Universidade corporativa se consolida

Data 06/02/2017

A compreensão de que o aprendizado permanente faz bem às pessoas e aos negócios tem ganhado força no ambiente empresarial brasileiro. Uma pesquisa divulgada em novembro pela consultoria Deloitte, com 178 entrevistados, mostra que o número de empresas com equipes dedicadas à educação corporativa aumentou 42% em 2016, em relação ao levantamento feito em 2014. No mesmo período, o número de organizações que têm universidades corporativas cresceu 14%.

Entre as principais tendências observadas estão os treinamentos mais curtos, a retomada dos cursos presenciais e o foco em competências técnicas específicas (“hard skills” em inglês). “Vejo uma grande evolução em termos tecnológicos e no amadurecimento das empresas”, diz o gerente da Deloitte Educação Empresarial, Amauri Bathe. “Como hoje o mercado tem centenas de desenvolvedores de EAD (ensino a distância), os custos se tornaram mais competitivos, principalmente para companhias com empregados espalhados pelo país”, afirma.

O estudo indica que, embora tenha aumentado a quantidade de empresas com universidade corporativa, houve queda no número de horas anuais de treinamento por participante. Nas organizações com estrutura própria, a média caiu de 46 para 25 horas. Possivelmente, isto é reflexo da crise econômica e da adoção de “pílulas de conteúdo”, uma demanda de muitos profissionais que têm tempo escasso.

A Universidade do Conhecimento do Seguro (UniverSeg) é um braço da Universidade Corporativa Bradesco (Unibrad) voltado para profissionais da área. “Temos convênios com instituições de primeira linha no Brasil e nos Estados Unidos, mas craque se faz em casa”, diz o diretor executivo da Bradesco Seguros, Eugênio Velasques. Ele enfatiza que a qualificação permanente reforça o senso de pertencimento e traz resultados: “Treinamento é uma corrida sem linha de chegada”.

Criada em 2005, a Universidade Corporativa da SulAmérica (UniverSAS) responde pelo treinamento dos 5,3 mil colaboradores da seguradora, dos quais 400 na Escola de Liderança. Ao todo são 62 mil horas de capacitação, com índice de satisfação de 95%. “Nosso grande diferencial é o balanço entre as necessidades atuais e futuras da organização e as das pessoas”, explica a diretora de capital humano e sustentabilidade da empresa, Patrícia Coimbra.

Em 2016, a prioridade foi a filosofia de gestão Lean, baseada no sistema Toyota de produção, que preconiza a criação de valor sob a ótica do cliente. Outro foco tem sido a saúde sucessória. No ano passado, 80% das vagas em cargos de liderança foram preenchidos por mobilidade interna.

Todos os anos, em média 20 mil dos 32 mil empregados da Ambev fazem cursos em sua universidade corporativa, criada há duas décadas pela Brahma para difundir as melhores práticas do negócio cervejeiro nas unidades fabris.

Três pilares balizam as atividades: formação de líderes – em 2016 foram 7 mil- treinamento técnico e programas de melhoria contínua. Parte dos cursos é realizada presencialmente no centro de treinamento de Jacareí (SP). O uso de tecnologias de comunicação tem crescido. “Há dois anos começamos a oferecer treinamento para vendedores via smartphone, com vídeos distribuídos em aplicativos da empresa, e temos obtido bons resultados”, conta a diretora de desenvolvimento de gente, Fabíola Higashi Overrath. “Usamos também teleconferência e a TV corporativa”. Para ela, o diferencial mais importante da Universidade Ambev é o envolvimento de toda a companhia, inclusive da alta liderança.

[cta id=’11216′]

A EducaBenner, universidade corporativa do Grupo Benner, tem como meta para cada um de seus 1,2 mil empregados em 18 Estados a realização de 100 horas aula anuais obrigatórias nas quatro áreas de interesse da empresa: software, serviços, BPO (sigla em inglês para terceirização de processos de negócios) e orientação médica. Em 2016, foram realizadas 62 mil horas de treinamento em 300 cursos, abrangendo 50% dos empregados. Para 2017, a meta é chegar a 96 mil horas e participação de 80%.

Há também cursos livres como matemática financeira e contabilidade prática. “Qualquer funcionário pode produzir um curso e ser tutor”, diz o presidente do grupo, Severino Benner. Ele considera a universidade corporativa uma ação estratégica para a retenção de talentos e melhoria de resultados. O grupo já investiu R$ 5 milhões no projeto e este ano pretende ampliá-lo para o público externo.

Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 31/01/2017

Comentários