Autoperformance ou alta performance: qual é mais importante para suas equipes?

Data 23/04/2019
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As companhias estão em busca de colaboradores engajados e produtivos com a promessa de que isso vai alavancar seus resultados. Porém, nem sempre a performance é suficiente para chegar no objetivo de transformar as atividades diárias em resultados verdadeiramente efetivos e mensuráveis para o negócio.

Tathiane Deândhela, CEO do Instituto Deândhela, empresa especialista em treinamento de alta performance, explica que é necessário reduzir a quantidade de tarefas e buscar eficácia em vez de eficiência. “Não adianta gastar muitos recursos conduzindo com excelência atividades que não levam a organização a lugar algum, que não deveriam ser feitas. Isso é ser eficiente. Contudo, a eficiência não traz resultados para as organizações. O mercado está em busca de eficácia, que é sobre fazer as ações certas com maestria”, afirma.

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Reforçando a ideia, Timothy Ferriss, em seu livro “Trabalhe 4 horas por semana”, afirma que as pessoas estão gerenciando mal o seu tempo, pensando erroneamente que o importante é estarem ocupadas o tempo todo, preenchendo todas as horas do dia com algum trabalho. Na publicação, ele comenta sobre a lei de Pareto, que se diz que 80% dos resultados são produzidos por 20% dos esforços.

Nesse cenário, filtrar o que realmente deve ser feito, entendendo quais atividades são relevantes para o negócio, faz com que custos operacionais sejam reduzidos e oportunidades sejam mais bem aproveitadas, além de melhorar a qualidade de vida dos próprios colaboradores, que poderão se dedicar verdadeiramente ao que trará resultados.

Autoperformance x alta performance

Para chegar na definição das tarefas, entra com papel de destaque a autoperformance. Tathiane comenta que assim como autoconhecimento e autoestima, a autoperformance é associada a ter clareza sobre como executar melhor e em absorver para si a responsabilidade de uma entrega bem-feita. “Uma pessoa com autoperformance quer entender se suas entregas estão aderentes ao propósito, levando em consideração suas limitações, o cenário em que está inserida e suas características internas. É sobre se tornar a melhor versão de si mesmo”, explica.

Segundo a especialista, por outro lado, a alta performance tem uma visão externa da demanda, com foco no prazo e na qualidade do produto final, por exemplo. É possível identificá-la, inclusive, fazendo uma comparação com profissionais que desempenham a mesma atividade. “Os dois conceitos possuem pontos de convergência e são importantes para alavancar os resultados de uma empresa”, comenta.

De acordo com Tathiane, é fácil diferenciar um profissional que performa acima da média pela agilidade e pela qualidade. Ela ressalta que não é somente sobre fazer rápido, mas sim sobre entregar o mais rápido, juntamente com a máxima qualidade possível. “Isso é o resultado de desenvolvimento e da mescla da alta com a autoperformance, além de uma boa liderança. Um profissional que não treinou o suficiente e que não performa com excelência vai demorar muito mais tempo e ainda não vai resolver por completo um problema simples”, afirma.

Liderança com performance e para performance

Gestores precisam compreender sua responsabilidade na formação de equipes com performance e, para isso, é necessário se desenvolver em liderança. “Não adianta saber fazer as atividades operacionais do departamento com eficácia. Produtividade em liderança significa ter competência para potencializar outras pessoas, transformando colaboradores em bons profissionais”, comenta Tathiane.

Além disso, a especialista destaca a importância dos feedbacks nessa busca. “Eu conheço líderes que não têm paciência ou não consideram tão importante. Inclusive, alguns têm até medo de dar feedback. Se for conduzida da maneira correta, uma conversa tem o poder de fazer o profissional crescer. Todos temos pontos fracos, então, quando o colaborador falha, mas não percebe que está errando, é fundamental ter um líder que o oriente sobre quais são seus pontos de melhoria no processo de desenvolvimento”, explica.

O reconhecimento também tem importância na construção de equipes com alta performance. Isso porque trabalhar com pessoas envolve lidar com aspectos emocionais. “Elogiar e expor no que são bons incentiva o desenvolvimento dos profissionais. A remuneração é relevante, mas, por vezes, a falta de produtividade pode estar relacionada a uma baixa autoestima. O líder pode acender a confiança do liderado através de um reconhecimento”, comenta.

Algumas crenças e características de personalidade impactam na performance e, por mais que a pessoa tente mudar, sozinha ela não consegue. Segundo Tathiane, valores impulsionam ações tanto positivas quanto negativas. “Como acontece em um nível inconsciente, eu recomendo, seguindo inclusive a linha de muitas empresas internacionais, a contratação de coach, que são profissionais capacitados e especializados para o processo de quebra das crenças negativas”, aconselha ela.

Tathiane comenta que equipes desmotivadas e improdutivas podem ser um reflexo da liderança que estão tendo. Segundo ela, os departamentos são espelhos de seus gestores e dão o tom para a equipe. “Um líder que se vê nessa situação precisa dar abertura aos liderados para conversarem sobre como podem reverter esse cenário, avaliando, na visão geral, o que pode melhorar”, comenta.

O segundo passo, para a especialista, é fazer um diagnóstico e identificar os principais gargalos, que podem ser vários. Também é possível que seja uma única pessoa contaminando negativamente o restante. “É importante identificar isso, mesmo que seja uma pessoa competente, às vezes, é necessário desligar o profissional para o bem coletivo, do ambiente. Depois, um plano de ação mais direcionado e um treinamento para habilidades técnicas vai ajudar a equipe a performar melhor”, finaliza Tathiane Deândhela.

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