Vida longa e carreiras curtas

Data 04/11/2013

*Por Renato Bernhoeft

Encontrar um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional foi sempre um grande desafio para todo profissional vinculado ao mundo corporativo. Especialmente obter sucesso equilibrado em ambas.  O que, historicamente, foi possível observar é que, na maioria das vezes, uma brilhante carreira no mundo do trabalho teve como preço uma vida pessoal empobrecida.

Trabalhando, desde 1978, com programas de preparação de executivos para o pós-carreira – afastamento compulsório ou voluntário de uma corporação – observo que um novo desafio vem surgindo com muita rapidez, e para o qual a maioria dos executivos não está preparada. Refiro-me a longevidade, produto dos avanços da medicina, bem como maior cuidado com a qualidade física e mental do ser humano.

Mas ao mesmo tempo em que estes avanços ocorrem, no mundo empresarial as rápidas transformações estão tornando as carreiras mais curtas e muitas profissões se alteram ou até desaparecem. Globalização, mercado competitivo e mudanças radicais no mundo do trabalho são algumas das causas de toda esta transformação. Agora, ainda mais aceleradas pela última crise mundial. E o que se pode observar, é que o ser humano não consegue alterar seu comportamento, hábitos e atitudes na mesma velocidade.

Embora esteja claro que todo este processo de preparo deverá começar na infância, envolvendo tanto a família como a escola, existe algo que os atuais componentes do mundo corporativo devem, e podem, fazer.

Refiro-me à decisão de abandonar a velha ideia de que as empresas é que cuidarão das carreiras dos seus colaboradores. Assumir que o autodesenvolvimento exige tornar-se autor da sua própria história e destino. Das empresas podemos esperar informações, provocação e instrumental, mas não soluções mágicas ou de autoajuda, que só geram dependência.

E vamos entender que ao falarmos de carreira não nos referimos, única e exclusivamente, ao empréstimo de um sobrenome organizacional que cria a ilusão do prestígio.

Carreira é um conceito muito mais abrangente que envolve os diferentes papéis que desempenhamos em nossa vida. Ela diz respeito aos nossos compromissos, e realização, como, cônjuge, familiar, cidadão, relacionamentos, e, a própria individualidade.

Cada vez mais se torna fundamental obter sucesso, e equilíbrio, em todos estes papéis.
 


*Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho da höft – bernhoeft & teixeira – transição de gerações. Atua como consultor e palestrante no Brasil e no exterior, é articulista do jornal Valor Econômico e autor de 16 livros sobre empresas familiares, sociedades empresariais e qualidade de vida. Cursou filosofia na Faculdade Anglicana de Teologia, em São Paulo. Trabalhou por sete anos em projetos de desenvolvimento comunitário da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco) no México e no Peru. Também coordenou a área de recursos humanos das empresas Kibon, DOW Química e Villares.
 

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