Reconhecimento ajuda a reter talentos

Data 10/05/2011

Reconhecimento pelo trabalho bem-feito é uma arma poderosa de retenção de talentos e nem todas as corporações estão atentas a essa força. A prática torna-se ainda mais relevante em tempos de escassez de mão de obra qualificada, marcados também pela busca por qualidade de vida e satisfação pessoal, condições que podem pesar tanto quanto uma boa remuneração para profissionais que almejam uma carreira equilibrada. É por isso que as empresas precisam, de forma estruturada e efetiva, empenhar-se em promover ações de reconhecimento. “O ser humano busca ser reconhecido desde que nasce. A criança quer o sorriso e aprovação dos pais. No trabalho, além de ser uma forma de feedback, o reconhecimento estimula o engajamento em novos projetos e, consequentemente, promove o crescimento profissional”, explica Tânia Bueno, gerente de RH do Grupo Laselva.

Uma característica particular dos tempos atuais que torna o reconhecimento essencial nas organizações é o novo perfil dos colaboradores. “A melhor ferramenta para a retenção de talentos é o reconhecimento. Os jovens que hoje estão no mercado de trabalho valorizam a meritoracia”, diz Carlos Eduardo Koelle, gerente de projetos da doers – human capital resources.

Um dos problemas na hora de reconhecer funcionários, segundo ele, é que as empresas ainda replicam o modelo de um ambiente crítico, em que uma falha isolada ganha mais destaque que o conjunto de bons resultados. “O ideal é a empresa equilibrar os pontos fortes e fracos de cada um. Mas, em muitas delas, ainda há pouco espaço para o reconhecimento”, afirma.

Motivação é fundamental

Tânia defende que os gestores e profissionais de RH fiquem de olhos bem abertos para apontar os bons profissionais, pois não fazê-lo pode ter consequências desastrosas no cenário atual. “Há muitos anos não víamos essa escassez de profissionais qualificados. Se a empresa tem bons colaboradores deve reconhecer o valor deles. Se não o fizer, outras o farão, e o reconhecimento injeta ânimo nos profissionais. Motivação é fundamental para a equipe”.

Essa atenção é especialmente importante em setores que estão em franco desenvolvimento e que têm maior demanda prevista para os próximos anos, como é o caso do turismo, área que, em março, era responsável pela geração de 7,2 milhões de empregos em todo o País, segundo dados do Ministério do Turismo. “O setor tem carências há muito tempo no Brasil, mas, agora, os eventos previstos para o País [como Copa do Mundo e Olimpíada] elevaram as expectativas”, explica a especialista. Ela aponta que, apesar de todo o potencial turístico brasileiro, há pouco investimento em qualificação e salário dos funcionários do setor. “Reter pessoas boas nesta área é quase como lutar pela sobrevivência. O reconhecimento dos profissionais é essencial para isso.”

A hora da recompensa

O reconhecimento pode ser dado de duas formas: financeira ou psicossocial. “O reconhecimento financeiro é aquele determinado por avaliações mais objetivas para embasar remuneração e definir bônus, por exemplo”, explica Koelle. Já a segunda modalidade, mais abstrata, vai desde manifestações verbais a concursos internos. “Hoje, a demanda pelo reconhecimento social é maior que antigamente. Os jovens que estão no mercado de trabalho ainda querem ganhar bem, mas precisam ter outras maneiras de se sentir valorizados. E é assim que ficam mais engajados e produtivos”, diz ele.

Na hora de definir o que seria o reconhecimento ideal, as empresas devem procurar adequar esse retorno pelo trabalho bem-feito à própria cultura. A gerente de RH do Grupo Laselva cita a necessidade de as empresas estabelecerem políticas justas de cargos e salários e uma boa estratégia de comunicação com os colaboradores. Também é altamente recomendado tornar público trabalhos muito bem-feitos. “Reconhecer publicamente, seja com a menção ao trabalho em uma reunião ou por meio de prêmios, diplomas ou placas, divulgar resultados valorizando a participação dos envolvidos e praticar a meritocracia, para reconhecer os diferentes como diferentes, são algumas opções para valorizar os funcionários”, ensina. Práticas como essas, se bem implantadas, podem dar um sentido maior na colaboração dos profissionais dentro da empresa.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 04/05/2011.