Salários aumentam 6,9%, em média, indica Datafolha

Data 17/02/2010

 

O ano passado, ameaçado por contenção de gastos após a crise econômica iniciada em 2008, não prometia em termos salariais. Mas o reflexo nos holerites não foi negativo: eles registraram aumento de, em média, 6,9%, segundo a pesquisa Bolsa de Salários, do Datafolha.

Apesar de o reajuste ser inferior ao de 2008 (7,15%), o ganho real foi maior. Como a inflação em 2008 foi de 6,16%, segundo o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o ganho real foi de 0,99 ponto percentual.

Em 2009, descontados os 3,65% de inflação, o ganho real foi de 3,25 pontos percentuais.

Parte da explicação está nos dissídios de 2008, aplicados no ano passado. "Foi um dos melhores anos [em termos de reajuste]", diz Marcelo Braga, sócio da consultoria Search.

Para o diretor da consultoria Mesa RBL, Manuel Martins, as centrais sindicais foram hábeis na negociação. "Alguns setores não foram afetados pela crise, e isso foi usado para discutir salários", comenta.

Já o professor da FIA (Fundação Instituto de Administração) Celso Grisi acha que parte do incremento é reflexo da política de estímulo ao consumo interno. Com a queda das exportações, incentivos como aumento de crédito e redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) levaram à criação de novos empregos e à negociação de salários maiores.

Aumento na indústria

A indústria foi o setor que mais se destacou. Com 7,97% de alta, foi seguida pelos setores de serviços, construção civil e comércio.

O diretor do departamento sindical da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Roberto Della Manna afirma que grandes empresas reajustam salários antes das demais, e a alta pressiona as negociações restantes para cima.

Já o setor de serviços saiu quase ileso da crise. "A demanda tem crescido", diz o presidente da Confederação Nacional de Serviços, Luigi Nese.

Essa notícia foi publicada na Folha Online, em 14/02/10