Reputação e eficiência preocupam presidentes brasileiros

Data 23/02/2016

Em um ano de crise econômica e ética, o resgate da reputação e a busca por eficiência são os pontos mais importantes da estratégia de gestão de pessoas das empresas no Brasil. Os dados aparecem em uma pesquisa global realizada pela consultoria PwC com 1.409 presidentes de empresas de 83 países.

A corrupção preocupa 83% dos CEOs brasileiros, e foi a ameaça mais citada pelos executivos como capaz de comprometer o crescimento da companhia neste ano. Na média global, esse medo foi compartilhado por 55% dos respondentes – número menor que o brasileiro, mas que vem aumentando desde 2013.

Esse receio já se reflete na gestão de pessoas das empresas. Mais da metade dos CEOs brasileiros (54%) pretende mudar sua estratégia de atração e retenção de talentos e engajamento para trabalhar a reputação da empresa como ética e socialmente responsável. No Brasil, a pesquisa entrevistou presidentes de empresas com receita de pelo menos US$ 50 milhões ou 500 funcionários.

Para o sócio da PwC e líder da área de capital humano, João Lins, a atenção dada a esse ponto foi acelerada no Brasil em razão dos escândalos mais recentes, mas também reflete uma preocupação geral das empresas em transmitir uma cultura que se alinhe com os valores pessoais dos profissionais. “Para as gerações mais novas, isso já é um fator de atração.

É uma tendência desde a crise de 2008″, diz. Na média global, a preocupação com a reputação ética é menor, citada por 29% dos respondentes.

O mesmo número de CEOs brasileiros (54%) destaca como foco da estratégia de pessoas uma gestão de desempenho mais eficiente. Isso significa mapear os profissionais mais importantes para a operação e, assim, evitar demissões que irão comprometer a competitividade no futuro – bem como identificar as áreas onde é preciso desenvolver os funcionários para melhorar os resultados. “Só é possível fazer mais com menos e rentabilizar o capital humano com uma boa gestão de performance”, diz Lins. Cerca de 25% dos CEOs brasileiros também citam a necessidade de criar uma força de trabalho com habilidades adaptáveis às mudanças de mercado.

O terceiro ponto na agenda de mais CEOs quando o assunto é gestão de pessoas são os programas de remuneração e benefícios. Nesse ponto, os CEOs brasileiros (28%) estão alinhados com os executivos no resto do mundo (33%).

Na opinião de Lins, essa preocupação também é reflexo da crise. “Em um momento de volatilidade, as empresas não têm espaço para aumentar a remuneração, mas ainda sentem pressão para reter profissionais-chave. Por isso, precisam ser mais criativos na hora de pensar incentivos e recompensas”, diz.

Oportunidades de desenvolvimento profissional, reconhecimento e um ambiente e cultura de trabalho agradáveis são alguns pontos “intangíveis” que devem fazer mais parte da estratégia das empresas na relação com os funcionários. Em um período de crise, em que a pressão por resultados é maior e o medo de demissão constante, isso se torna ainda mais desafiador.

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“As empresas precisam de lideranças melhores, pois liderar quando o vento está favorável é fácil”, diz. No Brasil, 26% dos CEOs citam como ponto importante da estratégia de pessoas o foco na preparação de gestores para o plano de sucessão – no mundo, esse é o aspecto mais citado pelos executivos, lembrado por 49% dos CEOs.

Mesmo com a perspectiva de pouco crescimento na economia mundial, a falta de talentos e habilidades-chave preocupa 72% dos CEOs. No Brasil, por consequência do aumento na taxa do desemprego, o número é menor (58%), mas ainda faz esse medo figurar entre as cinco ameaças que mais preocupam os presidentes de empresas. “É um problema estrutural e qualitativo, e não quantitativo”, diz Lins.

Essa notícia foi publicada no site do Valor Econômico, em 18/02/2016

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