Podcast Pra Gente: por que o desenvolvimento corporativo nunca mais será o mesmo?

Data 03/06/2020
podcast desenvolvimento corporativo

O desenvolvimento corporativo já vinha em um processo evolutivo ao longo dos últimos anos. Mas a aceleração da transformação digital no momento atual tende a cobrar das organizações uma mudança drástica para uma nova cultura. Para entender o que isso significa, o terceiro episódio do podcast “Pra Gente” trouxe a Diretora de Educação e Inovação da Fundação Dom Cabral, Roberta Campana.

Diante do interesse em usar a tecnologia para manter a competitividade no mercado, é importante que as organizações compreendam o que realmente significa trazer o digital para dentro de seus processos.

“O digital está em todas as áreas ou deveria estar. A tecnologia presente nos proporciona fazer negócios de forma diferente, com maior alcance, maior potência, de maneira mais automatizada. Esse é o grande ganho que temos com o processo de transformação digital”, explica Roberta.

Um salto no desenvolvimento corporativo

Esse entendimento do que significa a transformação digital foi e continua sendo forçado pelo período de crise desencadeado pela pandemia de covid-19. Com isso, tem acontecido também um salto significativo nos esforços para o desenvolvimento corporativo.

Na visão de Roberta Campana, isso está diretamente ligado à percepção dos resultados de ações que vinham sendo discutidas pelas organizações, mas seguiam apenas nos planos.

“Às vezes, nós somos obrigados a mudar abruptamente. É o que está acontecendo. E percebemos vários benefícios nisso”, afirma.

Ainda que o momento esteja depositando um peso elevado sobre os ombros de companhias e profissionais, a especialista entende que essa evolução na forma de encarar a tecnologia é um ponto positivo.

“Acho sim que foi acelerado o processo, desde adotar novas tecnologias, a pôr em prática o uso de inovações que já existiam, mas que não explorávamos seu potencial máximo. Acho que isso realmente se potencializou e vejo como um dos grande ganhos desse momento que estamos vivendo”, completa.

Novo olhar sobre a aprendizagem

E essa mudança de mentalidade envolvendo a tecnologia tem influência definitiva sobre o desenvolvimento corporativo, em especial à forma como a aprendizagem no ambiente digital passa a ser vista de agora em diante.

Roberta Campana desenvolvimento corporativo
Roberta Campana, Diretora de Educação e Inovação da Fundação Dom Cabral

“Acho que no Brasil, em especial, tinha-se uma visão, que está em processo de mudança, de que o on-line é menos efetivo e que por isso deveria ser mais barato”, avalia.

Enquanto isso, a especialista pontua que em países europeus já percebem que o modelo digital pode ser tão rico ou até mais que o presencial, lançando mão de símbolos e significados que o tornem mais engajador.

Além disso, essa mudança no desenvolvimento corporativo não apenas atende às restrições de contato necessárias no momento de pandemia, mas destaca vantagens claras para a organização.

“Estamos entendendo que alguns desenvolvimentos podem acontecer dessa forma, sem que a gente precise investir e gastar tanto dinheiro com deslocamento, com locação de salas e espaços em vários momentos”, afirma.

Uma experiência expandida

A utilização da tecnologia tem mostrado que ela pode colocar em curso uma expansão da experiência tradicional de aprendizado.

Para Roberta, isso tem início na possibilidade de fazer uma curadoria do que é realmente importante com base no perfil de cada indivíduo, sem submeter todos a um mesmo padrão de capacitação.

Mais do que isso, a especialista pontua que a partir do uso das ferramentas disponíveis é possível fazer com que o desenvolvimento corporativo seja tão inovador no digital quanto no presencial.

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Curiosamente, foi no contexto do distanciamento que a conexão entre pessoas ficou mais evidente como parte fundamental do novo modelo de desenvolvimento corporativo.

“Vejo que temos mecanismos de compartilhamento, podemos usar da tecnologia também para exponencializar a relação das pessoas. Então, ampliar mais, democratizar mais, trocar mais, envolver mais pessoas no processo de construção colaborativa”, defende Roberta.

Para ela, essa colaboração sempre esteve presente no discurso organizacional, mas foi muitas vezes deixada de lado. Agora, Roberta acredita que o mercado finalmente percebeu que essa construção colaborativa é a única forma de alcançar melhores resultados em menor tempo e que a tecnologia tem seu papel crucial.

Dando o próximo passo

Se é necessário caminhar em direção a um novo modelo, o Vice-Presidente da LG lugar de gente, Felipe Azevedo recomenda que esse movimento seja feito inspirado nas experiências de organizações que estão na vanguarda desse processo.

Felipe Azevedo desenvolvimento corporativo
Felipe Azevedo, Vice-Presidente na LG lugar de gente

“Conheçam cases das empresas que, dentro desse cenário, conseguiram se destacar com ações de transformação digital e educação corporativa capacitando seus times. É sempre importante você analisar boas práticas e ver como isso se aplica à sua realidade, à cultura da sua empresa”, recomenda.

Já Roberta Campana reforça que o desenvolvimento corporativo é inerente ao desenvolvimento individual das pessoas que fazem parte da organização. Sendo assim, ela reforça a importância do planejamento, da calma e da colaboração.

“Não tente abraçar tudo, não tente desenvolver agora tudo que você quis nos últimos 10 anos. Isso não vai fazer sentido. Foque em uma ou duas coisas e, para ampliar um pouco esse potencial, junte-se com três ou quatro pessoas com quem você tenha mais proximidade para trocarem e compartilharem sobre isso”, completa. 

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