Burnout no trabalho: como evitar uma das principais preocupações do mercado

Data 21/05/2019
burnout no trabalho

O burnout no trabalho passa a figurar em 2019 entre as cinco principais preocupações de executivos. Foi o que concluiu a pesquisa Global Talent Trends 2019, realizada pela Consultoria Mercer, depois de ouvir mais de 7 mil executivos, responsáveis de RH e colaboradores em 16 países. A inquietação em torno do assunto é justificada diante do elevado índice de estresse registrado no Brasil e no mundo. A pergunta que fica é: o que pode ser feito para proteger o quadro da empresa?

De acordo com dados levantados pelo International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR), com um grupo de mil pessoas divididas entre São Paulo e Porto Alegre, 72% da população economicamente ativa no País possui altos níveis de estresse. Desses, 32% desenvolveram burnout, síndrome relacionada ao esgotamento do trabalhador.

O esgotamento profissional também foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). A lista, elaborada pela OMS neste ano, é baseada nas conclusões de especialistas de todo o mundo e utilizada para estabelecer tendências e estatísticas de saúde. Essa é a primeira vez que o esgotamento profissional entra na classificação.

burnout no trabalho

Contudo, uma pesquisa realizada pela Gallup a partir de uma base de dados com mais de 60 milhões de trabalhadores aponta que é possível prevenir o desenvolvimento da doença.

Colaboradores precisam ter voz

Dentre os sintomas do distúrbio estão, por exemplo, comportamentos como o foco em problemas no lugar de soluções e o isolamento emocional e profissional do funcionário, que deixa de dialogar com seus colegas e superiores. Em um mercado que exige a capacidade cada vez maior de adaptação às mudanças, isso gera queda de desempenho e aumenta o risco de acidentes pela falta de atenção.

Especialista no assunto, Vinicius Ramalho, Médico Psiquiatra da Mancini Psiquiatria e Psicologia, ressalta a escalada de impactos negativos que vão do trabalhador até o resultado da organização. “A diminuição do comprometimento com o trabalho, o absenteísmo, o possível desligamento precoce e, eventualmente, o alto turnover de funcionários podem levar ao atraso ou interrupções no andamento de atividades, serviços e projetos. Todos esses fatores, isoladamente ou combinados, podem impactar negativamente a produtividade institucional”, alerta.

Sendo assim, é importante que RH e demais gestores deem voz aos empregados, fazendo com que eles desenvolvam a rotina de apresentar os obstáculos encontrados no cumprimento de suas funções a seus superiores. Ainda de acordo com os dados da Gallup, funcionários que se sentem ouvidos pela organização têm 62% menos chances de desenvolverem burnout.

Trabalho em equipe

Se o isolamento deve ser evitado, estimular o trabalho em equipe é uma necessidade constante. Além de deixar claro que o colaborador é uma peça tão importante quanto as demais na empresa, é inegável que trabalhadores em funções similares tenham uma compreensão mais completa das dificuldades enfrentadas por seu colega. “A criação de grupos de apoio de pares pode ser uma estratégia de aproximação, suporte e cuidado com as relações entre os funcionários”, pontua o psiquiatra.

burnout no trabalho

O estudo de casos médicos conclui que os primeiros efeitos do estresse se manifestam na saúde física, enquanto o prejuízo na saúde mental oriundos da sobrecarga de trabalho, conflitos de valor e falta de reconhecimento pode passar despercebido.

Por isso, incentivar que o colaborador divida a carga com seus colegas é uma forma de evitar que ele seja mais um entre os 92% dos profissionais com burnout que se sentem incapacitados, mas, sem compreender os riscos, continuam trabalhando por receio de serem demitidos.

Cada opinião conta

Mais do que ouvir o funcionário, é vital torná-lo parte da evolução da organização. A Global Talent Trends 2019, da Mercer, constatou que, apesar de o RH estar em contato direto com cada um dos membros da empresa, apenas dois em cada cinco líderes do setor são incluídos no desenvolvimento de novos projetos de mudança nas instituições onde trabalham.

Os números da pesquisa mostram também que mais da metade das empresas com alto crescimento no mercado mundial têm os líderes de RH diretamente envolvidos na criação de novos planos organizacionais.

Com a capacidade de incentivar os funcionários a dar ideias e de mensurá-las, o RH tem posição estratégica para garantir que todos se sintam parte de um propósito maior. “É desejável que se mantenha aberto o canal para o diálogo constante, trazendo ao funcionário a percepção de que é possível participar de decisões que afetam seu trabalho e sua produtividade”, ressalta o especialista Vinicius Ramalho.

Explore competências

Ouvir o colaborador e integrá-lo por completo no funcionamento da organização também gera oportunidade para que competências se destaquem. O olhar atento dos profissionais de RH é imprescindível para perceber os pontos fortes de cada funcionário e ajudar para que eles sejam aproveitados da melhor forma possível.

Conforme os dados da Gallup, funcionários que têm a oportunidade de trabalhar com o que fazem de melhor dentro de suas empresas têm até 57% menos chance de sofrer com burnout no trabalho.

Isso acontece por ser uma forma de enaltecer as habilidades do colaborador. Como resultado, a empresa tem um funcionário otimista e entusiasmado, que foca no sucesso de sua função e deixa de vê-la como um fardo.

O burnout no trabalho é uma das grandes preocupações dos executivos para 2019, mas não é o único desafio enfrentando pela gestão de pessoas. O blog Huma tem os melhores conteúdos sobre os principais desafios do RH. Assine a newsletter e receba semanalmente publicações com dicas dos melhores profissionais do mercado. Clique aqui para assinar.