Como as empresas podem priorizar a pessoa antes do profissional?

Data 04/09/2018
cultura UAH

Cuidar para que os colaboradores se sintam bem e consigam colocar em prática todos os seus talentos é um dos desafios do RH. Na ClearSale, companhia especializada em sistemas antifraudes, o tema é uma preocupação antiga e se tornou uma cultura, a UAH. Para entender melhor o modelo de gestão que impulsiona os resultados da empresa, é preciso voltar no tempo e conhecer os valores que fundamentam a organização.

Em 2001, Pedro Chiamulera, ex-atleta olímpico que competiu pela equipe brasileira de Atletismo, criou a empresa. Sem muita experiência em gestão de pessoas, ele perdeu oito dos dez estagiários que compunham sua equipe, por conta do aquecimento do mercado de tecnologia e a impossibilidade de pagar salários maiores aos seus colaboradores. Já quase decretando falência, ele quis entender o que fez os outros dois estagiários ficarem na companhia e a resposta foi o “propósito”. Afinal, eles acreditavam na liderança de Pedro e no desafio de gerar confiança através do combate às fraudes.

Foco no ser humano

De acordo com a Gerente de RH da ClearSale, Roberta Lucio, a cultura nasceu desse momento de dificuldade vivenciado por Pedro Chiamulera. “Hoje, por tudo isso, nós acreditamos fortemente que a pessoa vem antes do profissional. Essa crença do nosso presidente fez com que construíssemos nossa cultura baseada no desenvolvimento do ser humano”, destaca ela.

Roberta explica que um dos programas criados para fomentar a colaboração e consequentemente o crescimento dos colaboradores é o “T!”. “Inicialmente o próprio Pedro parava toda a empresa às terças-feiras por uma hora, um dos motivos do nome do programa ser ‘T!’, para compreender o que motivava cada um. Também era uma oportunidade de troca entre os próprios funcionários e um momento de não falar de trabalho. A partir disso, nasceu esse projeto que, atualmente, é a nossa maior ferramenta de desenvolvimento”, explica.

cultura UAH

A gerente destaca que até hoje a empresa para seus 1.300 colaboradores uma vez na semana. Agora, segundo ela, não mais necessariamente às terças-feiras, porque seria inviável realizar o projeto com todos de uma única vez, mas, ainda assim, a ClearSale dedica esse tempo para que o colaborador possa investir no seu desenvolvimento pessoal. “Temos uma área de gestão educacional que faz a supervisão dessas atividades, mas, na maioria das vezes, elas são aplicadas pelos próprios funcionários”, comenta.

Roberta reforça que o projeto não tem o objetivo de trabalhar competências técnicas, mas sim aspectos pessoais e emocionais. “Acreditamos que desenvolvendo a pessoa vamos alcançar o lado profissional”, pontua.

Fazendo parte do grupo

Outro programa que contribui para a disseminação da cultura UAH é a “Acolhida”, um projeto que é conhecido no mercado como “integração”, conforme destaca Roberta. “Durante cinco semanas, o novo colaborador passa uma hora com cada um dos sócios da empresa, que falam sobre diferentes temas: cultura, educação, motivação, produtos da ClearSale e modelo de avaliação de competência. Isso acontece para todos os funcionários, do diretor ao jovem aprendiz”, garante ela.

Segundo a gerente, a cultura de valorização das pessoas é muito forte, como comprova a pesquisa realizada pelo site Love Mondays. O ranking mostrou que o índice de satisfação geral dos funcionários em 2017 foi de 4,49, sendo 5 a nota máxima. “Um dos nossos valores é liberdade com responsabilidade. Ou seja, nada aqui é proibido, mas orientamos que existe uma consequência para cada ação. Não olhamos para o profissional pelas horas trabalhadas, mas sim por suas entregas”, reforça Roberta.

O novo papel do RH

Roberta Lucio_Clear Sale

Roberta Lucio, Gerente de RH da ClearSale

Como resultado dessas boas práticas, além dos números conquistados pela empresa, como o faturamento de R$ 140 milhões em 2017, Roberta ressalta que houve a diminuição do turnover de 12% para 1,8% ao mês. “As ações de fortalecimento da cultura, de fato, ajudam a reter os profissionais, assim como os projetos de desenvolvimento. Nós investimos em média R$ 1,5 milhão em educação, sem contar as horas que são liberadas semanalmente para o crescimento dos colaboradores”, explica a gerente.

Roberta comenta que o principal papel do profissional de recursos humanos é enxergar como a área pode ajudar a empresa a crescer. “Precisamos pensar o que vamos fazer para apoiar o negócio e não ficar criando programas de gestão de pessoas. Do contrário, será o RH olhando para o próprio RH”, finaliza.

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