Entenda como o futuro do trabalho está prestes a mudar completamente

Data 10/03/2020

O futuro do trabalho sem dúvida reserva mudanças na forma como o mercado de trabalho se organiza atualmente. No entanto, de acordo com 42 tendências definidas pela Cognizant a partir da reunião de análises feitas ao longo de uma década, essas transformações podem ser mais profundas do que o esperado. De acordo com o estudo, os impactos devem ser notados nos modos, nas ferramentas, na estética, nos desafios e no significado do trabalho.

Tatiana Porto, Diretora de RH da Cognizant

Para Tatiana Porto, Diretora de RH da Cognizant, a ideia do levantamento no Brasil era demonstrar a extensão da influência que a tecnologia vem aplicando no mercado de trabalho e como ela deve continuar agindo.

Contudo, ela reforça que, diferentemente do que muitos temem, isso não deve de forma alguma retirar o fator humano da equação. Segundo ela, a capacidade das pessoas de dar um direcionamento crítico e criativo para os insights apresentados pelos bots será fundamental no processo de transformação.

O futuro do trabalho é fluido

Como explica a especialista, as transformações em curso que irão determinar o futuro do trabalho podem ser definidas pela busca por adaptação constante, abandonando culturas rígidas.

Para isso, ela explica que alguns pontos são cruciais. “De maneira geral, o que vemos é um foco em modelos ágeis – que aceitem de maneira mais fluida mudanças e reinvenções –, em trabalho colaborativo com muita confiança associada, no uso da tecnologia como facilitadora das tarefas diárias, no incentivo à diversidade e inclusão, e na experiência que de alguma maneira está sendo gerada”, avalia.

Sendo assim, Tatiana Porto não acredita que seja possível vislumbrar um horizonte de acomodação. Na verdade, a especialista reforça a importância do aprendizado contínuo uma vez que, segundo ela, a rotina de transformação constante é a nova realidade do mercado.

“As pessoas precisam entender que esse é um processo contínuo e eterno, e que não depende única e exclusivamente de formação formal. Elas precisam estar antenadas com a atualidade, abertas a aprender temas diferentes, seja via internet, conversas, workshops, leituras, entre outros”, completa.

Nesse contexto, a Diretora de RH da Cognizant afirma que o futuro do trabalho estará cada vez mais ligado a habilidades como a fácil adaptação à mudança, criatividade, protagonismo, relacionamento interpessoal e gestão de conflitos.

Com dados coletados ao longo de uma década, estudo aponta tendências que devem impactar profundamente o mercado de trabalho por meio da tecnologia

Principais tendências

Com uma base de dados vasta, o estudo realizado pela Cognizant aponta várias tendências que devem moldar o futuro do trabalho nos próximos anos. Ainda assim, Tatiana aponta as que ela considera os principais pontos de atenção:

  • De hierarquia para “wirearquia” – Como explica o levantamento, as hierarquias foram importantes no passado, mas não pertencem a um mundo colaborativo como os especialistas projetam para os próximos anos. Nesse cenário, surgem o que eles classificam como “wirearquias”, um modelo de organização baseado em auxílio mútuo e confiança. O relatório aponta que o futuro da estrutura organizacional depende da capacidade de equilibrar os dois modelos.
  • De cargos para tarefas – Mais uma vez, a fluidez surge como norteadora do processo de transformação das profissões. Como parte da identidade de cada pessoa, o futuro do trabalho requer que cargos sejam desconstruídos em tarefas, que são a forma mais sustentável para alcançar a maleabilidade necessária para lidar com a interação essencial entre homem e máquina.
  • De uma carreira para várias – No mesmo sentido, o mindset de ter apenas uma carreira se tornou um problema. Em vista do crescimento da automação e da Inteligência Artificial (IA), o modelo “educação-emprego-carreiras” tende a se tornar obsoleto. É importante perceber que há mais de um caminho para o sucesso e que talvez isso signifique encontrar mais de uma carreira para alcançar o objetivo.
  • Da diversidade ao pertencimento – Embora a diversidade seja um conceito cada vez mais difundido, o levantamento reforça que a inclusão para minorias no ambiente de trabalho deve ser mais do que ter um representante no meio da maioria. Essa abordagem superficial está próxima do fim já que todos querem sentir que pertencem a algum lugar.

Além dessas tendências, o levantamento feito pela Cognizant aponta ainda a substituição da visão negativa do avanço tecnológico no trabalho para uma de aceitação de novas ferramentas. Isso caminha ao lado do fortalecimento do conceito de segurança aliado à tecnologia no lugar das atuais ameaças cibernéticas.

O RH deve romper paradigmas

Para Tatiana Porto, é difícil afirmar em quanto tempo essas e outras transformações esperadas para o futuro do trabalho de fato deixarão suas marcas no mercado brasileiro.

Como ela explica, isso acontece porque essas mudanças esbarram em fatores que vão além da vontade das organizações de abraçar novos comportamentos. “Para alguns modelos de negócios e culturas pode ser mais fácil antecipar algumas tendências, tanto que é fato que já existem empresas que adotam flexibilização há algum tempo como trabalho remoto e ‘Short Friday’, por exemplo. Outras ainda estão paralisadas em metodologias do século 20. E, por mais que muitas empresas tenham o interesse em avançar rumo a essas tendências, necessariamente esbarra-se em legislações obsoletas”, esclarece.

Nesse sentido, a especialista alerta para a necessidade de um processo de reinvenção profundo que envolve todo o país em termos de leis e normas. Dentro desse movimento, o RH novamente assume uma posição de profundo valor estratégico para as empresas.

Para Tatiana, a Gestão de Pessoas deve ser um difusor de networking dentro da companhia, de atualização em relação às melhores práticas, de incentivo à colaboração e aproximação entre organização e funcionários e alinhamento ao negócio. Ela ressalta que esse posicionamento é necessário para trazer valor agregado para a corporação através de uma atuação consultiva.

Ainda assim, a especialista frisa que o RH deve ser um agente de transformação em si. “Deve atuar muito fortemente também na sensibilização para a quebra de paradigmas, e no incentivo constante à comunicação clara e transparente, à troca de experiência, ao aprendizado contínuo, à discussão aberta de temas eventualmente tidos como polêmicos, entre outras ações”, recomenda.

Em vista da preparação necessária a profissionais e corporações para lidar com o futuro do trabalho, Tatiana Porto pontua que a gestão de pessoas deve ser o elo que envolverá os indivíduos da empresa na busca por novos modelos. “O RH precisa fazer um convite para que haja um ambiente colaborativo, onde todos podem e devem se sentir pertencentes à organização, adotando uma postura protagonista, de verdadeiro dono, propondo soluções e sendo agente de mudanças”, completa. 

Com as mudanças provocadas pela tecnologia cada vez mais presentes em nosso dia a dia, não há tempo a perder quando o assunto é atualização. Quer saber como modernizar a área de RH? Conheça as soluções da Suíte Gen.te nuvem.