Soluções alternativas no local de trabalho

Data 22/09/2015

Em entrevista à Huma, o Chefe de Operações Globais da Pfizer no Brasil, Cristiano Mantovani, conta como remodelou o ambiente corporativo para incentivar a inovação e, como consequência, ainda reduziu despesas.

Huma: Como surgiu a necessidade de implantar na empresa estações de trabalho não fixas para os colaboradores?  

Cristiano Mantovani: Em 2009, a Pfizer concluiu a compra da Wyeth. A partir desse momento, vendo a necessidade de fazer a integração das duas empresas, a Pfizer alugou um prédio novo. Nesse espaço, cada pessoa tinha o seu lugar marcado. Mas logo depois, precisamos mudar de estratégia novamente, vendemos uma parte da empresa, e já não era necessário aquele prédio inteiro.  

Fomos para um espaço menor e implantamos o conceito de Alternative Workplace Solutions (AWS), que é referência mundial, por ser pautado na flexibilidade das estações de trabalho. Com essa iniciativa, conseguimos alocar 630 pessoas vindas da Pfizer e Wyeth em um prédio que caberia apenas 550.

Huma: Quais foram os benefícios ao implementar o projeto na empresa?

Cristiano Mantovani: Nós tivemos uma redução de 35% de custo com essa implementação. Mas, obviamente, mudar o ambiente corporativo não resultou apenas em ganho financeiro, conseguimos trazer um novo conceito de trabalho. Ampliamos os ambientes compartilhados, disponibilizamos cabines telefônica, áreas informais com sofás, salas de reuniões fechadas e abertas. As pessoas passaram a ter a comodidade para realizar as suas atividades em espaços alternativos. 

Huma: Como funciona a alternação dos locais de trabalho dentro da Pfizer? 

Cristiano Mantovani: O prédio tem quatro andares e o térreo. No primeiro, segundo e terceiro não somos 100% flexíveis, os lugares dos diretores e gerentes, normalmente, são fixos. Isso acontece por uma questão de atendimento, mas nada os impedem de se integrar a outros espaços. 

Hoje quase todos os funcionários usam notebook. Esse investimento em mobilidade é importante e ajuda nesse revezamento. Nossos telefones também têm um login, por exemplo, se a pessoa estiver no térreo do prédio e for ao terceiro andar, ela consegue atender o seu ramal sem problema algum. 

Huma: Como é a integração dos novos colaboradores dentro desse novo modelo? 

Cristiano Mantovani: A integração é semanal. Algumas pessoas ainda não estão adaptadas com a forma de trabalho da empresa. Por isso, frequentemente, divulgamos um material com informações básicas de convivência. Tentamos também manter uma comunicação entre nós. Por exemplo, algumas salas têm divisórias baixas, se alguma pessoa faz algo que pode incomodar outra isso é perceptível.

Huma: Para você, por que o programa é relevante para a Pfizer? 

Cristiano Mantovani: Um dos primeiros pontos é a inovação. A Pfizer é uma empresa que busca ser referência na área farmacêutica. Isso na verdade é um posicionamento global perante todos os seus stakeholders. 

Vemos pesquisas dizendo que as novas gerações buscam trabalhar em locais alternativos, que proporcione flexibilidade. O que a Pfizer faz é avaliar essas tendências de mercado e tentar aplicar na sua realidade. Diante disso, percebo que a aderência de estações de trabalho não fixas nos ajudou a atrair e reter talentos. Isso nos motiva a continuar inovando e buscando o melhor para os nossos funcionários. 

Huma: Qual o desafio da gestão de pessoas com esse novo modelo? Por que você acredita que é importante que as empresas invistam em ambientes flexíveis de trabalho? 

Cristiano Mantovani: O desafio da área de Recursos Humanos é perceber o que está sendo desenvolvido no mercado e entender como a nova geração se adapta e trabalha. As empresas precisam buscar melhores resultados ano após ano e não necessariamente vendendo mais, pois o ambiente competitivo é muito forte. As corporações só vão conseguir se manter no mercado fazendo a gestão dos custos e melhorando a entrega de seus colaboradores.

 

Soluções alternativas no local de trabalho

Cristiano Mantovani é formado em Ciências Contábeis pela Universidade São Francisco de São Paulo e MBA Executivo pelo IBMEC/INSPER de São Paulo/Brasil. Iniciou sua carreira na Pfizer em 1995 com larga experiência em Finanças atuando como Gerente de Tesouraria. Em 2008 assumiu as responsabilidades da área de Facilities ao qual atua até a presente data. É responsável por serviços gerenciados nos escritórios comerciais na Pfizer Brasil: Facilities Management, Segurança Corporativa, Space Planning e Real Estate; Gestão Integrada de Facilities focado em racionalização de custos, controle orçamentário e excelência operacional. 

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