Quer ser ouvido? Chame o palhaço

Data 10/08/2011

Você lê atentamente todos os memorandos que chegam à sua caixa de e-mails? Acessa com frequência o sistema de intranet da empresa? Presta atenção aos cartazes dispostos pelas paredes e corredores? Provavelmente você hesitou ao responder pelo menos uma das perguntas acima, provando que há muitos temas para os quais a empresa está querendo chamar sua atenção, mas a falta de eficácia dos canais convencionais de comunicação pode tornar a mensagem nula.

Para muitas empresas, a falta de comunicação é um problema sério. O que elas podem fazer? Algumas têm chamado o palhaço. É isso mesmo! Você não leu errado. Linguagens como as do clown e do improviso, e técnicas trazidas do teatro, têm sido aliadas criativas das organizações quando o assunto é sensibilização dos funcionários. Os assuntos podem ser tanto de natureza socioambiental – como a importância de economizar copos plásticos – quanto ligados à saúde e à qualidade de vida: sedentarismo, tabagismo, obesidade. Há também temas intrínsecos ao mundo corporativo, como treinamento de lideranças, melhoria dos relacionamentos interpessoais no ambiente de trabalho ou integração de equipes durante um processo de fusão.

A justificativa para a linguagem do improviso está na eficiência: você não gravaria mais facilmente uma mensagem transmitida por uma trupe de atores que “invadiu” o seu departamento? “As empresas vêm usando bastante a técnica”, revela Felipe Mello, um dos fundadores e diretores da Canto Cidadão, misto de ONG social com empresa especializada em comunicação empresarial por meio de técnicas teatrais – braço que existe desde 2004. “Normalmente quem nos contrata é o departamento de Recursos Humanos ou as áreas de Sustentabilidade ou de Responsabilidade Social das empresas.”

Segundo Mello, é perceptível o aumento do interesse das empresas por esse estilo alternativo de abordagem. Os motivos? Basicamente dois: “por amor ou por dor”. Explica-se: de um lado, departamentos de RH e marketing tiveram o insight de inovar na comunicação interna, apostando na criatividade e na descontração para transmitir mensagens sérias e importantes. De outro, estão organizações que cansaram da falta de resultados com os meios convencionais de comunicação.

“O e-mail não funciona porque o sujeito recebe 300 mensagens por dia. Na intranet, ninguém entra”, exemplifica o diretor. “Daí, as empresas percebem que é hora de mudar”. A mensagem ganha efetividade ao ser colocada em outro contexto, com linguagem artística, seja por meio de uma metáfora, dramatização ou humor.

Engajamento

A coordenadora da área de Sustentabilidade da Gol Linhas Aéreas, Nazaré Souza, atesta a eficácia do serviço. A empresa já contratou a Canto Cidadão para realizar intervenções artísticas em seus departamentos, além de ministrar palestras e organizar eventos com o intuito de promover o voluntariado entre os funcionários. Nazaré explica que a interatividade da linguagem favorece o diálogo. “Quem ouve quer ter a chance de responder e questionar”, afirma. “Com tantos meios digitais, o contato caloroso e divertido permite, além da assimilação da mensagem, um momento de relaxamento e integração.”

Entre os resultados alcançados, a executiva destaca o aumento na adesão aos programas de voluntariado, que hoje contam com a participação de quase 200 colaboradores da Gol. Nazaré cita ainda o exemplo de uma intervenção feita em um hangar da empresa em Lagoa Santa, Minas Gerais, onde cerca de 20% dos funcionários se engajaram em ações de voluntariado, índice considerado bastante satisfatório.

No mesmo palco

Outra forma de utilizar as artes cênicas a serviço das práticas corporativas é por meio de workshops. Nesse caso, os funcionários saem do papel de espectadores e participam dos exercícios, como em uma aula de teatro. “A comunicação é uma coisa importante, e as empresas estão interessadas em estreitar as relações no ambiente de trabalho”, analisa Fátima Rizzo, produtora executiva da Cia. Amigos do Nariz Vermelho, especializada nesse tipo de trabalho. Ela credita o sucesso da proposta à inovação na forma de levar a mensagem.

As oficinas da Cia. Amigos do Nariz Vermelho duram entre uma e duas horas. São trabalhadas técnicas como a do improviso, que, no teatro, preparam o ator para responder rapidamente a uma situação em cena, mas, no mundo corporativo, trabalham a prontidão no cotidiano. Outros exercícios são voltados ao relaxamento e buscam afastar o indivíduo da agitação do cotidiano, no intuito de abrir a mente para novas maneiras de enxergar os problemas. “Depois dessa ‘limpeza’, passa-se aos exercícios de integração, por meio dos quais são contemplados aspectos como liderança, trabalho em equipe e comprometimento”, conta Fátima. Os “ensaios” reúnem funcionários de diferentes níveis hierárquicos das empresas, o que serve também para encurtar as distâncias entre liderança e equipes.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 02/08/2011.