Recrutameno on-line nas redes sociais

Data 25/05/2011

LG: Quais as estratégias que o profissional de RH deve utilizar para atrair e captar profissionais de forma relevante nas redes sociais?

Natasha: Os profissionais de RH devem conhecer o perfil dos candidatos que buscam. Conhecer não somente a descrição da vaga, mas também saber quais comunidades os profissionais frequentam e que tipo de informação pode atraí-los. Ou seja, ter um envolvimento que agregue valor. O profissional não deve apenas entrar nas redes e divulgar as vagas, mas buscar um relacionamento contínuo, de longo prazo, ativo e relevante.

LG: Dentre outros benefícios, é possível, com as redes sociais, traçar o perfil de um candidato. Contudo, esta tarefa exige estratégia e demanda muito tempo. Quais seriam, então, as vantagens de utilizar o recrutamento on-line 2.0?

Natasha: As redes sociais podem nos ajudar a ter indícios sobe o perfil do candidato, mas não mostram o perfil em si. Por meio da presença dos candidatos nas redes, é possível saber o quanto são engajados nos assuntos de sua área e conhecer o poder de influência deles, dentre outras possibilidades. Para ter um perfil acurado não podemos prescindir da etapa de entrevista.

Entre as vantagens de utilizar o recrutamento on-line, podemos citar: o contato com profissionais que não estão em busca de novas oportunidades, ou seja, um recrutamento ativo; a possibilidade das empresas anunciarem as vagas, independente das empresas de consultoria; permitir a divulgação de vagas em canais especializados, utilizando comunidades; ajuda a fortalecer os contatos sociais que permitam a solicitação de indicações; auxilia a empresa a ganhar presença nas redes sociais e possibilidade de aumentar a employment brand.

LG: Atualmente, as redes sociais mais influentes são o Orkut, Facebook, Linkedin e Twitter. Qual dessas plataformas, você acredita ser mais eficiente na busca de novos talentos?

Natasha: Cada rede atende a um objetivo específico em termos de busca de profissionais. Por exemplo, o Twitter possivelmente atingirá um número elevado de candidatos, mas não necessariamente dentro do perfil, já que a divulgação deverá ser objetiva e sucinta para caber nos 140 caracteres. O Linkedin já permite a visualização do currículo do candidato, além da participação em grupos específicos, assim como no Orkut e Facebook.

LG: Até que ponto é considerado ético vasculhar e verificar os perfis nas redes sociais do profissional que se deseja contratar?

Natasha: Com a nossa sociedade cada vez mais conectada, fica difícil separar a vida pessoal da profissional, frequentemente observamos o quanto que uma impacta na outra. O mesmo ocorre com a vida online e a off-line, invariavelmente uma impactará na outra, pois somos um só e nossas atitudes refletem quem somos, independente do ambiente em que vivemos. Devemos ter discernimento ao considerar o que vemos nas redes, não sendo extremamente crítico nessa “análise” de perfil. Contudo, devemos considerar todas as informações disponíveis durante esse processo de entendimento do perfil do candidato.

LG: Para atrair de maneira consistente os talentos na Web 2.0, o recrutador deve criar diálogo, compartilhar informação e envolver o profissional. Dessa forma, qual o perfil ideal do profissional de Recursos Humanos para atuar com esta atividade?

Natasha: O profissional de RH deve ser alguém que “fale” a mesma linguagem de quem procura, por isso, vemos a crescente especialização das empresas de consultoria, atuando de forma segmentada. Se procuramos alguém de TI precisamos ter uma linguagem adequada e conhecer esse público. O profissional deve ser alguém que saiba utilizar as redes sociais, para saber como encontrar e contatar os candidatos sem ser cansativo ou inadequado. Nos dias atuais ser flexível também é importante. Se fizermos um contato ativo, precisamos facilitar a participação do candidato no processo, atendendo-o em horários diferenciados ou por meios alternativos de comunicação, como videoconferências. Por último, devemos manter o relacionamento com o candidato até o final, mantendo-o informado sobre o andamento do processo seletivo e fornecendo feedback mesmo quando ele não for aprovado.

LG: Qual o perfil (idade, sexo, profissão etc..) de profissional que é mais facilmente encontrado nas redes sociais?

Natasha: Encontramos facilmente profissionais que buscam atualização frequente, pois os mesmos tendem a participar e buscar comunidades. As gerações Y e Z dominam o meio, por serem nativos digitais, ou seja, pessoas com idade até 30-35 anos. A presença masculina tende a ser um pouco maior, mas não chega a ser uma diferença relevante, o que verificamos em relação a diferença de gênero é quanto à formação, profissionais de TI são majoritariamente homens, por exemplo. Em relação às profissões, certamente os profissionais de TI e de comunicação são mais presentes, apesar de hoje em dia, encontrarmos comunidades online com uma vasta quantidade de temas diferentes.

LG: Quais dicas você aconselha para os profissionais que desejam conquistar novas oportunidades de trabalho através das redes de relacionamento?

Natasha: Os profissionais devem buscar ter uma marca/presença on-line positiva e influente, participando de grupos de discussão e/ou energizando uma comunidade. Ao contatar outro profissional em busca de vaga, não é apropriado simplesmente encaminhar o currículo, deve-se estabelecer algum tipo de contato anterior para iniciar um relacionamento, o simples envio de currículo, muitas vezes, não trará resultados.

Natasha Geraldo é psicóloga, graduada pela UERJ e pós-graduada em Gestão de Pessoas pela UFF-ABRH. Atuação como analista de RH e como consultora interna. Em 2009 realizou o Workshop SocialMedia RH para disseminação de teorias e técnicas das redes sociais relacionadas às práticas do RH. Mantém um site de conteúdo, com o mesmo nome (SocialMediaRH.com), que auxilia na atualização dos profissionais. Atualmente atua de forma generalista na Globo.com, onde também desenvolve estratégias competitivas para lidar com os atuais desafios do RH no ambiente Web 2.0 e da geração Y.