Vídeos motivacionais são úteis, mas apresentam riscos

Data 19/01/2011

 

A utilização de vídeos para motivar equipes, inspirar lideranças, estimular trabalho em grupo ou engajar pode ser uma grande aliada dos RHs das empresas. Pode, mas não é garantia de sucesso. Para que a empreitada tenha êxito, alguns cuidados são necessários. Caso contrário, os riscos de ser fazer um gol contra são enormes. Essa possibilidade ganha contornos mais alarmantes a partir do momento em que materiais com tais conteúdos estão a um clique de distância. “Uma busca rápida na internet é suficiente para encontrar vídeos motivacionais de todas as naturezas”, afirma Cristiano Miano, CEO da Digipronto, empresa que desenvolve e planeja soluções web como campanhas de publicidade online, websites, intranets e campanhas de mídias sociais.

O alerta deve estar ligado, sobretudo para que não haja um problema de credibilidade. Afinal, como ocorre em toda a rede, qualquer um pode fazer upload do que quiser. Se por um lado essa liberdade garante uma quantidade de material gigante, por outro, o anonimato dá margens para postagens de fonte e gosto duvidosos. “O segredo é buscar apresentações que sejam de autoria confiável e legítima”, explica Miano.

O executivo defende ainda que a produção própria de conteúdo é sempre a alternativa mais indicada, mas reconhece que num país como o Brasil, onde micro e pequenas empresas imperam, os altos custos de produção são um entrave para a viabilização dos projetos. “Trabalhar com vídeo exige tempo e dinheiro dos quais muitas companhias não dispõem”, diz Miano. “Apresentar um produto pronto, portanto, embora não seja a solução ideal pode funcionar”, complementa.

Alinhamento 100%

Fernando Vitolo, sócio-diretor Flame FX, produtora multimídia, concorda por um único motivo: Quando opta pelo formato vídeo, a empresa precisa estar absolutamente certa de que o conteúdo apresentado está coerente e alinhado com a informação que se desejar transmitir aos colaboradores. “A forma mais certeira para isso é produzindo seu material, com ideias, roteiro e estilo próprios”, ele afirma, ressaltando que vídeos devem ser usados para encontros em massa, com um contingente grande, e não deve vir sozinho. “Essa ferramenta tem de ser um complemento do que será exposto e nunca vir isolado ou utilizado para substituir inteiramente o discurso do palestrante.”

Mas, se a realidade não permite viver esse mundo ideal e os vídeos prontos sejam a única solução viável, nada de jeitinhos. Se o conteúdo não traduzir 100% o discurso, descarte-o. O preço a pagar pode ser bem alto. “Às vezes, as pessoas se iludem achando que um detalhe que destoe do todo não será percebido, mas essa é uma armadilha que pode arranhar a credibilidade de um discurso e, consequentemente, de uma marca”, afirma Vitolo.

Ele alerta ainda para a importância da ética. Sempre que possível, cite a fonte, mesmo sabendo que se perderá força ao utilizar o material de terceiros. E evite, a todo custo, apresentar materiais genéricos, que parecem ter tido geração espontânea e cuja credibilidade arrasta no chão.

A última dica – porém não menos importante – é de ordem prática. Use sempre vídeos curtos. É uma regra régia. Os de longa duração cansam, são quase como cafuné e fazem dormir.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 13/01/11.