Retorno sobre investimento em funcionários registra queda

Data 10/11/2014

A força de trabalho está passando por uma grande transformação nesse início de século XXI e a tendência é que se torne cada vez mais qualificada, exigente, global e diversificada – tanto em relação a gênero quanto a idade. Atualmente, 40% da força de trabalho no Brasil é composta pela geração Y (nascidos a partir de 1980), que deve alcançar a maioria dos profissionais empregados a partir de 2020.

Isso significa que há possibilidade de montar quadros com maior potencial de criação e produção – o que já começa a acontecer nas empresas. O baixo crescimento da economia nos dois últimos anos, no entanto, derrubou os resultados das empresas e, consequentemente, os índices de produtividade do capital humano de maneira geral.

Essa é uma das conclusões do estudo Benchmarking Nacional de Capital Humano 2014, realizado pela PwC Saratoga, com informações de 110 empresas, de 11 segmentos de indústria. Juntas, elas empregam mais de 1,5 milhão de profissionais e têm faturamento total na casa de 37% do PIB brasileiro. Os indicadores foram elaborados com base em demonstrações financeiras do ano fiscal encerrado em 31/12/2013 e em diversas outras informações fornecidas pelas participantes.

Embora tenha sido constatado um crescimento de 8% no faturamento por empregado em termos reais na comparação de 2012 com 2013, ele não foi o suficiente para compensar o aumento dos custos e despesas. Durante esse período, o ROI de capital humano (medida que correlaciona os resultados dos negócios com os custos de pessoal) caiu 17% – de R$ 6,04 para R$ 5,02 para cada R$ 1 investido. A principal razão foi a queda, em média, de 22% nos lucros. O índice poderia ter sido ainda pior, mas foi amenizado pelo menor investimento das organizações nos empregados, principalmente no que diz respeito à remuneração variável.

De acordo com João Lins, sócio e líder da consultoria de capital humano da PwC no Brasil, para enfrentar a conjuntura econômica difícil é preciso implementar ações que melhorem a produtividade e o desempenho dos negócios. "O foco deve ser reduzir custos, mas de maneira sustentável. A saída não é cortar capital humano, mas usá-lo de forma inteligente para conseguir fazer mais com menos", afirma.

O levantamento revela que as admissões aconteceram em uma proporção menor do que os desligamentos por iniciativa das empresas, o que indica retração do mercado – e também mais despesas com passivos trabalhistas. Além disso, a complexidade da regulamentação do trabalho no Brasil gera uma grande dificuldade para a área de compliance nas empresas e aumenta sua exposição ao risco. Mas, apesar desse desaquecimento, as empresas vêm enfrentando dificuldade para contratar ainda em razão da escassez de mão de obra especializada. O cenário se agrava com o fato de que o aproveitamento interno de profissionais caiu para apenas 16% das vagas preenchidas – ante 19% do ano anterior.

Se quando o cenário era favorável a ênfase estava em definir práticas e benefícios para retenção de talentos, hoje é preciso repensar a prática de gestão de pessoas como um todo. O objetivo é entender com mais profundidade as necessidades das companhias nesse contexto para oferecer alternativas, suprir as demandas e integrar de maneira mais efetiva os quadros com as novas competências exigidas.

"É um cenário cheio de oportunidades e desafios para os executivos de RH, que precisam fazer a lição de casa e cumprir seu papel de agentes da transformação. Isso passa por melhoria das métricas, aporte de tecnologia e investimento em análises mais complexas que demonstrem de forma clara a contribuição do departamento para os resultados dos negócios", afirma.

Os aportes em treinamento e desenvolvimento ficaram praticamente estáveis entre 2012 e 2013 – com um pequeno crescimento de 4%. Contudo, é possível notar um enfoque muito claro no aprimoramento do alto escalão. Lins ressalta que houve um crescimento de 75% nos investimentos em desenvolvimento da liderança durante esse mesmo período. "Isso indica que poderemos encontrar melhores resultados, quantitativos e qualitativos, em um futuro próximo."


Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 05/11/2014

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