As mudanças no mercado de trabalho e os impactos na eficácia do RH

Data 26/05/2020

Uma série de mudanças no mercado de trabalho que já eram previstas foram aceleradas devido à necessidade de adaptação aos impactos da pandemia de covid-19. E, além de conseguir lidar com as dificuldades impostas no presente, se preparar para o cenário pós-pandemia também é um desafio que deve ser enfrentado a partir de agora.

Uma das mudanças de maior relevância se deu diante da necessidade do distanciamento social, e, por isso, as empresas se viram obrigadas a tornar seus processos ainda mais digitais. Segundo uma projeção feita neste ano pelo Institute for Technology, Entrepreneurship and Culture (TEC), por exemplo, a presença do home office deve crescer em 30% após a pandemia. A estimativa foi feita com base nas respostas de executivos de 100 empresas.

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Como acompanhar as mudanças?

E, se a crise desencadeada pelo vírus acelerou e ampliou a adoção de tecnologias dentro das organizações, é inevitável que a capacitação de profissionais também seja impactada.

Daniela Mendonça, Presidente da LG lugar de gente

Para a Presidente da LG lugar de gente, Daniela Mendonça, o desenvolvimento de competências também se tornou fator essencial para os candidatos se aplicarem a vagas que surgirão a partir das mudanças no mercado. “Já podemos perceber que estar apto a participar de um mercado de trabalho extremamente competitivo na indústria 4.0 será um grande diferencial”, argumenta.

Habilidade de adaptação como pré-requisito

Ainda que a pandemia tenha grande influência, transformações constantes já faziam parte do mercado global. E, para lidar com isso, Daniela reforça que a área de gestão de pessoas precisa se manter atenta a habilidades ligadas à forma como essas incertezas refletem no desempenho do profissional.

“Duas habilidades se tornam ainda mais valorizadas. A adaptação a esse universo em que as profissões precisam se reinventar à medida em que surgem tecnologias e inovações. E flexibilidade para conviver com visões diferentes, estar disposto a aprender o tempo todo e a mudar práticas e processos sempre que necessário”, avalia.

Além disso, a especialista aponta também a necessidade de se valer de ferramentas que permitam fazer previsões precisas para planejar ações futuras mesmo com as mudanças no mercado de trabalho.

“Se antecipar ao problema, com capacidade de analisar dados relativos ao seu trabalho, ter habilidade em tecnologia e sempre praticar o pensamento crítico para chegar aos “porquês” por trás das informações recebidas são essenciais. A criatividade e o pensar ‘fora da caixa’ também ajudam a buscar soluções adequadas”, garante.

Ascensão das soft skills

Também bastante presentes no debate até aqui, as chamadas soft skills ganharam ainda mais destaque em meio às pressões extremas que a pandemia colocou sobre organizações e profissionais.

Dentre elas, Daniela Mendonça elege a inteligência emocional como outra habilidade valiosa tanto no contexto atual como na evolução da situação para um “novo normal”.

“Ela ajuda a dosar a vida com equilíbrio e garante melhores chances de ter um bom desempenho em desafios pessoais e profissionais, além de promover a resiliência, outra qualidade bastante demandada”, explica.

Além disso, o espaço nas empresas para equipes multidisciplinares, mais criativas e produtivas tem crescido em meio a essas mudanças no mercado de trabalho. Nesse contexto, a composição desses times passa obrigatoriamente pela habilidade de ouvir diversos pontos de vista e desenvolver uma atitude inclusiva.

“A capacidade de liderança e a abertura ao diálogo são essenciais para quem almeja galgar a trilha de sua carreira, pois estão diretamente associadas à competência de analisar informações criteriosamente para tomada de decisão”, aponta Daniela.

Todos os caminhos levam ao desenvolvimento

A percepção das habilidades desejadas em um profissional alinhado às mudanças no mercado de trabalho é acompanhada da noção de que as chances de encontrar pessoas que reúnam todas elas são raras.

Sendo assim, cabe à gestão de pessoas o esforço para garantir essas competências tão cruciais para a empresa. Contudo, Daniela acredita que encontrar, reter e treinar talentos são apenas uma parte de um vasto arsenal de ações possíveis. 

“Destacando, por exemplo, o desenvolvimento das pessoas, podemos afirmar que a educação corporativa, um dos fatores críticos de gestão de talentos, seja por universidade própria ou serviços contratados, é a solução para diminuir a lacuna de conhecimento dos colaboradores”, ressalta.

A especialista lembra que, mesmo antes da pandemia de covid-19, o investimento na melhoria da qualificação de profissionais já se mostrava como uma necessidade brasileira.

O panorama do desenvolvimento no Brasil

Segundo estudo inédito sobre educação corporativa no Brasil, realizado pela Deloitte, em 2019, a partir das respostas de 126 empresas, apenas 28% já haviam investido em estruturas para oferecer esse diferencial aos seus colaboradores. 

O baixo índice, porém, não pode ser justificado em termos de resultado. “Estudo divulgado em 2019 pela Association for Talent Development (ATD) destaca que o aumento da receita pode alcançar até 24% para empresas que investem na qualificação de suas equipes”, ilustra a especialista.

Para ela, é evidente que companhias que oferecem perspectivas de aprendizagem e crescimento profissional em meio às mudanças no mercado de trabalho saem à frente.

Essa vantagem é válida mesmo diante de concorrentes que primam pela estabilidade e segurança, mas não contam com suporte a um plano de desenvolvimento e de carreira.

Por fim, Daniela Mendonça reforça que em vista da dimensão das transformações no mercado de trabalho, o RH e a organização como um todo tem que ter o foco certo na gestão do capital humano.

“Dentro dessa linha, uma gestão focada nas pessoas, estratégica e voltada ao negócio, é indispensável na missão de recrutar, treinar e reter talentos de forma certa para manter a empresa competitiva, ainda mais em períodos de intensas mudanças no cenário mundial”, finaliza.

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