Quer alavancar sua carreira? Então, saia da zona de conforto!

Data 27/03/2012

*Por Eduardo Ferraz

Se perguntassem hoje como são suas ações na empresa em que trabalha, provavelmente você responderia que são audaciosas, estratégicas e diferentes, ou que prefere manter a padronização, agindo com cautela e igualdade aos demais? Algumas atitudes podem ser compreendidas como prudência, principalmente as relacionadas à estabilidade financeira do empreendimento. Mas será mesmo que manter-se nulo ante a diversidade da concorrência e as constantes variações do mercado é uma forma de protegermos a empresa ou a nós mesmos?

O ganhador do prêmio Nobel de Economia, em 2002, Daniel Kahnneman, desenvolveu sua tese baseado em 30 anos de estudos sobre a irracionalidade nas decisões de consumo e investimento. Nomeada como “Prospect Theory”, Teoria das Possibilidades em português, a pesquisa revelou que as falhas e as distorções em nossos processos decisórios são regra, não exceção. 

Ele afirma que “pensar direito”, ou seja, pensar rigorosamente em situações que envolvam riscos, não é natural. Assim, as pessoas costumam ficar satisfeitas com avaliações superficiais, independe do nível de preparo intelectual da pessoa. Uma das distorções mais evidentes nessas avaliações, na maioria das pessoas, é o exagero ao se tratar do próprio talento.

Em um de seus estudos com milhares de universitários, o economista pediu que se avaliassem em relação aos colegas. Cerca de 70% dos participantes avaliaram que estão acima da média em capacidade de liderança contra apenas 12%, que se julgaram abaixo da média. Quando questionados sobre a capacidade de se relacionar com os outros, 60% dos estudantes se consideraram entre os 10% melhores na área e 25% se incluíram no 1% superior.

A explicação analisada por Kahneman é que isso acontece porque temos dois sistemas de pensamento: 

  • Sistema 1: quando estamos nesse modo de ação, as decisões que fazemos são rápidas, sem esforço, e potencializadas por emoções. São determinadas pelo hábito. Ao fazermos escolhas baseadas nesse sistema tomamos decisões precipitadas e muitas vezes ruins.
  • Sistema 2: aqui os pensamentos são baseados no raciocínio. É consciente, deliberado, analítico, lógico, racional. É mais lento, exige esforço, mas pode ser controlado. Este sistema dá mais trabalho, mas é muito mais seguro, principalmente em situações de risco.

O que diferencia os dois sistemas é o esforço envolvido. A maior parte dos graves problemas que ocorrem nas empresas é causado por pessoas dominadas pelo sistema 1: investimentos precipitados, contratações intempestivas, planos sem análise de riscos, endividamento fundamentado em cenários muito otimistas, excesso de alavancagem. As ofertas oferecidas por esse sistema fazem sucesso: “Leiam tal livro e sejam felizes”, ou ainda: “Faça o curso X e mude sua vida”. As propostas mais fáceis quase sempre levam vantagem sobre a mais realista. Poucos são os que investem no sistema 2 que, apesar de gerar resultados mais seguros, dá muito mais trabalho por exigir maior concentração e raciocínio mais elaborado.

Ao preferir continuar na “mesmice”, optamos por manter um trabalho igual ao dos outros que, consequentemente, nos gera resultados parecidos. Sair da zona de conforto, aquela onde os resultados já são esperados, requer planejamento, esforço, dedicação e trabalho mais intenso do que a média das empresas e das pessoas o faz. Lembre-se que, em alguns casos, ser bem sucedido e diferente é ser simplesmente aquele que age de modo contrário ao padronizado. 


Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultoria "in company", com aplicações práticas da Neurociência comportamental. Possui mais de 30 mil horas de experiência em empresas. É pós-graduado em Direção de Empresas pela PUC-PR e especializado em  Dinâmica de Grupos pela SBDG. Autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, da Editora Gente. Para outras informações, acesse www.eduardoferraz.com.br