Salários de CEOs inflam devido a benchmark

Data 30/01/2012

 

Estudo indica que o crescimento dos salários de altos executivos tem sido determinado, nos últimos anos, pela remuneração estabelecida pela concorrência.

Segundo os estudiosos, o aumento das remunerações é determinado de acordo com o salário de executivos na mesma posição em empresas concorrentes. No entanto, enquanto alguns salários são inflados com bônus ou aumentos que não estão em conformidade com o desempenho da empresa, outras companhias tomam esses valores como referência para estipular a remuneração de seus CEOs. Essa padronização acaba se tornando uma bola de neve, em que os salários só tendem a crescer ano após ano.

A pesquisa usou questionários da Standard & Poor's respondidos pelas empresas entre 1992 e 2006 e comparou os aumentos de salários individuais dos presidentes-executivos com os da concorrência. Também foram analisados os registros de equipes e consultorias que estipularam os salários.

Os responsáveis pelo estudo concluíram que o salário médio – mais os bônus – aumentou 58% entre 1993 e 2005. Já a compensação total – incluindo também as participações nas ações – subiu 116% no mesmo período. Este número foi consideravelmente maior do que o crescimento geral dos pagamentos americanos, de cerca de 15% por ano.

Em 2006, a SEC (órgão regulador do mercado financeiro dos Estados Unidos) determinou que as empresas discriminassem quando e como usavam "benchmark" para estipular salários de presidentes. No Brasil, a política de transparência em relação à remuneração de altos executivos só ficou mais rígida neste ano, quando a CVM – Comissão de Valores Mobiliários – determinou que as empresas de capital aberto divulguem os salários de cada um dos executivos do alto escalão.

Essa notícia foi publicada na Exame, em 23/08/10.