Como a tecnologia está mudando o que é ser humano e como se beneficiar disso

Data 19/11/2019
tecnologia e ser humano

A presença da digitalização vem se tornando parte cada vez mais relevante no mercado profissional. No entanto, enquanto as organizações trabalham para decifrar como usar as novas ferramentas para adequar suas culturas ao futuro, a relação entre tecnologia e ser humano tem transformado os próprios profissionais.

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Segundo as previsões estratégias feitas pelo Gartner para 2020, os avanços tecnológicos estão mudando o conceito de humano na medida em que indivíduos passam a encarar essas soluções como aprimoramento de suas próprias habilidades.

De acordo com os dados levantados pela consultoria, 30% das organizações ampliarão suas políticas de Bring Your Own Device (BYOD) para incluir opções relativas a melhorias obtidas através, por exemplo, de dispositivos vestíveis (wearables) até 2023.

Mais do que isso, as previsões estimam que, até o mesmo ano, 40% dos profissionais irão gerenciar experiências e aplicações corporativas em um formato self-service semelhante às experiências atuais com o streaming de música.

Extraindo o melhor da relação entre tecnologia e ser humano

Para os responsáveis pelo estudo do Gartner, é preciso garantir que a cultura da organização esteja adequada ao cenário de transformação digital de forma a aumentar a destreza digital e fazer com que ela se aplique a indivíduos, times e a companhia como um todo.

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Luciano Meira, Professor e Sócio-Fundador da Caminhos Vida Integral

No mesmo sentido, Luciano Meira, Professor e Sócio-Fundador da Caminhos Vida Integral, explica que, para garantir os melhores resultados, a gestão de pessoas precisa ser cautelosa com os dois lados existentes nesse processo de evolução e nos reflexos da relação entre tecnologia e ser humano.

“Entendo que o profissional de RH deveria olhar esse progresso tecnológico como uma espécie de ambivalência. Há um lado muito bom na tecnologia e ele deve ser muito bem aproveitado em função do bem-estar e desenvolvimento humano e das organizações. Por outro lado, acho que há uma série de cuidados que a área precisa tomar”, pontua.

Sendo assim, o especialista avalia que o desempenho dos esforços da empresa depende em grande medida do foco na experiência dos colaboradores. “Digo que o desenvolvimento do nível de consciência, da maturidade humana é que vai fazer com que o crescimento da tecnologia seja algo mais positivo do que negativo. Vai depender muito desse nível de discernimento e o RH tem uma função incrivelmente importante nesse momento. Ele tem que se tornar o centro da razão de ser da empresa, que são as pessoas e não só o faturamento”, aconselha.

Cuidados importantes para o novo cenário

Em contraste, Luciano explica que essa crescente relação entre tecnologia e ser humano tende a gerar novos desafios para empresas e profissionais. “A informação está dominando a forma de viver. Isso modifica a nossa vida, que começa a girar em torno da questão do conhecimento. Fora isso, ainda temos os abusos, os desvios, as pessoas que estão à margem e não têm acesso a ele, os dominadores, que passam a controlar a informação”, esclarece.

Outro destaque do estudo do Gartner alerta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve reconhecer o hábito de comprar on-line como um distúrbio viciante até 2024. Com a estimativa apontando crescimento anual de 10% com os gastos nessas plataformas até 2022, a consultoria aconselha que as companhias estejam atentas a como essa compulsão pode afetar o desempenho de seu quadro de funcionários.

Ainda assim, Luciano aposta que, com a abordagem certa, a relação entre tecnologia e ser humano pode ser determinante para que a empresa alcance resultados melhores. “Acho que pela primeira vez, como Einstein já pensava, a tecnologia pode aliviar a carga de trabalho das pessoas e torná-lo mais interessante, criativo e voltado a aspectos culturais, comportamentais, humanos. Temos toda uma possibilidade de transformar o trabalho em algo mais leve e cativante”, avalia.

Contudo, mesmo diante das estimativas para o futuro, o especialista avalia que a forma como a tecnologia está mudando o que significa ser humano dependerá em grande medida da gestão de pessoas. “Não acho que exista um determinismo positivo ou negativo da tecnologia, mas há cenários possíveis que serão determinados pelas nossas escolhas. O que eu sugiro é que a escolha do RH seja sempre humanizada, pensando no bem-estar e no desenvolvimento das pessoas. Se isso for colocado dessa forma, as escolhas serão boas”, finaliza.

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