Quero voltar ao mercado. E agora?

Data 13/02/2013

“Minha mãe estava com a saúde bastante debilitada por causa de uma hepatite C. Quando os médicos levantaram a possibilidade de um transplante de fígado abandonei tudo e passei a me dedicar totalmente a ela”. O depoimento é de Artur Kerop Kattendjian, colaborador da VBS Informática, que se afastou do trabalho por sete meses para cuidar da mãe. Já para designer Cynthia Martins Arcangelo, o afastamento foi motivado pelo nascimento de seu primeiro filho. “Sempre quis ser mãe em tempo integral e quando o meu filho nasceu tive certeza de que precisava dar um tempo na carreira para ficar com ele”, conta.

Colocar a carreira de lado para cuidar de um parente doente, dedicar-se aos filhos, estudar ou descansar – são várias as razões que levam profissionais a deixarem o mundo corporativo por um período. No entanto, segundo Andrea de Paula, sócia-diretora da Ascend RH, é importante que o profissional justifique muito bem essa ausência quando decidir retornar. “As empresas geralmente não mostram resistência na contratação, mas questionam afastamentos por motivos fracos e profissionais que utilizaram o tempo de forma displicente”, lembra.

Sob o ponto de vista das organizações, quem permanece um tempo fora do mercado sofre uma rápida obsolescência e, no retorno, a mudança de ritmo de vida pode custar mais tempo para adaptação às demandas do universo corporativo. Além disso, questões como a real intenção do profissional em dar foco ao seu trabalho e a afinidade com o cotidiano das empresas são levadas em conta.

No caso de situações impostas, como uma doença grave, a justificativa tende a ser compreendida mais facilmente. O mesmo pode não ocorrer com afastamentos para descansar ou se dedicar a um MBA. “A sabatina será mais dura, pois muitas pessoas conseguem conciliar carreira e estudos”, esclarece Andrea. Até mesmo estudar fora do País, ao contrário do que muita gente pensa, já não é algo tão valorizado pelo mercado a ponto de justificar um hiato na carreira. “As empresas estão se perguntando: com qual pique esse profissional volta e como administrou esse tempo que esteve fora? Buscou estágio? Permaneceu ativo?”, afirma a consultora.

Por isso, antes de se afastar, a especialista recomenda que o profissional pense como vai gerenciar os recursos disponíveis ao longo do tempo, criando condições para um retorno mais tranquilo. O ideal, lembra, é buscar atualização por meio de leitura, participação em eventos e cursos, manter e expandir a rede de contatos ou executar trabalhos como free lancer. “Essas ações mostram a qualidade da decisão que o profissional tomou e a conexão que manteve com o mercado e com a carreira”, explica Andrea.

O retorno

Após a recuperação da mãe, Kattendjian decidiu retornar ao trabalho e precisou correr contra o tempo para se atualizar frente aos avanços tecnológicos do setor. “A readaptação também não foi fácil, mas tive a sorte de contar com a ajuda de outros profissionais da área e de amigos”, explica.

Passados oito meses da decisão de ser mãe em tempo integral, Cynthia também decidiu voltar ao mercado. “Comecei a sentir falta do convívio social, de sair para trabalhar, conversar com pessoas, ter responsabilidades fora do ambiente familiar”, conta. No processo de retorno, a designer foi questionada sobre o afastamento. “Existe uma preocupação grande em relação a como a mãe/funcionária alia o trabalho com as exigências do cotidiano do filho como, por exemplo, quem busca na escola ou leva ao médico”, destaca.

Apesar dos questionamentos, a recolocação no mercado foi tranquila para Cynthia, que também não sentiu dificuldades em retomar as tarefas do dia a dia. “No período em que estive fora mantive as leituras atualizadas e os contatos ativos na web”, conta.

A forma como as empresas recebem o trabalhador que retorna ao mercado após um período de afastamento depende de como a organização enxerga esse tipo de decisão, explica Andrea, mas cabe ao profissional mostrar que está preparado para o novo. “Questões como postura e conhecimento é que vão mostrar à empresa o peso que esse afastamento exerceu sobre o profissional”, esclarece.


*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 6/2/2013

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