RH precisa identificar a exclusão racial nas empresas

Data 25/05/2011

Embora seja maioria no Brasil – 97 milhões de pessoas se declararam negras, ou seja, pretas ou pardas, e 91 milhões, brancas no Censo Demográfico de 2010 –, a população negra ainda precisa de políticas públicas e privadas que estimulem a sua inclusão no mercado de trabalho e na sociedade, pois compõe a maioria entre os pobres e miseráveis do País.

Mesmo quando inseridos nas empresas, os negros sofrem com a chamada exclusão interna: admitidos, não conseguem galgar espaço e ascender na carreira por causa do preconceito. “Essa é uma questão diretamente relacionada à área de Recursos Humanos, que precisa identificar tais sinais e levar o problema para a alta direção da empresa”, reflete a conselheira da ABRH-SP Jorgete Lemos, sócia da consultoria que leva o seu nome.

Para Jorgete, um dos principais papéis do RH é o de educador. Portanto, cabe a ele preparar os gestores para enfrentar os problemas relacionados ao preconceito racial. “Infelizmente, o tema não é prioridade nas empresas, o que é um equívoco, pois a exclusão é um fator crítico de sucesso para as organizações, que dependem de um mercado interno forte para serem mais competitivas”, explica.

Nos últimos anos, a ABRH-SP tem dado atenção especial à questão da exclusão racial. A entidade está representada no Selo Paulista da Diversidade, iniciativa do governo do Estado de São Paulo cujo objetivo é destacar organizações públicas, privadas e da sociedade civil que desenvolvam programas, projetos e ações de promoção e valorização da diversidade, e tem promovido eventos sobre o tema, a exemplo do seminário Gestão Sustentável de Pessoas & Diversidade, realizado em novembro de 2007.

A Associação também apoia a coerência da proposta de entidades como a Afrobras, organização não governamental que tem por finalidade trabalhar pela inserção socioeconÿmica, cultural e educacional dos jovens negros brasileiros.

No último dia 13 de maio – data comemorativa dos 122 anos da abolição da escravatura no Brasil –, Jorgete representou a ABRH-SP na Cerimÿnia de Outorga da Medalha do Mérito Cívico Afrobrasileiro, criada pela Afrobras com o objetivo de homenagear autoridades e personalidades que contribuem com a inclusão e valorização do negro brasileiro. A própria conselheira da ABRH-SP já recebeu duas vezes a distinção da Afrobras, que neste ano homenageou o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, o ministro do Supremo, José Antonio Dias Toffoli, o embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon, e o reitor da Universidade de São Paulo, João Grandino Rodas, entre outros.

Essa notícia foi publicada no ABRH-SP, em 22/05/2011.