se não forem considerados os profissionais que se tornaram empreendedores, por exemplo, e os que conseguiram emprego via consultoria, a taxa de recolocações via network sobe para 85%. “Como os números mostram, essa é atualmente a forma mais comum de se conseguir emprego no mundo todo”, diz Vladimir Araujo, da divisão de Outplacement Coletivo da De Bernt.

Manter uma network eficiente, que resulte em uma nova vaga de trabalho, não se resume a simplesmente conhecer muita gente ou ter parentes em cargos de alto escalão que possam indicar alguém. “É uma relação entre pessoas que se conhecem profissionalmente e que trocam informações benéficas a ambas, bem diferente de amizade, e mais do que um mero contato”, explica Araujo. Para ele, uma network consistente envolve um relacionamento baseado em ajuda recíproca, que requer contato e troca de informações contínuas. “Estabelecer uma via de mão dupla é essencial para que funcione”, completa.

Para manter a rede ativa é preciso certa dedicação constante. Estar presente em redes sociais e participar de almoços e eventos empresariais são alguns dos caminhos. No caso de Bispo, a internet e atividades sociais o ajudaram muito a fortalecer o círculo. “Há muitos negócios acontecendo em mesas de restaurante e bares, por este motivo é importante sair de traz do computador e ter contato com as pessoas”, destaca.

Não são somente os profissionais que se beneficiam com a network. Ela é importante também para as empresas. A LG é uma das que incentiva seus funcionários a indicarem conhecidos para vagas internas. “Os gerentes se sentem mais seguros em contratar alguém com o aval de um conhecido”, afirma Karina Pimentel, gerente de RH da empresa. Ela explica que é costume pedir, via intranet, para que os funcionários verifiquem em seus contatos se há profissionais capacitados para assumir cargos que estão na companhia. Para que isso ocorra de forma fácil e sem entraves, Karina explica que na LG há um ambiente que favorece o contato direto entre os colaboradores e o RH. “Eles têm liberdade para fazer qualquer indicação”, afirma.

Mas nem por isso vale apenas o “quem indica”. “O candidato passa por todo o processo de seleção, sem receber qualquer tratamento privilegiado”, ressalta. Mesmo assim, ela afirma que geralmente quem chega à empresa por meio da network acaba sendo contratado. A explicação, segundo ela, está no fato de os colaboradores estarem mais familiarizados com a empresa, terem mais conhecimento das necessidades das vagas e saberem indicar profissionais altamente capacitados para elas. “Prova disso é que nunca tivemos problemas com nenhum profissional que foi contratado após uma indicação”, argumenta.

Karina faz também uma distinção entre as indicações, que ela conceitua em dois tipos. A primeira é aquela na qual um funcionário traz o currículo de um conhecido, apesar de nunca ter trabalhado com ele; a outra envolve um candidato com quem o colaborador já teve relações profissionais. “É esse aval que nós valorizamos”, justifica, salientando que validar o trabalho do outro requer mais comprometimento de quem indica e por sua vez de quem foi indicado.

Construir network requer paciência e critérios

Se você ainda não tem uma boa rede de contatos profissionais, não se desespere. É possível começar a construí-la a qualquer momento. Porém, é preciso paciência e critérios para que ela comece realmente a gerar resultados. A seguir, veja algumas dicas listadas por Vladimir Araujo, da De Bernt, que podem ajudar:

– faça uma relação de todas as pessoas interessantes que conheceu em sua vida. Sejam amigos da infância, família, escola ou trabalho;

– relacione aquelas que você tem meios de contatar, seja pessoalmente ou pela internet;

– é importante não enviar o currículo no primeiro contato, só se isso for solicitado;

– dê preferência no primeiro contato à comunicação on-line, para não ser tão invasivo;

– envie uma carta de reapresentação, criando uma atmosfera que permita saber como você está, e se coloque à disposição do conhecido;

– selecione aqueles que atuem em áreas mais próximas de seus interesses. Mantenha contato, troque informações que possam ser de interesse dos dois e o ajude também quando tiver oportunidade;

– criado o relacionamento, quando estiver procurando um novo emprego e queira pedir ajuda, seja direto. Explique que está se desligando do atual trabalho, relembre em qual área está atuando e peça para indicá-lo caso conheçam alguma vaga.

 


*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 25/02/2013

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