Sistema B: por que tornar o bem-estar uma métrica de sucesso do negócio?

Data 06/08/2019
Sistema B

O perfil dos públicos de interesse das organizações está mudando e, mais do que nunca, as pessoas são movidas por propósitos. É o que aponta o estudo EY Millennial Survey 2018. Segundo o levantamento, metade da força de trabalho do planeta é da geração milênio e até 2025 o percentual chegará a 75%. Para Marcel Fukayama, Cofundador e Diretor Executivo do Sistema B Brasil, nesse cenário, é fundamental incorporar o propósito de impacto positivo no ambiente de trabalho e nos modelos de negócio para atrair e reter os melhores talentos.

Esse é um dos pontos abordados por Marcel na palestra “Economia e bem-estar: Uma nova métrica de sucesso das organizações”, apresentada no 45º Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH).

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Marcel Fukayama, Cofundador e Diretor Executivo do Sistema B Brasil

De acordo com o palestrante, a conscientização acerca do assunto tem crescido. Atualmente, o grupo conta com 2.800 organizações certificadas em 70 países e 150 setores distintos. Contudo, Marcel afirma que o desafio do Sistema B é alcançar os 125 milhões de empresas presentes no mundo, de acordo com dados do Banco Mundial.

Sistema B e a redefinição de sucesso

Certificando empresas desde 2006, através do B Lab nos Estados Unidos, e expandindo posteriormente para outros países, o Sistema B é uma instituição sem fins lucrativos que tem como propósito alinhar valores e ética das organizações na busca por conquistas individuais para que o processo também traga benefícios coletivos.

“O nosso objetivo é redefinir sucesso na economia para que consideremos não apenas o êxito financeiro, mas também o bem-estar da sociedade, das pessoas e do planeta. Para isso, acreditamos que é possível usar soluções de mercado que resolvam problemas sociais e ambientais e, assim, construir uma nova economia, mais inclusiva e mais sustentável”, explica Marcel.

Considerado um dos 10 CEOs mais inspiradores do Brasil pela GQ Magazine e inserido na lista de jovens destaques Forbes Abaixo dos 30, Marcel entende que essa transformação tende a ser cada vez mais necessária com a chegada de novas gerações de profissionais ao mercado.

Brasil em posição de protagonismo

A percepção da importância de redefinir as métricas de sucesso nos negócios tem no mercado brasileiro um dos principais centros de transformação. É o que mostram os números levantados pelo Sistema B. “No Brasil, somos 150 empresas B certificadas. O país tem mostrado evidências de protagonismo. Tivemos a primeira companhia de capital aberto a se certificar, a Natura Cosméticos, e temos o maior número de organizações (mais de 4.450) que usam a Avaliação de Impacto B e iniciaram o processo de certificação”, afirma Marcel.

Para ele, houve um grande avanço brasileiro em responsabilidade ambiental e social e, com a adoção de um ambiente institucional e normativo favorável para essa nova economia, há espaço para avançar ainda mais.

Caminho para a mudança

De acordo com o Marcel, que fala aos participantes do CONARH no dia 14 de agosto, está em curso um processo de mudança de cultura empresarial, que é global e histórica. “O momento gera uma imensa oportunidade de usarmos soluções de mercado para resolver problemas sociais e ambientais e, com isso, construirmos uma nova economia mais inclusiva e sustentável”.

Contudo, Marcel recomenda cuidado e comprometimento das organizações ao tentarem estimular mais propósito e responsabilidade em seus funcionários. “Nada fragiliza mais a liderança do século XXI do que a incoerência. Por isso, a importância de convergir discurso e práticas, com consistência, coerência e integridade. A mudança para uma sociedade mais justa começa dentro de seu próprio ambiente, promovendo uma relação mais correta e digna com colaboradores e o desenvolvimento sustentável de seu entorno, com uma cadeia de valor inclusiva e capaz de se perpetuar”, completa.

Como exemplo, Marcel cita a Mãe Terra, organização do setor alimentício certificada pelo Sistema B diante dos reflexos positivos do trabalho de valorização da agricultura familiar e pelo potencial de disseminação do conceito em outros mercados através de novas parcerias.

“A Mãe Terra abraçou a oportunidade de democratizar alimentação de qualidade e saudável. Seu compromisso de rejeitar químicos e conservadores e usar matéria-prima 100% integral é inspirador. A empresa é o maior comprador de produtos orgânicos do país. Sabendo que grande parte da agricultura do Brasil é familiar, o impacto é imenso ao desenvolver uma cadeia de valor inclusiva”, destaca Marcel.

Para auxiliar os profissionais de RH presentes no evento a alcançar objetivos semelhantes, Marcel pretende mostrar, através de exemplos de membros do Sistema B, os caminhos possíveis para criar ou fortalecer uma cultura organizacional alinhada com as características necessárias a uma nova economia. “Propósito de gerar impacto positivo, responsabilidade na consideração de stakeholders na decisão no curto e longo prazo e compromisso com a transparência para medir e reportar impactos”.

Ele reforça o convite para a palestra. “Venha conhecer mais sobre um movimento global que está redefinido sucesso na economia e ver um caso prático de uma empresa brasileira que inspira o mundo com sua cultura baseada em sólidos valores que privilegiam pequenos produtores e desenvolvem uma agricultura sustentável”, finaliza.

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