Redes sociais profissionais são nova ferramenta de RH

Data 01/01/1970

 

A nova onda das redes sociais profissionais vem consolidando a utilidade dos relacionamentos virtuais para o setor de Recursos Humanos. Redes como a Linkedin, que tem mais de 70 milhões de usuários cadastrados em todo o mundo, e a brasileira Indica, que surgiu a partir da inspiração da concorrente internacional, são uma espécie de evolução das ferramentas Orkut, Facebook e Twitter, só que dirigidas ao mercado corporativo. Nas redes profissionais, em vez de um perfil descolado e uma vasta coleção de amigos para todas as festas, o que conta pontos é ter um bom currículo e uma rede de contatos eficiente para procurar e oferecer trabalho.

Segundo a diretora-presidente da Projeto RH, Eliane Figueiredo, além do foco na profissão, outro aspecto que faz de redes como Linkedin e Indica mais valorizadas por consultorias de RH e pelas áreas de recrutamento e seleção das empresas é a confiabilidade das informações publicadas nessas redes. Segundo ela, Orkut e Facebook não satisfazem porque muitos dados são falsos. “Há cerca de três anos utilizávamos muito mais essas redes de conteúdo pessoal, principalmente quando os candidatos moravam em cidades mais distantes, mas vimos que não era mais interessante continuar fazendo o mapeamento de candidatos por esses meios porque muitas informações publicadas estavam incorretas.”

A rede mais utilizada pela Projeto RH atualmente é a Linkedin, que, segundo Eliane, se transformou em uma ferramenta fundamental para os profissionais de RH, justamente porque o ambiente permite o estabelecimento de contatos eficientes. Ela ressalta, ainda, que o diferencial da Linkedin é que concentra usuários com alto nível de escolaridade e formação, o que contribui para que a empresa possa encontrar “os profissionais certos para os empregos certos.”

Fóruns de discussões

A executiva informa que outros canais de relacionamento virtual utilizados pela consultoria são os fóruns de discussão de faculdades ou cursos. Segundo ela, pesquisar candidatos por meio deles é válido, principalmente quando as empresas querem profissionais com características específicas. “Às vezes, as companhias solicitam alunos de determinados cursos ou instituições de ensino e a forma mais fácil de encontrar pessoas com o perfil pedido é procurá-las entre as cadastradas nesses grupos.”

Outra alternativa para empresas e candidatos no Brasil é a rede Indica, desenvolvida desde 2008, pela consultoria de RH Allis S.A. A Indica tem atualmente 50 mil cadastros ativos, incluindo candidatos e companhias. A expectativa do gerente de Marketing da empresa, Marcelo Carreira, é de chegar a 100 mil cadastros até o final de 2010.

De acordo com Carreira, o principal diferencial do Indica é que qualquer pessoa cadastrada na rede pode receber uma recompensa financeira caso indique um candidato para uma vaga e este seja contratado. “O valor da recompensa é calculado a partir do salário oferecido para a vaga.”

Carreira e Elaine afirmam que outra contribuição que as redes sociais têm a oferecer ao setor de RH é a economia de tempo. Segundo eles, as empresas que utilizam essas redes para mapear candidatos conseguem diminuir o tempo gasto com o processo de recrutamento e seleção. De acordo com a experiência de ambos, essas atividades costumavam levar de 10 a 15 dias e, com o uso das novas ferramentas virtuais, podem chegar a ser resolvidas em apenas três dias.

Mão dupla

Para o analista Técnico de Design do Grupo RBS, Rafael Gonçalves Groba, cadastrado no Linkedin, essa ferramenta é importante para mantê-lo por dentro do que ocorre no mercado, principalmente na área em que atua. “Trabalho no meio da comunicação e já vi oportunidades de emprego interessantes, que até já indiquei para amigos. É uma maneira de as pessoas construírem uma boa rede de contatos profissionais, o que sem dúvida facilita muito na hora em que você precisar trocar de emprego ou conseguir uma vaga.”

Segundo a desempregada Vanessa Trindade, formada em administração de empresas, a aposta no Linkedin decorre do fato de a rede contar com muitas grandes empresas cadastradas, além de ser gratuito. Mesmo assim, ela acredita que, mesmo em se tratando de uma rede mais profissional, é necessário ter zelo quanto às informações publicadas. Vanessa observa que as redes sociais são uma via de mão dupla, onde os candidatos pesquisam empresas e estas também pesquisam os candidatos. Ela própria sentiu-se surpreendida ao perceber, durante uma entrevista de trabalho, que a empresa já tinha várias informações a seu respeito obtidas numa simples pesquisa em seu perfil no Facebook. “Desde então, tomo mais cuidado com o que publico no Orkut, no Facebook e até no Twitter.”

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 01/07/10.