A diversidade nas empresas se tornou a chave para inovação e melhores resultados

Data 14/07/2020
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A diversidade nas empresas avançou muito nos últimos anos seguindo a mesma linha de como a sociedade evoluiu em relação aos direitos de pessoas LGBTQIA+. Contudo, será que essa evolução atingiu níveis aceitáveis? Para saber a resposta é necessário começar olhando para sua organização e avaliar como estão seus esforços de inclusão.

Os números levantados pelo estudo “LGBTQ Workplace Survey 2019” da Glassdoor, que ouviu mais de 6 mil profissionais adultos nos Estados Unidos em 2019, mostram que 47% dos profissionais LGBTQIA+ acreditam que expor suas orientações sexuais prejudicaria suas carreiras.

Colocar a diversidade nas empresas importa?

Para as pessoas desse grupo, essa abertura é cercada por um medo que vai desde não ser escolhido para um projeto, não conseguir uma promoção ou até mesmo perder o emprego. Por isso, Thiago Antonio, Líder de Produto na LG lugar de gente, destaca a urgência de uma abordagem mais profunda do assunto nas organizações.

“A questão sobre diversidade no meio corporativo é um assunto que precisa ser muito mais que pensado. É preciso ser falado e discutido. É imprescindível que haja representatividade dentro das organizações e, quando falo de representatividade, não é só nas questões de gênero, mas de orientação sexual, religião, raça e tantos outros”, afirma.

Por sua vez, Sarah Gil, Especialista em RH – Responsabilidade Social do Demarest Advogados, explica que a motivação para buscar a diversidade nas empresas parte de dois pontos fundamentais. O primeiro deles diz respeito à relação da organização com a sociedade.

“Porque é certo. Porque trabalhar com diversidade e inclusão significa ter um ambiente mais respeitoso, contribuir com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todo mundo”, afirma.

Já o segundo está diretamente ligado ao que a empresa tem a ganhar com um ambiente mais inclusivo e diverso. “Para basear esse princípio, é muito importante também entender que é relevante para o negócio. Existem pesquisas que mostram a eficiência financeira, o ganho de rentabilidade quando se tem o time mais diverso refletindo até a alta liderança”, ressalta ela.

O que é diversidade?

Apesar dos pontos levantados pelos especialistas, é possível notar pelos números que ainda há muito trabalho a ser feito em prol da diversidade nas empresas e da inclusão. E uma parcela importante desses esforços está na compreensão do que significa a construção desse ambiente.

Thiago Antonio diversidade empresas
Thiago Antonio, Líder de Produto na LG lugar de gente

“Diversidade é um conceito extremamente amplo e deve fazer com que as pessoas entendam que não precisam aceitar o outro se ele for diferente de você, mas têm obrigação de respeitar o outro como ele é”, argumenta Thiago.

Nesse contexto, a consideração da realidade do outro impacta de forma direta nos resultados da companhia. “O respeito é o alicerce de qualquer relacionamento interpessoal. Quando nos sentimos respeitados conseguimos ter mais produtividade e gerar mais resultados para a empresa”, destaca o líder.

A empresa é parte da mudança

Outro dado alarmante a respeito da diversidade nas empresas constatado pela Glassdoor é o fato de que 53% dos profissionais LGBTQIA+ afirmam já ter sido alvo ou presenciado comentários discriminatórios de colegas.

Em boa medida, Thiago Antonio explica que esse comportamento persiste por estar disfarçado entre as interações rotineiras do ambiente de trabalho que ainda é majoritariamente masculino.

Essa realidade relacionada ao baixo de grau de diversidade no mercado brasileiro foi constatada pelo estudo “Diversity Wins: How inclusion matters”, da McKinsey & Company. Ouvindo mais de 1.000 organizações de 15 países diferentes, a pesquisa concluiu que no Brasil, 83% das empresas não têm sequer uma mulher em posições executivas.

“O preconceito velado muitas vezes é ainda pior. Brincadeiras de corredor, xingamentos de ‘gay’, como se ser gay fosse algo ruim, chamar de ‘mulherzinha’ tentando menosprezar as mulheres. São questões que precisam ter fim”, alerta Thiago.

Contudo, ele explica que justamente por estarem entranhados no cotidiano das empresas e do convívio social dos colaboradores, essas condutas acabam se perpetuando. “Muitas vezes algumas pessoas são tão enraizadas na cultura machista que vivemos que nem param para pensar no que estão dizendo, o que torna esse desrespeito ainda mais grave”, pontua.

Por isso, dado o desenho da sociedade atual, a busca por diversidade nas empresas tende a deixar de ser uma opção para ser cada vez mais uma obrigação. É o que explica Sarah. “Temos uma população majoritária de mulheres, uma grande parcela negra, um número enorme de talentos entre pessoas LGBT+. Esse universo de pessoas tem que estar refletido dentro da sua organização. Esse é um princípio, isso é o certo”, argumenta.

Mais diversidade, melhores resultados

No entanto, mesmo que a importância da diversidade nas empresas nasça de uma obrigação moral, a Especialista em RH – Responsabilidade Social do Demarest Advogados ressalta que é necessário entender que há também uma motivação estratégica embutida nesse processo.

Sarah Gil diversidade empresas
Sarah Gil, Especialista em RH – Responsabilidade Social do Demarest Advogados

“Se você não transforma isso em um objetivo de negócio, se não enxerga os benefícios, fica mais complicado avançar com o programa. É necessário alinhar com o objetivo do negócio e, a partir daí, começar a revisar seus processos internos”, destaca Sarah.

Segundo a Especialista em RH – Responsabilidade Social do Demarest Advogados, é necessário fazer um diagnóstico para entender como o público interno da organização vê o tema, quais são os impulsionadores de carreira bem como o que as pessoas percebem como barreiras.

É com base nesse estudo que a empresa passa a reavaliar sua cultura e a estabelecer planos de ação que envolvem desde treinamentos e eventos de conscientização a mudanças na rotina do ambiente de trabalho.

Essa nova abordagem traz consigo a quebra de estereótipos e de vieses inconscientes que Sarah considera tão fundamental quanto benéfica. “Quando você fala diretamente sobre a comunidade LGBT, quando você se abre para ouvir e não julgar as pessoas pela forma que elas se expressam e passa a aplicar isso em todos os processos seletivos, é uma riqueza que você trouxe por ter pessoas diversas na sua equipe”, exemplifica.

Em termos de atração, Sarah Gil garante que o impacto positivo é considerável. “Produzir uma cultura inclusiva atrai mais talentos, esse resultado vemos todos os dias na empresa. Então, é hora de desfazer qualquer mito sobre o porquê de se trabalhar no Demarest”, conta.

Mais do que isso, Thiago reforça que esse processo está diretamente ligado a percepção do valor do capital humano para a organização.

“Não vejo como ponto principal investir em diversidade. Acho que a questão é investir em pessoas, sendo elas diversas. Colaboradores com características diferentes conseguem trazer inovações, soluções e pensamentos diferenciados para dentro da empresa. Pessoas que se sentem bem dentro do ambiente da empresa, podendo ser elas mesmas, enxergando representatividade. Isso faz com que se trabalhe melhor. Nada é mais prazeroso do que trabalhar em ambientes acolhedores”, pontua.

Comece simples

Os benefícios de uma cultura de diversidade nas empresas podem ser vastos e isso pede que as ações nesse sentido sejam sérias. Contudo, os especialistas ressaltam que o início desse caminho deve partir da simplicidade.

Sendo assim, conversar sobre o tema e ouvir os envolvidos é crucial, estimulando os públicos da organização a pensarem a respeito. Contudo, Thiago reforça que isso precisa ser algo que reflita os objetivos do negócio.

“Acho que o pontapé inicial é a empresa pensar quais são os valores que ela quer preservar dentro da instituição. Se esses valores são para todos e se de fato todos estão incluídos dentro dele de uma forma concreta”, destaca.

Para Thiago, para que a diversidade nas empresas tenha efeitos reais, além da simples mudança de discurso é preciso que ela esteja refletida nas atitudes com todos os perfis de colaboradores.

“Não adianta uma empresa ter valores que visam o bem-estar do funcionário se não valoriza as mulheres, se escutamos piadinhas nos corredores, se os deficientes físicos não são vistos como pares e assim por diante”, afirma.

Partindo da experiência que o Demarest Advogados tem vivido nos últimos anos, Sarah Gil dá exemplo de como mudanças simples no ambiente podem ter impacto positivo de longa duração entre colaboradores e clientes.

Uma delas foi a presença de bandeira do orgulho LGBTQIA+ nas estações de trabalho de todos os colaboradores aliados da causa. Ela explica que foi uma forma simples de demonstrar para clientes, colaboradores ou candidatos em processo seletivo que todos são acolhidos.

Ainda que seja barata, essa ação trouxe mudanças significativas entre colaboradores e gestores que ainda não se sentiam prontos para esse debate. O mesmo aconteceu com a substituição das placas de identificação binária de gênero dos banheiros por modelos de linguagem inclusiva.

De acordo com Sarah Gil, é evidente que a diversidade nas empresas também exige treinamentos, campanhas, eventos, vídeos e um plano de ação extenso. Contudo, a simplicidade de algumas mudanças efetivas no ambiente não pode ser menosprezada como algo sem valor.

“É algo pequeno, mas que faz a pessoa se perguntar várias coisas. Nos faz ser mais inovadores, pois quando passamos a questionar que nem tudo é binário começamos a ver que existem outras soluções para um problema. Começamos a sair desse ‘certo e errado’, ‘mau e bom’. Passamos a enxergar toda a paleta de cores que existe ali”, completa.

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