RH deve permear todas as áreas da empresa

Data 24/08/2011

Nos últimos anos, tem sido cada vez mais comum as empresas envolverem a área de Recursos Humanos nas decisões estratégicas de outras áreas de negócios das organizações. Os profissionais, mais e mais, utilizam ferramentas de RH para identificar, entender e modificar situações insatisfatórias. “Uma boa equipe de RH deve ter visão interna, mas, principalmente externa da empresa, conhecer seus clientes, analistas, tendências para, a partir daí, ajudar a criar estratégias apropriadas para as mudanças que a empresa quer alcançar”, afirmou José Weiss, diretor de RH para a América Latina da Syngenta, durante palestra na 37ª edição do CONARH (Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas), encerrado na quarta-feira, 17.

“É fundamental que a área de Recursos Humanos de cada empresa saiba ler o ambiente para entender o que é necessário ser mudado e, então, juntamente com outras equipes internas, criar uma estratégia”, disse Tatiana Sereno, diretora de RH da Philips Healthcare do Brasil. Para incorporar o RH nas decisões estratégicas, a Promon Engenharia criou um sistema interligado de chefes dos setores associados a um “chefe comportamental”. Segundo Márcia Fernandes Kopelman, diretora da unidade de Relações Humanas e Comunicação da empresa, cada funcionário da Promon tem pelo menos dois chefes, um hierárquico e outro do setor de conhecimento humano. “O papel do RH é fortalecer esse funcionamento”, afirmou.

Pragmatismo x humanismo

Para a GE, resultados e valores andam juntos. “O ideal é que cada funcionário tenha as duas capacidades desenvolvidas. E o papel do RH é estimular o desenvolvimento dessas atribuições”, afirmou Bob Corcoran, vice-presidente de Cidadania Corporativa da empresa e presidente da Fundação GE, nos Estados Unidos.

As empresas já entenderam que os funcionários são melhores quanto mais hábeis no trato com pessoas. Da mesma maneira que um RH só consegue ser efetivo se tiver certa dose de pragmatismo em suas atividades. Para Márcia Fernandez, “há uma exigência dessa duplicidade para todos os funcionários e em todas as áreas”.

Seguindo esse raciocínio, em fevereiro de 2011 a Syngenta adotou uma nova estratégia de trabalho na qual o RH foi imprescindível. “Não vendemos produtos, vendemos soluções”, afirmou José Weiss. Mais do que fornecer aquilo que o cliente precisa, a empresa quer entender e suprir as necessidades dele. Para isso, foi necessária uma complexa avaliação da forma como a empresa atuava e uma modificação estrutural para atender ao novo posicionamento oferecido pela Syngenta. “Essa mudança estratégica exigiu desenvolvimento, revisão e reestruturação empresarial. Os processos de RH estão fortalecendo e sustentando os papeis dos gestores, e apontam a necessidade de mudanças a serem incorporadas”, explicou.

Descobrir, desenvolver e reter talentos

Essa interação entre o RH e os demais segmentos da empresa foi a chave encontrada pela GE para a descoberta de talentos. “Faz parte do processo de recrutamento irmos às universidades conhecer os alunos e procurar não os que têm melhores notas, mas aqueles que não se bastam com o que a faculdade oferece e querem mais, correm atrás de outras realizações, são inquietos e interessados”, contou Bob Corcoran.

Ao encontrar esses talentos, é tarefa do RH mostrar que a GE exige inteligência, dedicação e resultados. Segundo Corcoran, a empresa é transparente e, desde os níveis mais básicos da organização, as pessoas sabem que estão sendo avaliadas. E, em todos esses processos, o RH está presente.

“A GE entendeu que um bom líder é aquele que defende seus funcionários, mas sabe ser duro e exigente quando isso é necessário. As pessoas são responsáveis pelo seu desenvolvimento e o que fazemos é preparar líderes que auxiliem nesse crescimento”, disse Corcoran, defendendo que um líder eficiente se mede pelo número de seguidores. E para que haja seguidores, é fundamental que as pessoas se identifiquem e se sintam seguras com o líder.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 18/08/2011.