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Como sua empresa deve lidar com o déficit de talentos que ameaça o mercado

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Sidnei Oliveira, Presidente da Escola de Mentores, acredita que as organizações precisam se preparar para um momento onde sobra informação, mas faltam vivência e atitude

Os avanços tecnológicos dos últimos anos ofereceram suporte para a superação de alguns obstáculos comuns às organizações, contudo, há também uma sombra ameaçadora que paira sobre o mercado profissional brasileiro atualmente, de acordo com especialistas. Trata-se de um déficit de talentos e sua confirmação deve tornar o desafio de preencher vagas que exigem maior especialização ainda maior. Sua empresa está preparada para encarar essa realidade?

déficit de talentos

De acordo com dados apurados pela consultoria Korn Ferry, em 2020, o Brasil já terá uma carência de 1,8 milhão de pessoas para vagas mais especializadas. Com a taxa de desocupação atual no país em 11,8%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parece ser contraditório que faltem tantos profissionais.

Contudo, como esclarece Sidnei Oliveira, Professor e Presidente da Escola de Mentores, há uma explicação para esse conflito. “Esse é um dilema que ficou mais intenso atualmente, principalmente porque os profissionais que estão chegando ao mercado de trabalho até detém certa ‘supernutrição’ de informação, mas não têm vivência”, pontua.

O paradoxo do déficit de talentos

Segundo o estudo realizado pela Korn Ferry, esse déficit de talentos inclui tanto vagas que permanecem ociosas como aquelas que acabam preenchidas por profissionais com qualificação aquém da considerada ideal.

Sidnei Oliveira, Professor e Presidente da Escola de Mentores

Como explica Sidnei, isso se deve ao modelo de formação de mão de obra atual que é incompatível com aquilo que o mercado precisa. “Nós vivemos um paradoxo. Estamos em um período onde as pessoas têm acesso à informação e às qualificações, mas elas são de natureza teórica e o que as empresas estão procurando são indivíduos que também detenham o conhecimento prático”, esclarece.

Para todos os efeitos, o especialista ressalta que o obstáculo enfrentando pelas organizações não é apenas uma busca infrutífera por experiência. “Para ser bem franco, não é só uma questão apenas da vivência que nós chamaríamos de ‘experiência’, mas a atitude. A maioria dos profissionais tem uma relação um pouco mais negativa com relação ao trabalho, às empresas. Evidentemente, não têm uma postura positiva para o que as companhias estão buscando”, aponta.

Diante disso, Sidnei completa que o “apagão de mão de obra” que ameaça o mercado brasileiro vai além da escassez de pessoas com cursos técnicos ou superiores no mercado. “As empresas estão sentindo uma falta de gente com atitude engajada dentro do trabalho”, frisa.

Como lidar com o apagão de mão de obra

Dedicado à resolução de conflitos geracionais e ao desenvolvimento de jovens potenciais, entre outros temas, Sidnei Oliveira acredita que essa carência de talentos atual é uma reação natural a um movimento da sociedade no Brasil e no mundo. “As pessoas estão muito mais superficiais e é evidente que isso afeta o mercado de trabalho de forma bem profunda”, argumenta.

Para ele, uma das saídas que as organizações têm encontrado para lidar com esse déficit de talentos está na substituição de determinadas funções por soluções tecnológicas.

“Algo que vem crescendo de forma acelerada são os processos de automação com uso de Inteligência Artificial. O que der para ser transformado em trabalho automatizado ou ser resolvido pela tecnologia será feito dessa forma. Há 15 anos, uma das primeiras áreas de trabalho de um profissional era o Call Center, por exemplo. Hoje notamos que a maior parte dessa função é desenvolvida por bots. Vemos uma mudança no mercado de trabalho motivada justamente por conta desse hiato comportamental”, frisa.

Ainda assim, o especialista explica que cargos de direção não são compatíveis com essa opção, sendo, portanto, a área mais afetada pelo ‘apagão de mão de obra’. Por isso mesmo, Sidnei salienta o papel das organizações na formação dos profissionais dos quais necessita. “As empresas já perceberam que elas precisam ter um papel também na formação dos profissionais porque eles chegam muito despreparados para gerar valor. E eu não estou me referindo a trabalho da forma que já interpretamos um dia. Acredito que todo indivíduo tem uma percepção de que ele precisa gerar valor e vai fazer isso de várias maneiras hoje”, explica.

Aprendizado contínuo no coração das organizações

Em vista da necessidade de investir na capacitação dos profissionais, o especialista vê a tecnologia como uma grande aliada das organizações. “O que estamos falando é de uma transformação na contribuição que a pessoa oferece enquanto profissional. Essa mudança é muito positiva quando utilizamos a própria tecnologia para promover isso. Vemos crescente o mercado de EAD com qualificação de pessoas mais remota, utilizando as plataformas, redes sociais, e essa linguagem de comunicação que nós temos hoje”, ressalta.

Para Sidnei Oliveira, a gestão de pessoas precisa estar cada vez mais atenta tanto aos jovens profissionais quanto ao ganho de longevidade da força de trabalho para garantir a geração de valor adequada aos resultados que a organização procura. “As empresas também sabem disso, por isso elas entram hoje em um papel muito mais de gerador de conhecimento, de aprendizado para seus profissionais, ao invés de apenas esperar o que vem do ensino acadêmico tradicional”, finaliza.

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