Um novo tempo para a educação

Data 20/05/2013

Graduados, empregados, com mais de 33 anos, com pouco tempo livre e em busca de mais qualificação para avançar na carreira. Esse é o perfil dos profissionais que optam pela educação a distância (EAD) hoje no Brasil. E quem pensa que eles são poucos está enganado. Em 2011, mais de 930 mil estudantes ingressaram em cursos de graduação não presencial, conforme o último Censo da Educação Superior (Censup) realizado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais AnísioTeixeira (Inep). “O número de matriculas em cursos de graduação a distância cresce em ritmo duas vezes maior do que o registrado pela modalidade presencial”, afirma Luciano Sathler, diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

O volume verificado em 2011 representa 14,6% do total de matrículas realizadas no Brasil e aponta um crescimento impressionante nos últimos anos. Em 2001, essa parcela de estudantes não chegava a 1%. A tendência é que essa expansão se mantenha nos próximos anos. “Na próxima década o segmento deve representar 50% do mercado”, diz Sathler. Trânsito, dificuldade de locomoção por questões familiares e jornadas de trabalho com horários irregulares são alguns dos fatores que têm impulsionado cada vez mais pessoas a buscarem opções não presenciais para complementar sua formação.

É o caso de Daniela Quissak. Ao ser promovida a assistente de coordenação da escola de inglês em que dava aulas, ela precisou voltar a estudar, uma vez que o cargo exigia formação em Pedagogia ou Letras. No entanto, sua rotina de trabalho a impossibilitava de frequentar as aulas no formato tradicional. “O curso a distância foi a forma que eu encontrei para resolver esse impasse”, explica Daniela que é aluna do 4º semestre do curso não presencial de Pedagogia da Universidade Paulista (Unip).

Na avaliação de Daniela, a possibilidade de adequar as aulas à sua agenda e ao seu ritmo representa uma grande vantagem dos cursos a distância em relação aos seus correspondentes presenciais. “Hoje eu não faria uma graduação presencial.”

Excelência

Para o coordenador do curso de Licenciatura em Ciências da Universidade de São Paulo (USP), Enos Picazzio, a educação a distância é uma tendência em todas as grandes instituições de ensino. “O mundo caminha nessa direção.” O curso, criado em 2011, é a primeira incursão da USP no universo da EAD. Eleita pela instituição londrina Times Higher Education como uma das 100 melhores instituições de ensino superior do mundo, a universidade garante a qualidade da iniciativa. “Nosso maior desafio é conduzir o curso a distância com o mesmo nível de excelência do presencial”, diz Picazzio.

A USP não está sozinha nessa empreitada. Dados do Censup mostram que as universidades estaduais e federais representam mais de 45% dos 930 cursos de EAD existentes hoje no País. Compõem esse grupo instituições como a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).

As principais universidades estão instaladas nos grandes centros, o que obriga os candidatos interessados a se mudarem para essas cidades. Mas nem sempre isso é possível. A EAD acaba com esse problema. “A possibilidade de estudar em uma instituição de renome, ainda que distante, é outro fator que motiva a escolha de cursos a distância”, explica o professor Licinio Motta, diretor de EAD da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). A instituição oferece, desde fevereiro deste ano, 22 cursos de extensão nas áreas de Marketing, Marketing Digital, Gestão de Pessoas e Finanças.

Desafios

Apesar do crescimento significativo apresentado pelo segmento nos últimos anos, o mercado de trabalho ainda vê com alguma reserva os profissionais que se capacitam em cursos não presenciais. Mas isso está mudando. “As empresas sabem que quanto maior é o nível hierárquico do profissional, menos tempo ele tem para se dedicar aos estudos. Nesse contexto a EAD já possui o mesmo reconhecimento dos cursos presenciais”, afirma o professor Stavros Xanthopoylos, diretor da FGV Online.

Foi o que aconteceu com Daniela, cujo gestor não viu problemas no fato de ela optar por um curso a distância. “Ele ficou bastante impressionado com o conteúdo das video aulas e do material didático utilizado.” Para Xanthopoylos, a tendência é que a modalidade escolhida pelo aluno perca importância em detrimento de outras coisas. “Na hora de fazer uma contratação, o recrutador presta cada vez mais atenção em aspectos como experiência profissional, conhecimento técnico e em qual instituição ele estudou do que se o curso foi feito presencialmente ou a distancia.”

 


*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 16/05/2013

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