Situações extremas exigem um RH atuante

Data 18/01/2012

Há pouco mais de dez anos, em 23 de dezembro de 2001, uma forte chuva provocou um deslizamento de terra que destruiu completamente a casa de Sidnei Ferreira da Silva. Três dias depois, ele estava de volta ao trabalho na área de processamento de dados da BgmRodotec, especializada em software para gestão de empresas de transporte. “Foi muito complicado vir trabalhar sabendo que minha família estava na casa de parentes passando por dificuldades emocionais e financeiras”, lembra.

O abalo emocional também o acometeu, mas ele sabia que voltar ao trabalho era a única forma de minimizar o estrago material sofrido pela família. A situação também exigiu da empresa uma postura diante do acontecido, afinal, em situações extremas, não dá para separar o profissional do pessoal. Cabe aos gestores dar apoio ao funcionário para que ele consiga manter o foco nas suas responsabilidades e discutir alternativas para encontrar o equilíbrio emocional. “Exercer um cargo de liderança é, acima de tudo, ter a sensibilidade de visualizar as necessidades individuais de cada integrante da equipe”, afirma Julianne Freire, gerente de RH da BgmRodotec, que, na época, ofereceu todo tipo de suporte ao funcionário, tanto psicológico quanto financeiro, mantendo-o motivado para o trabalho e com uma perspectiva mais positiva quanto à vida pessoal.

“Tive perdas irreparáveis. Mas o que a empresa me ofereceu foi suficiente para que a minha situação financeira ficasse um pouco mais confortável e eu fiquei muito agradecido”, lembra Silva. Assim que a diretoria tomou conhecimento da situação do colaborador, foi oferecida ajuda financeiro, material de construção e até mesmo mudanças na rotina diária de trabalho, para que ele tivesse tempo para reorganizar a vida pessoal. “A filosofia da empresa é manter o funcionário satisfeito e motivado”, explica Julianne.

Colaboração dos líderes

Em situações como a de Silva, um departamento de Recursos Humanos atuante pode fazer a diferença quanto ao equilíbrio emocional que o funcionário necessita para encarar situações difíceis. “Atualmente, muitas empresas mantêm consultores internos de recursos humanos que são facilitadores da cultura organizacional, pois desenvolvem, influenciam e assessoram de forma consistente e articulada os clientes internos em questões estratégicas e problemas pessoais”, explica Conrado Szilard, headhunter da Brain – Inteligência em Talentos.

O trabalho do RH deve ser realizado com a colaboração dos líderes, que precisam ser compassivos e apoiadores, mas não devem se envolver pessoalmente ou assumir uma função para a qual não foram treinados. Além disso, é recomendável que eles trabalhem juntos com o RH para identificar possíveis recursos disponíveis para resolver o problema.

“É importante entender seus limites, ou seja, qual é a pressão emocional máxima que você consegue suportar sem gerar interferência no trabalho, para quando, eventualmente, esse limite for excedido, o profissional poder compartilhar a fragilidade emocional que está vivendo com o gestor e com a empresa”, explica Szilard, reconhecendo que, na essência, trata-se de um exercício de autoconhecimento, pois cada um deve entender quais são os pilares de sustentação do seu lado emocional e saber como reagir quando um desses pilares é abalado.

Assim, o profissional deve ter maturidade pra entender quando não conseguirá desempenhar sua função e negociar com o gestor a ausência necessária para recuperação. Por isso, a comunicação com o líder precisa ser clara e contínua, para que ele saiba do problema e como o profissional está se sentido. “Deixar transparecer emoções não é um mau sinal, mas, o desequilíbrio emocional, sim. Para que as relações profissionais evoluam positivamente é necessário sempre utilizar o bom senso”, finaliza Julianne.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 10/01/12.