Reajustes salariais serão menores este ano

Data 11/11/2013

O fraco desempenho da economia começa a impactar a remuneração dos trabalhadores. De acordo com o coordenador de Relações Sindicais do Departamento Intersindical de Estatísticas e estudo socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira, os salários aumentarão acima da inflação, mas a margem será menor. Os reajustes reais para este ano são estimados pelo órgão entre 1,2% e 1,3% acima da inflação, ante os 2,26% de 2012.

O número de profissionais que terão aumentos reais de salários deve ser menor este ano. A queda da produtividade da indústria, a alta da taxa de juros e a perda de dinamismo do mercado de trabalho são tidos como principais responsáveis pela desaceleração. “No primeiro semestre deste ano, 84,5% dos 328 processos de negociação acompanhados pelo Dieese tiveram reajuste acima da inflação; no mesmo período de 2012, foram 96,3%. Os resultados anuais devem ser semelhantes aos dos seis primeiros meses”, explica Oliveira.

Para a professora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) Denise Delboni, a alta carga de encargos sociais, a falta de qualificação da mão de obra e a grande concorrência do mercado explicam a redução do aumento dos salários. “Para empresas de pequeno e médio portes, os encargos sociais representam um gasto adicional ao salário de cerca de 80% por funcionário; nas de grande porte, esse valor chega a 130%. Esses custos reduzem muito a margem de lucro e impossibilitam a oferta de maiores reajustes.”

Os ganhos reais estão menores, mas o mercado não acredita em retração de salários por conta do desempenho da economia. Uma razão importante para essa afirmação é o nível de emprego, que tem aumentado. “As empresas estão investindo para contratar ou reter talentos”, afirma Roberto Picino, diretor da Page Personnel, empresa especializada em recrutamento e seleção com escritório em 20 países.

A capacidade do mercado de trabalho brasileiro, de certa forma, se manter imune à crise econômica não vai durar muito mais tempo, segundo os especialistas. Os resultados apresentados pelo Dieese são prova desse arrefecimento. “Dificilmente voltaremos a patamares semelhantes aos de 2012”, diz Oliveira. “Se o desempenho da economia não melhorar, poderemos ter, já em 2014, um aumento significativo da terceirização de mão de obra, importação de parte da produção e, em um cenário mais negativo, corte de pessoal”, conclui Denise, da FGV-EASP.

 


*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 07/11/2013

Comentários