Recrutadores usam redes sociais para buscar candidatos e fazer contratações

Data 07/03/2016

Há dois meses, Eurípedes Magalhães, 37, recebeu uma mensagem em sua conta na rede de relacionamento profissional LinkedIn.

Coordenador do curso de Marketing Digital da Faculdade Impacta, em São Paulo, ele não estava procurando um novo emprego. O contato, entretanto, era uma proposta de trabalho.

"A mensagem apresentava a empresa interessada, descrevia o cargo e me convidava para participar de um processo de seleção", afirma. 

Após checar as referências do recrutador na rede social, Magalhães aceitou a oferta. Desde dezembro, ele é gerente de usabilidade na empresa de tecnologia Avanade, além de continuar com o cargo de coordenador.

"Utilizamos o LinkedIn para encontrar candidatos a cargos mais seniores e de maior complexidade", diz Jun Endo, Gerente Geral da filial brasileira da multinacional.

Magalhães apareceu na busca feita pelos recrutadores porque mantém um perfil completo e atualizado, escrito com palavras-chave relacionadas à sua área de atuação, como "UX" (experiência de usuário, em português).

A Nielsen também usa as redes sociais para selecionar candidatos para suas vagas.

Foi assim que a empresa contratou Mayara Mendes, 26, que não estava nem sequer em busca de emprego.

"Eu tinha acabado de ser promovida na empresa onde trabalhava e por isso não estava procurando outras oportunidades", diz Mendes, que desde setembro é executiva de projetos shopper.

"Na busca, a plataforma junta as palavras-chave definidas para as vagas com as do perfil e apresenta os resultados", afirma Fernanda Brunsizian, Gerente de Comunicação Corporativa do LinkedIn para a América Latina.

Já chavões bastante usados pelos brasileiros na rede social -como responsável apaixonado e motivado – não valorizam o perfil.

Outro erro comum, segundo Brunsizian, é descrever a rotina de empregos anteriores em vez de dizer quais resultados foram alcançados.

"Também é importante ter sensibilidade para não expor antigos empregadores, tomando o cuidado de não falar nada considerado confidencial ou prejudicial", recomenda Bernardo Cavour, sócio da Flow, consultoria de recrutamento especializada em cargos de alta gerência.

Na Flow, o LinkedIn é usado mais como ferramenta de comunicação com os candidatos do que como plataforma para encontrar o profissional adequado para a vaga.

"Uma vez definido com quem queremos falar, o acesso é fácil pelo site. É uma plataforma que traz segurança para o candidato, porque ele consegue checar se o recrutador é sério", diz Cavour.

Recrutadores usam redes sociais para buscar candidatos e fazer contratações

Outras plataformas 

Apesar de o LinkedIn ser a rede social mais conhecida para relacionamentos profissionais, algumas organizações optam por anunciar suas vagas no Facebook.

Em fevereiro, a Associação Brasileira de Startups (ABStartups) usou a plataforma para anunciar uma vaga de criador de conteúdo e uma de web designer.

"Queríamos atrair pessoas que já seguiam nosso perfil e, portanto, tivessem afinidade com o tema de start-up", diz Vinck de Bragança, Gerente de Marketing da organização.

Foram recebidos 1.200 currículos e, em dez dias, as vagas foram preenchidas.

"Muita gente tinha as qualificações que a gente queria e uma das contratações veio por meio do Facebook", diz Bragança. A outra veio de um anúncio no site trampos.

De olho Facebook

Aparecer com um copo de caipirinha em uma foto no Facebook pode prejudicar uma pessoa em um processo de seleção para uma vaga?

Casos como o de Mayara Petruso, que perdeu o emprego e foi condenada pela Justiça após publicar ofensas a nordestinos em sua conta no Twitter, mostram a repercussão que o comportamento nas redes sociais pode ter.

Mas, com exceção de preconceitos e ofensas, há um exagero na preocupação, de acordo com especialistas.

"É um mito isso de que recrutadores e empresas checam os perfis dos candidatos em redes sociais de cunho pessoal, como o Facebook", afirma Augusto Puliti, Diretor da DMRH, Especializada no recrutamento de executivos.

"Parto do princípio de que uma pessoa que já está em nível executivo, salvo raras exceções, tem bom senso".

Deise Calegon, consultora de seleção na Across, consultoria especializada na seleção de jovens para programas de trainee e estágio, concorda.

"Nenhuma pesquisa em rede social é feita nas fases on-line dos processos de seleção que a Across coordena, que chegam a envolver 10 mil inscritos", diz Calegon.

Na fase presencial, quando o número cai para 500, o comportamento no Facebook tampouco é relevante.

"Até hoje não temos nenhum relato de empresa que tenha realizado pesquisas em redes sociais. Entendemos que o candidato passou por uma bateria de testes e que, nessa fase, já está validado como adequado para a posição", afirma a consultora.

Segundo ela, a prioridade na seleção é a compatibilidade entre as competências e os valores do profissional com aqueles da empresa.

Essa notícia foi publicada no site da Folha de São Paulo, em 28/02/2016

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