Aprendizagem digital como impulso para evolução do RH

Data 19/05/2020

A aprendizagem digital está longe de ser um tema inédito nas organizações. Ainda assim, a pressão desencadeada pela pandemia de covid-19 fez com que as companhias se adequassem a um uso mais extensivo da tecnologia como forma de manter suas atividades, e isso tem desencadeado um salto evolutivo nos modelos de capacitação no trabalho.

Para discutir esse processo de transformação, a Diretora de Educação e Inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), Roberta Campana, e a Professora e Gerente de Desenvolvimento da entidade, Susan Paiva, se juntaram ao Vice-Presidente da LG lugar de gente, Felipe Azevedo no webinar “Aprendizagem Digital: um novo impulso de transformação para o RH”.

Durante o evento, eles falaram sobre o impulso de evolução que o RH está experimentando em relação às estratégias de capacitação. Além disso, os especialistas apresentaram os principais desafios e oportunidades para a gestão de pessoas nesse momento. Confira os destaques abaixo:

Aprendizagem digital e sobrevivência

Como já mencionado, o cenário atual tem sido de aprendizado a cada decisão tomada diante do teor de novidade que a pandemia trouxe para o cotidiano de pessoas e organizações.

Para Susan Paiva, a vantagem disso para o desenvolvimento está em como a necessidade desse crescimento tem se tornado evidente.

“Antes a gente tinha que estudar ou aprender dentro de programas de capacitação, agora a situação nos colocou em um lugar que é um contexto capacitante. Estamos naturalmente sendo capacitados e o mais interessante de tudo, estamos vendo valor nisso”, avalia a especialista.

Nesse sentido, fazer uso de recursos disponíveis para permitir que profissionais sigam se capacitando apesar do distanciamento físico, tem se tornado uma das prioridades das empresas. No entanto, os especialistas recomendam moderação.

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Cuidado com a “infotoxicação”

Como explica Felipe Azevedo, muito dessa busca está relacionada ao volume de informações disponíveis. Sem a curadoria adequada, os especialistas alertam que surge o risco do que vem sendo chamado de “infotoxicação”.

Ele ressalta que o movimento das empresas no cenário de crise causado pela covid-19 mostrou que fazer o uso adequado da aprendizagem digital é completamente possível.

“Em um cenário sem crise, com planejamento tradicional, se qualquer empresa fosse fazer um planejamento para colocar sua força de trabalho em home office, imagino que levaria seis meses com uma série de ressalvas. Hoje, nós tivemos que fazer isso em semanas ou dias e ir organizando as coisas”, afirma.

Ainda assim, embora acredite que a reação motivada por uma necessidade de sobreviver à pandemia tenha mostrado como aderir a novas ferramentas é possível, Felipe alerta para a necessidade de mudança do mindset.

“Não adianta a empresa ter a tecnologia disponível e mandar sua força de trabalho para casa, mas ainda continuar com uma cultura de gestão de controle. Não é dessa forma que iremos evoluir”, avalia.

Aprendendo com o dia a dia

No mesmo sentido, a professora Susan Paiva lembra que a pandemia fez com que comportamentos que envolvem empatia e colaboração, tão perseguidas pelas organizações, se tornassem essenciais na vida de todos.

Diante disso, a especialista acredita que resta à gestão de pessoas a articulação para tirar o melhor proveito do momento.

“Essa capacidade de olhar para o outro, de ter empatia, de colaborar no sentido amplo e entre equipes dentro de empresas era uma coisa que ficava sendo perseguida enquanto competência nos mapas de Recursos Humanos. Agora é uma questão de sobrevivência”, pontua.

A importância da experimentação

Já para Roberta Campana, mais do que provar a importância das soft skills, o contexto atual reforça também a necessidade de fazer bom uso da experimentação. Ela explica que muitas pessoas têm percebido o valor de um novo mindset justamente por verem a aplicação prática.

“Na minha visão, fica evidente que criar também contextos de experimentação pensando no processo de desenvolvimento e na continuidade, espaços onde as pessoas possam vivenciar aquilo que elas precisam desenvolver é um caminho para o crescimento”, reforça.

Alinhamento de expectativas

Uma vez que a necessidade de recorrer à aprendizagem digital para desenvolver habilidades essenciais vem da experiência prática, a escolha dos indicadores para medir resultados precisa se alinhar à expectativa.

“A primeira coisa é não imputar a um programa toda a responsabilidade em relação ao desenvolvimento das competências, habilidades e da performance do indivíduo. Isso é resultante de uma série de coisas”, aponta Roberta.

De acordo com a especialista, é fundamental que o momento atual mostre a gestores e organizações a relevância do contexto capacitante. Para ela, ainda que o colaborador seja estimulado ao protagonismo por uma trilha essa evolução é ineficaz se suas ideias não forem ouvidas por seu líder no ambiente de trabalho.

Indo além, Roberta ressalta que o gestor precisa compreender que a responsabilidade pela capacitação do colaborador é compartilhada por todos os envolvidos, inclusive ele mesmo.

“É importante que o líder esteja alinhado não para controlar, mas para ajudar a desenvolver, para inserir esse indivíduo em projetos que vão impulsionar e alavancar o processo de desenvolvimento dele”, afirma.

Os estímulos certos

No entanto, a aprendizagem digital continua sendo uma tarefa que precisa ser desenhada com cuidado para que o resultado seja de fato alcançado. “É importante que a gente entenda que pode ser muito chato e bastante ineficaz, inclusive quando ficamos em uma coisa muito pobre do ponto de vista da experiência”, frisa Susan.

Em outras palavras, ela afirma que é necessário usar estímulos diferentes para poder acessar as várias perspectivas de aprendizagem. Nesse sentido, Felipe Azevedo ressalta que existem vários recursos disponíveis que devem ser integrados ao processo, como vídeos, podcasts, games, realidade virtual e mais.

Para Susan, esse amplo leque precisa ser explorado diante da percepção de que cada indivíduo aprende de formas diferentes.

“Quando estamos pensando em uma jornada de experiência buscamos integrar tudo isso porque essas coisas também não são estáveis dentro do próprio indivíduo, são fluidas. Um dia sua atenção está mais visual, outro dia está de outra forma. Então, é preciso criar experiências com multimeios e múltiplos estímulos de alguma maneira”, destaca a professora.

Assegurando o terreno conquistado

Embora o impulso forçado a organizações no que diz respeito ao uso de tecnologias para a aprendizagem digital e a gestão do capital humano em geral tenha elevado a realidade a um novo patamar, as especialistas reforçam o papel do RH na manutenção disso.

Para Roberta Campana, a atenção das empresas na busca do melhor para seus funcionários é notória, mas trata-se de algo que já era importante antes mesmo da pandemia.

Assim, a especialista acredita que cabe ao RH mediar a retorno da companhia ao que vem sendo chamado de “novo normal”. “Nessa retomada, acho que o cuidado que não só o RH, mas que todos nós individualmente devemos ter é para não andar dez passos para trás, os passos que conquistamos. Que continuemos daí para frente”, recomenda.

Já Susan Paiva entende que a gestão de pessoas tem encontrado cada vez mais argumentos para se empoderar e trazer o que é considerado novo para a organização em diversas frentes.

Mas, para que a justificativa dessas novidades seja compatível ao resultado do investimento em aprendizagem digital ou em qualquer processo defendido pelo setor, a especialista lembra a importância de ter bem definido o valor do ativo em mãos.

“Nós não podemos esquecer que, em Recursos Humanos, você precisa dar um salto e entender o que são indicadores, que não necessariamente são financeiros. O nosso objeto de atenção, atuação, desenvolvimento e investimento é o ser humano”, completa.

Quer saber mais sobre o tema? Clique aqui para acessar o conteúdo gravado do webinar “Aprendizagem Digital: um novo impulso de transformação para o RH” e entender como o momento atual está transformando os esforços de capacitação das empresas.