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Como as organizações exponenciais vão extinguir as empresas tradicionais

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Especialistas explicam como as empresas precisam encarar esse processo de transformação e porque é crucial que o RH saiba se reinventar

A velocidade do mundo mudou. Diante de uma explosão demográfica, tecnologias em convergência, sociedade conectada a uma inteligência coletiva e outros diversos fatores, o momento oferece mudanças fora da curva padrão. Nesse contexto, onde tudo supera as experiências anteriores, surgem as organizações exponenciais, capazes de romper com modelos tradicionais para fazer mais e melhor em menos tempo.

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Para Renato Curi, Sócio-Diretor e Trainer da Crescimentum, exemplos dessas companhias não faltam. Contudo, mesmo o sucesso de empresas como Uber e Google não é suficiente para definir com precisão o mindset exponencial que ainda está em constante desenvolvimento.

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Renato Curi, Sócio-Diretor e Trainer da Crescimentum

“É difícil interpretar ou definir algo que está em pleno curso e em transformação o tempo todo. E digo mais, acho que a nossa mente analógica ainda não conseguiu entender os impactos que essa transformação digital está gerando e gerará ainda mais em todas as áreas de nossas vidas e negócios”, afirma.

Para todos os efeitos, ele acredita que isso já diz muito sobre o que de fato é a Era Exponencial. “Ela é complexa de se explicar e toda vez que achamos uma ‘resposta definitiva’ vem uma nova tecnologia ou tendência de consumo que derruba nossas hipóteses por terra”, esclarece.

Como nascem as organizações exponenciais

Justamente diante desse momento cada vez mais desafiador, Jaqueline Weigel, Futurista e CEO da W Futurismo, ressalta que o mercado precisa entender a distância entre companhias tradicionais e organizações exponenciais.

Como explica a especialista, essas empresas contam com o mindset adequado desde seu surgimento. “Exemplos mais clássicos são Uber, Airbnb, Facebook, empresas que nascem de pequenas estruturas montadas em uma plataforma digital usando muita tecnologia, com alta capacidade de escala, que têm produtos baratos e inéditos e que se espalham pelo mundo rapidamente. Elas conseguem atingir um resultado dez vezes maior, dez vezes mais rápido, usando dez vezes menos recurso”, completa.

Sendo assim, Jaqueline não acredita que empresas tradicionais sejam capazes de se transformarem no novo modelo. Ela pontua que as mudanças necessárias para isso são tão profundas que o resultado final tende a ser o desenvolvimento de uma organização completamente nova.

“Eu não acredito que seja possível transformar uma empresa tradicional em uma exponencial. Ela vai ter ciclos de transformação, de inovação. Quando a companhia entra na transformação digital, que é premissa hoje para qualquer empresa sobreviver, ela precisa criar um novo negócio dentro do já existente, às vezes um que acaba matando o anterior”, afirma.

A função real da tecnologia

Para a Futurista e Estrategista de Inovação, é nesse ponto de conversão que reside o principal gargalo das empresas atualmente. “Transformação digital é o primeiro passo de 20 anos de renovação de negócio e ela não se resume a incluir tecnologia dentro de um modelo que já existe”, esclarece.

É necessário redesenhar a organização para que ela passe a funcionar sustentada por uma plataforma inteiramente digital que compreenda todos os seus processos. Para Renato Curi, essa não é uma tarefa fácil e precisa ser abordada com responsabilidade.

“Tornar uma empresa tradicional em uma exponencial não é um caminho tão fácil ou simples. As empresas podem seguir a risca os seis ‘Ds’ [descritos por Salim Ismail, um dos fundadores da Singularity University, como digitalização, decepção, disrupção, desmonetização, desmaterialização e democratização], mas mesmo assim fracassarem miseravelmente”, alerta.

Mais do que isso, Jaqueline Weigel salienta que definir o caminho a ser seguido não se resume a observar como e quais tecnologias as companhias de sucesso utilizaram. “Se a empresa tradicional não se projetar, ela irá sair do mercado, mas ela não pode se dar a missão de se transformar em exponencial. É preciso achar a trilha de futuro única para ela. Não podemos aceitar futuros determinados, colonizados ou usados. Cada empresa tem que achar seu caminho e hoje já existem metodologias para isso que estão muito além da inovação”, pontua.

O fim do RH tradicional

E se a transformação é a principal preocupação do mercado, é crucial que um RH estratégico também esteja envolvido nesses esforços. No entanto, Jaqueline acredita que, assim como as empresas tradicionais, a gestão de pessoas como é conhecida atualmente está destinada a deixar de existir.

“No futuro, talvez tenhamos especialistas em pessoas dentro das empresas, mas todo mundo é RH, do CEO a qualquer gestor. Tudo é muito mais horizontal, eu não preciso mais de um departamento específico”, afirma a especialista.

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Jaqueline Weigel, Futurista e CEO da W Futurismo

Segundo ela, a área deve assumir a responsabilidade de usar suas ferramentas para ajudar o processo de criação de uma organização exponencial a acontecer de fato. “O departamento de RH hoje deveria saber muito sobre como as empresas podem trabalhar na transformação, que vai muito além da tecnologia. Ele deveria estar levando futuristas para dentro das empresas, para aprender como construir o futuro. Talvez esse seja o grande papel atual da área”, avalia.

Apesar disso, Jaqueline não acredita que esse RH estratégico seja a realidade da maioria das empresas. Para ela, o setor segue digitalizando seus sistemas tradicionais, mas isso não é suficiente, a menos que a gestão de pessoas esteja envolvida no negócio. “O RH se descolou demais da área de negócio nos últimos anos. Alguns fizeram o papel muito bem feito, mas não entendem como construir o futuro. Talvez eles possam ser os protagonistas desse aprendizado corporativo”, ressalta.

Já Renato Curi, mesmo notando a existência incipiente de um RH exponencial no mercado nacional, lamenta o baixo envolvimento da gestão de pessoas com a digitalização no Brasil. “A paixão por inovação e tecnologia deve mover todo profissional de RH. Mas o que eu percebo com certa tristeza é que muitas áreas ainda são contrárias às tecnologias”, afirma.

Para ele, não há como auxiliar na formação de um mindset exponencial sem essa aproximação. “Não podemos temer o avanço dessas tecnologias e nem podemos acreditar que elas vão tirar os nossos empregos. Pelo contrário, essas tecnologias só vão ajudar o RH a cumprir seu verdadeiro papel que, na minha visão, é ajudar pessoas e organizações a alcançarem seu máximo potencial”, lembra.

Indo além, Jaqueline ressalta que a área só pode cumprir seu papel na criação de uma organização exponencial de verdade se for capaz de contribuir para a definição do caminho. “É necessário ajudar os executivos a encontrarem no mercado formas de como pensar o futuro do negócio, não só na inovação. Depois é ir para a sala de aula de estudos do futuro para aprender metodologias. Não adianta ficar falando de futuro se você não mostra como é possível construí-lo”, completa.

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