Reflexões de ano novo: como será o trabalho no futuro?

Data 12/01/2016

*Por Sofia Esteves 

Escolhi começar 2016 falando sobre um assunto que tem aparecido no mundo do RH e na mídia: o futuro do trabalho.

Há quem diga que o próximo modelo romperá totalmente com o que conhecemos hoje. Dizem que o formato “emprego fixo”, “benefícios” e “chefe” cairá por terra.

Há também quem diga que os talentos, especialmente os mais jovens, não irão se candidatar a vagas em grandes empresas, porque suas prioridades e necessidades não são/serão atendidas pela  oferta de trabalho convencional (pouca flexibilidade de horário, pouco espaço para tirar ideias do papel, entre outros).

Um artigo escrito por Adam Davidson para a revista The New York Times fala, por exemplo, que o futuro do trabalho deverá seguir o modelo de Hollywood. Explico: quando surge um novo filme, seus responsáveis fazem sua gestão como a de um projeto (o que de fato ele é). Colocam-se na mesa as necessidades para a realização daquela empreitada – recursos materiais, financeiros e humanos – e, feito o devido planejamento, os cabeças vão atrás desses recursos. No caso dos “recursos humanos”, são elencados os expertises necessários para o feito e a procura começa. Depois de o trabalho finalizado, de o filme entregue, fim de ciclo. Hora de buscar o próximo projeto.

Reflexões de ano novo – como será o trabalho no futuro?

O que eu penso sobre esse modelo?

Particularmente, ao ver modelos de negócios nascerem e morrerem tão rapidamente como vemos hoje e ao constatar – com fatos e dados – que a economia colaborativa não é uma tendência, mas sim uma realidade, acredito que a mudança no formato do trabalho bate à nossa porta. Não sei se exatamente na forma de ruptura que Davidson coloca em seu artigo, mas certamente  nessa direção.

Independentemente do desenho que o trabalho terá daqui a 5 ou 50 anos, para sobrevivermos e florescermos nessa nova ordem, gostaria de chamar atenção para três pontos que, para mim, são cruciais:

1) Romper com nossas próprias amarras. Aprendi que a “fórmula” da performance é  “P– I”, ou seja, o potencial menos as interferências (medos, inseguranças,  resistências). Então, trabalhemos para tirar o “i” dessa equação;

2) Ampliar nosso repertório. Para transitar bem em diferentes contextos, aumentar nossa capacidade de adaptação e produção, nada como expandir nossos horizontes. Pode parecer “clichê”, mas não é. Dar-se a oportunidade de vivenciar coisas novas, viver experiências únicas, navegar sobre temas e assuntos nunca antes explorados ajuda e muito a entrar no modo “nada será como antes”;

3) Não subestimar o poder da rede. Cuide de seus vínculos profissionais independentemente do momento em que estiver, ou seja, preferencialmente quando não precisar acioná-los. Além disso (de cuidar bem da sua rede atual), é muito importante ampliá-la, fazendo novos contatos a cada nova oportunidade, criando vínculos e nutrindo-os sempre. Em um mundo hiperconectado e colaborativo, as impressões “digitais” que você deixar por onde passar serão seu melhor currículo.

Deixando as amarras no passado, com o repertório sempre em dia e com uma rede bem nutrida, haja o que houver, estaremos prontos. Sempre. Feliz 2016!

Sofia Esteves é Fundadora e Presidente do Grupo DMRH. Graduada em psicologia com pós-graduação em Gestão de Pessoas, é Professora no MBA em Recursos Humanos da FIA, Professora convidada em Orientação de Carreiras e Mercado de Trabalho no Insper em São Paulo e Palestrante convidada na Fundação Dom Cabral. É Diretora de Jovens Profissionais na ABRH/SP e trabalha em pesquisa na área de Tendência de Carreiras Futuras.

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