Sua empresa está atenta aos workaholics?

Data 18/01/2012

*Por Silvia Osso

Workaholic é um termo originado da palavra inglesa alcoholic, que significa alcoólatra, ou seja, uma pessoa que é viciada. No caso do workaholic, é o vício em trabalho. Essas pessoas viciadas em trabalho são cada vez mais comuns de encontrar no mercado de trabalho hoje em dia. A busca incessante do sucesso criou esse tipo de profissional que tem verdadeira obsessão por trabalhar e que não consegue impor limites a sua vida profissional, colocando não só a saúde em risco, mas também a própria carreira.

Uma das características comuns a esses viciados é a ambição que, na dose certa, funciona como mola propulsora da realização de sonhos, mas em excesso pode levar a comportamentos compulsivos. Se você não está entre os profissionais que dedicam a maior parte do seu tempo ao trabalho certamente conhece alguém que se encaixa nesse perfil e deve se perguntar: a rotina lotada de compromissos pode ter motivações diferentes – vício ou paixão?

O workaholic:

  • Trabalha muitas horas por dia e abandona a vida pessoal. Piora a situação porque foge dos problemas privados “internando-se” mais horas na empresa.
  • Se estiver sobrecarregado, não encontra maneiras de priorizar tarefas e abrir espaço na agenda para a vida pessoal.
  • Se a vida profissional vai mal, sofre,descuida da saúde e apresenta ansiedade e estresse alto.
  • É motivado por natureza, mas não necessariamente está satisfeito e feliz com o  trabalho.

A obsessão por trabalho pode acabar com as noções de limite das pessoas, que vão aumentando cada vez mais o expediente e abrindo mão do resto da vida. E aí não há família e amigos que tolerem. Um workaholic acaba afastando as pessoas e perdendo certos sentidos da vida. Além disso, essa dedicação excessiva pode fazer com que todo o caminho profissional construído desça ralo abaixo. E quando perceber a situação pode já estar bem grave.

São bastante comuns os casos de depressão por excesso de trabalho. Gastrite, diarréias, problemas cardiovasculares, impotência sexual, insônia e fadiga são ainda mais corriqueiras. O indivíduo se isola tanto no seu mundo empresarial que se esquece do resto. Lazer, família e diversão são totalmente abolidos. Na maioria das vezes, essa obsessão vem de outras insatisfações e o trabalho serve como um escudo protetor, para tirar o foco das verdadeiras razões que estão incomodando. Mas tudo tem solução e o melhor é não deixar a situação chegar ao limite.

Penso que as empresas e, principalmente, os profissionais de RH devem ter cada vez mais preocupação com a qualidade de vida dos seus funcionários, pois a ideia de que para ser um bom profissional é preciso ser um workaholic já está finalmente ultrapassada. De nada adianta o profissional ser compulsivo pelo trabalho se ele não é feliz. As empresas precisam ter bem claro que para o profissional ter bom desempenho, não precisa trabalhar 24 horas por dia. Pelo contrário, ele precisa ter tempo para administrar os outros papéis da vida.

Em uma entrevista, a última coisa que a empresa quer ouvir é que a pessoa vive para o trabalho. O mercado precisa de pessoas que tenham equilíbrio e isso significa dar atenção a todos os setores da sua vida. A quantidade de trabalho não significa qualidade. Qualidade é trabalhar com prazer, dando o melhor de si, mas sem prejudicar a sua própria vida. É preciso ter qualidade de vida e um bom começo é ter equilíbrio. O equilíbrio é a palavra-chave para uma carreira bem-sucedida.

Se o RH percebe que em sua empresa há pessoas que estão sofrendo de estresse e com sintomatologia física ou emocional como choro fácil, agressividade ou indiferença deve perguntar se pode auxiliar e modificar alguma dessas situações. Oferecer palestras sobre o tema, programas de acompanhamento e orientação aos funcionários permitem a solução de muitos problemas, às vezes não realmente identificados. Quanto mais divulgação e apoio maior a prevenção, permitindo que a qualidade de vida se estabeleça na empresa e menos pessoas adoeçam.

Sua empresa está com problemas? O que tem feito para proporcionar a solução? Precisa de ajuda?

Silvia Osso é jornalista, palestrante e consultora de empresas. Autora do livro Atender bem dá lucro. Conheça ainda mais sobre Silvia em www.gestaodecarreira.com.br/falarh ou www.hoconsultoria.com.

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