Trabalho voluntário influencia engajamento de funcionários

Data 11/12/2012

Terminou na quarta-feira (5/12), no Dia Internacional do Voluntário estabelecido pela ONU, a semana dedicada ao tema na multinacional GE. Mais de 800 colaboradores se engajaram nas ações, que cobrem quatro áreas principais: educação, saúde, meio ambiente e desenvolvimento comunitário. Há seis anos, a unidade brasileira da GE deu início aos programas de voluntariado da companhia, seguindo o modelo já praticado pela matriz há mais de um século.

A multinacional americana, no entanto, não é a única no Brasil a aderir ao voluntariado corporativo nos últimos anos. Uma pesquisa recente da organização não governamental Comunitas – fundada pela ex-primeira-dama Ruth Cardoso no ano 2000 com o objetivo de promover o desenvolvimento social do país – mostra que o número de empresas que possuem pelo menos um programa formal na área passou de 75% para 83%.

O número de funcionários que atuam de forma voluntária nesses programas também deu um salto no período, passando de 29.233 para 55.240. "Vemos uma tendência de fortalecimento do voluntariado nas empresas", afirma Anna Peliano, coordenadora da pesquisa. Segundo ela, esse tipo de ação sempre teve caráter de fundo humanitário, mas uma das razões para o crescimento desses programas nos últimos anos é a pressão da sociedade. "As pessoas cobram que as organizações façam atividades sociais e isso acaba tendo impactos positivos internamente, inclusive na marca, no ambiente de trabalho e nas relações com as comunidades onde estão inseridas", diz.

De acordo com o levantamento, cuja amostra representa 200 companhias, 29 fundações empresariais e 1 instituto independente, os investimentos sociais dessas companhias no Brasil passaram de R$ 1,2 bilhão em 2007 para R$ 2 bilhões no ano passado. Em 2011, o valor investido pelas empresas em ações sociais representou 0,27% da receita e 1,18% do lucro bruto.

Na GE, por exemplo, foram investidos US$ 6 milhões globalmente no último ano em ações voluntárias. Somente no Brasil, os funcionários doaram 65 mil horas para projetos comunitários no ano passado. No país, a companhia mantém oito conselhos de voluntariado, formados por colaboradores com outras funções, que dedicam parte do tempo para organizar as atividades. É o dobro do que havia dois anos atrás. "O número de voluntários vem aumentando ano a ano, o que é um feedback informal positivo", afirma Alexandre Alfredo, diretor de assuntos institucionais da GE para a América Latina.

Uma pesquisa da Deloitte feita nos Estados Unidos tentou medir a importância de programas de voluntariado no clima organizacional. Segundo o levantamento, que ouviu 1.500 profissionais que trabalham em companhias com mais de mil colaboradores, funcionários que participam dessas atividades estão mais satisfeitos com seus empregadores, avaliam mais positivamente a cultura corporativa, sentem mais orgulho e são mais leais às companhias para as quais trabalham. "As ações de responsabilidade social sempre tiveram importância, mas são ainda mais relevantes para a geração mais nova", afirma Renata Mello, responsável pelas ações de voluntariado da Deloitte Brasil e pelo programa Inteligência Social da consultoria.

Segundo o levantamento, permitir e incentivar que os funcionários participem de ações voluntárias ajuda também na atração e retenção de profissionais.

Mais de 70% dos participantes, por exemplo, disseram que o comprometimento da empresa com ações sociais pesaria na escolha entre dois trabalhos com a mesma localização, responsabilidades, salário e benefícios.

A Serasa Experian, que aparece regularmente entre as melhores na gestão de pessoas da revista "Valor Carreira", publicada anualmente pelo Valor, também tem diversos programas de voluntariado. "É um tema importante do ponto de vista da gestão do negócio", afirma Guilherme Cavalieri, diretor de desenvolvimento humano da empresa. "Ser ético e ter ações de responsabilidade social são questões inseridas no contexto de negócio da empresa", explica.

A companhia divide suas ações voluntárias em dois tipos: as pontuais, como a participação de funcionários na elaboração e distribuição de sacolinhas de Natal com roupas e brinquedos para crianças carentes, e uma permanente, que visa capacitar os colaboradores para que atuem como educadores financeiros em comunidades carentes. Criado em 2010, este último conta com 80 voluntários ativos atualmente. Neste ano, a Serasa Experian ampliou a atuação do programa para todo o país – antes, estava restrito aos funcionários de São Paulo. "Acreditamos que uma ação social que tenha vínculo com nossa área de negócio tenha mais chance de sucesso", diz Cavalieri.

Educação de forma geral, e não apenas a financeira, é o principal destino dos recursos investidos pelas empresas em ações sociais, segundo o estudo da Comunitas. Em seguida aparecem arte e cultura e esporte e lazer.
 


*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 5/12/2012