Dispositivos wearables vão invadir o RH?

Data 18/02/2019

Depois do exponencial crescimento no uso dos smartphones, os recursos e serviços disponibilizados nos celulares estão migrando para os wearables (acessórios tecnológicos vestíveis), com aumento da adesão de relógios, óculos e roupas inteligentes. Para Marcello Porto, Diretor de Produtos da LG lugar de gente, o cenário reflete uma busca por melhores alternativas para pessoas interagirem entre si e com empresas. “Usar um smartwatch e conseguir acessar minhas informações sem precisar ‘ocupar a mão’ com o celular pode ser mais confortável e usual. A tecnologia passa a ser quase que ‘invisível’”, afirma o diretor.

À primeira vista, os wearables estão sendo cada vez mais procurados para monitoramento da saúde, com aplicativos que medem desde quantidade de passos e horas que o usuário fica em pé, até a frequência cardíaca e a qualidade do sono. Além disso, no final do dia, traz todos os dados em um gráfico. “A tendência é que outros aplicativos mobile passem a funcionar também em wearables, inclusive os desenvolvidos para gestão de pessoas”, comenta Marcello.

O assunto não é tão novo assim, no início de 2015, a Salesforce publicou o relatório “Putting Wearables to Work: Insights on Wearable Technology in Business”, que mostrou como as empresas planejavam incorporar wearables nos processos do dia-a-dia do negócio para melhorar a produtividade e a conectividade entre colaboradores e clientes. Na pesquisa, 79% dos respondentes concordaram que os acessórios vestíveis serão estratégicos para o sucesso futuro de sua organização. E 76% daqueles que já usam algum wearable relatam melhorias em seu desempenho.

wearable para RH

Para Marcello, esse é um movimento natural do mercado, de se adaptar às novas necessidades e estar disponível no máximo de plataformas possíveis. “Assim, é possível ajudar as empresas em diversos desafios de gestão de pessoas, que vão desde excesso de horas extras, até a falta de engajamento e problemas com a experiência do colaborador”, avalia.

Na pesquisa do Salesforce, o dispositivo que ganhou destaque foi o smartwatch. Nesse mesmo sentido, uma recente pesquisa do NPD Group mostrou que o mercado de relógios inteligentes cresceu 61% no último ano nos Estados Unidos.

De acordo com Marcello Porto, mesmo que os estudos apontem para uma maior adesão de determinado acessório, o que as empresas precisam se preocupar é com os serviços que vão ser disponibilizados. “Faz sentido para a organização adotar? Quais são os benefícios para meus funcionários? Como vou resolver os problemas que eles estão tendo? Essas devem ser as primeiras perguntas antes de adotar qualquer tecnologia”, afirma o diretor.

Resolvendo problemas de RH com wearable

São diversas as possibilidades de uso de dispositivos vestíveis para a gestão de pessoas. A começar pelos recursos que já são disponibilizados no mobile e que podem ser transferidos para um smartwatch, como marcação e acompanhamento de ponto, visualização de recibo de pagamento, notificações diversas, entre outros. “Qualquer novo canal de comunicação e interação com colaboradores, que não dependa de a pessoa estar em frente ao seu computador, sem dúvidas, pode facilitar ainda mais a rotina e desafogar a equipe de RH de atividades operacionais”, comenta Marcello.

Com um relógio inteligente, RH e gestores também podem acompanhar a saúde do profissional e cruzar esses dados com seu desempenho. É possível se adiantar para casos de eventual substituição ou troca de função, além de poder ajudar de fato o colaborador em um momento complicado de sua vida. “A parte da segurança do trabalho, medindo o nível de risco que cada pessoa está correndo em sua atividade, dando a ela a proteção necessária, também é uma forma dessa tecnologia ajudar na gestão de pessoas”, explica o diretor da LG lugar de gente.

Para confirmar essa tendência, uma pesquisa da SHP revelou que 45% da força de trabalho do Reino Unido se sentiria à vontade em compartilhar informações através de dispositivos portáteis, se o objetivo fosse proteger sua saúde e bem-estar. “Essa é uma prioridade para a maioria das pessoas e impacta significativamente o ambiente de trabalho”, afirma Marcello.

Para desenvolvimento pessoal e produtividade, os profissionais podem gerenciar melhor seu tempo, fazendo pausas pré-marcadas no wearable, além de receber e responder mensagens. De acordo com Marcello Porto, a empresa também pode treinar e desenvolver seus colaboradores através de óculos inteligentes, por exemplo. “Com essa tecnologia, é possível aliar realidade virtual e capacitação, tornando o momento de aprendizado mais efetivo”, avalia.

Outra sugestão é utilizar os smart glasses em reuniões e apresentações. Assim, o profissional consulta informações e até recebe orientações ao mesmo tempo em que conduz uma negociação, por exemplo.

Através dessas iniciativas, a organização tem a possibilidade de obter melhores resultados e o RH de deixar o profissional mais tranquilo e provido de conhecimento, construindo, assim, uma relação de trabalho com mais inteligência, transparência e integração.

Wearable é para agora?

O cenário é de muitas novidades, mas a pergunta que fica é “como e quando começar a implantar wearable no meu RH?” Marcello aconselha que as empresas acompanhem e se preparem para qualquer transformação nesse sentido, mas não vê urgência.

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Segundo o diretor, quando os dispositivos vestíveis estiverem mais popularizados no Brasil, as organizações que já estiverem com suas ferramentas prontas para serem acessadas vão sair na frente da concorrência pela conquista de melhores talentos e melhores resultados.

“Acompanhe de perto as necessidades de seus colaboradores. Veja quais caminhos eles percorrem e como o RH pode disponibilizar ferramentas para que eles performem mais, sejam mais saudáveis e conectados com o mundo”, finaliza Marcello Porto.

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